MST recua sobre nova onda de invasões, mas cobra novo plano de assentamento
Movimento lançou ontem (dia 11) jornada de mobilizações do mês de abril
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João Paulo Rodrigues diz ações em abril buscam pressionar o governo na elaboração de um plano com metas de assentamento. (foto - José Cruz/Agência Brasil)
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, negou nesta terça-feira (dia 11), em coletiva aos jornalistas, planos de uma nova onda invasões pelo País.
A informação havia sido divulgada em vídeo publicado no Youtube pelo também integrante da direção nacional do MST), João Pedro Stédile.
"Não tem nenhuma nova jornada de ocupação de terra sendo feita país afora. O que tem é uma jornada de mobilização que, eventualmente, um estado ou outro pode decidir ocupar um latifúndio, que está abandonado, que as famílias estão acampadas na beira da estrada e podem vir para dentro [da área]", disse Rodrigues.
Ainda segundo ele, este ano já ocorreram 16 ocupações de terra – todas dentro da pauta do movimento, ou seja, de garantir assentamento às famílias.
Rodrigues disse ainda que, em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram realizadas cerca de 40 ocupações.
Abril Vermelho
O MST lançou nesta terça-feira (dia 11), o calendário de mobilizações do mês de abril, que ocorre em memória das vítimas do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, quando 21 trabalhadores sem-terra foram mortos por policiais militares.
Desde então, o movimento organiza, anualmente, uma série de atividades, que incluem marchas, ocupações de terras e mobilizações diversas para cobrar a execução da reforma agrária no país, em ações que ficaram conhecida como "abril vermelho".
Neste cenário, reforçou o líder do movimento, as jornadas de abril de 2023 não terão as ocupações como estratégia principal de reivindicação e sim as mobilizações, que incluirão principalmente marchas, atos políticos, assembleias em frente as superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), denúncias do trabalho escravo e, de forma pontual, ocupação de latifúndio improdutivo.

Integrantes do MST invadiram sede do Incra de Algoas no último dia 10. (Foto - MST)
Reforma agrária como prioridade
Ainda de acordo com João Paulo Rodrigues, um dos objetivos da campanha em 2023 é pressionar o atual governo na elaboração de um plano com metas de assentamento de famílias de trabalhadores rurais para os próximos anos.
"O presidente Lula e sua equipe têm que apresentar um plano de assentamento de novas famílias, a partir da desapropriação de latifúndio improdutivo, assentamento em terras públicas devolutas da União, ou mesmo reposição, eventualmente, de lotes vagos", disse.
"E atualizar as famílias que estão em cima das terras, mas não têm o reconhecimento por parte do Estado", completou.
Segundo Rodrigues, o movimento calcula haver cerca de 60 mil famílias vivendo em acampamentos improvisados neste momento. Outras dezenas de milhares também estão no radar do movimento para receberem um lote de terra.
"No total, das famílias que frequentam os acampamentos, estão cadastrados pelo MST e que lutam pela terra, chegamos a aproximadamente 100 mil famílias. Essa é a pauta um que estamos pedindo ao governo Lula e na semana que vem, possivelmente, teremos a primeira reunião para tratar desse assunto", acrescentou.
O dirigente do MST disse ainda que o movimento vai atuar em defesa do governo Lula. "Ajudamos a eleger o governo, somos parte desse campo político que fez a campanha, que lutou contra o golpe, contra o bolsonarismo", enfatizou.
O MST também criticou a taxa básica de juros, definida pelo Banco Central, e disse que lutará contra a atual política monetária do órgão.