Copom mantém taxa Selic em 13,75% ao ano
É sexta vez seguida que o Banco Central não altera taxa
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De acordo com comunicado do Copom, decisão considera que “o ambiente externo se mantém adverso”. (foto - Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic, juros básicos da economia, em 13,75% ao ano – mesmo patamar desde agosto de 2022.
A decisão, divulgada ontem à noite (dia 3), foi unânime, mesmo diante das persistentes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe de que a taxa, como está, inibe o crescimento da economia.
De acordo com comunicado do Copom, “o ambiente externo se mantém adverso” uma vez que “os episódios envolvendo bancos no exterior têm elevado a incerteza, mas com contágio limitado sobre as condições financeiras até o momento, requerendo contínuo monitoramento.”
“Em paralelo, os bancos centrais das principais economias seguem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas, em um ambiente em que a inflação se mostra resiliente", diz trecho do comunicado divulgado pelo Banco Central (BC).
O Copom ressaltou, entretanto, que, diferentemente do comunicado anterior, o cenário atual é “menos provável” ao aumento da Selic, embora ressalte que "retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado".
O documento também afirma que, em relação ao cenário doméstico, "o conjunto dos indicadores mais recentes de atividade econômica segue corroborando o cenário de desaceleração esperado pelo Copom, ainda que exibindo maior resiliência no mercado de trabalho".
Inflação e incerteza do arcabouço fiscal
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo o comunicado, a manutenção da taxa considerou entre outros fatores, a persistência das pressões inflacionárias globais, incerteza sobre o desenho final do arcabouço fiscal a ser analisado pelo Congresso Nacional e uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada.
"Por um lado, a reoneração dos combustíveis e, principalmente, a apresentação de uma proposta de arcabouço fiscal reduziram parte da incerteza advinda da política fiscal. Por outro lado, a conjuntura, caracterizada por um estágio em que o processo desinflacionário tende a ser mais lento em ambiente de expectativas de inflação desancoradas, demanda maior atenção na condução da política monetária", diz o comunicado.
Acima da meta
O Copom reconhece que o atual cenário segue incompatível com a meta para inflação.
"A inflação ao consumidor, assim como suas diversas medidas de inflação subjacente, segue acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus elevaram-se marginalmente e encontram-se em torno de 6,1% e 4,2%, respectivamente", acrescenta o comunicado.
A taxa continua no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano.
Essa foi a sexta vez seguida em que o BC não mexeu na taxa, que permanece nesse nível desde agosto do ano passado. Anteriormente, o Copom tinha elevado a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis.
Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica, iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo.
A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.