Incidência do greening na citricultura do Brasil chegou a 24,42% em 2022
Taxa é recorde e preocupa setor em 2023, diz pesquisa do Cepea/USP
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árvores novas são ainda mais suscetíveis à doença, diz Cepea/USP. (foto - Freepik)
Apesar dos intensos esforços do setor citrícola nacional, a incidência de greening (HBL) em 2022 atingiu taxa média recorde, sendo encontrada em 24,42% dos pomares. Como comparação, em 2018, o número era de 18%.
Os números do ano passado servem de alerta para 2023, segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, compiladas em reportagem publicada ontem (dia 11) pela revista Hortifruti Brasil, do próprio Cepea.
De acordo com o Cepea/USP, esse cenário tem levado citricultores a reverem seus investimentos e planejamentos de novos pomares, mesmo em uma temporada em que a perspectiva é de preços recordes para os novos contratos da fruta (com a significativa queda na produção dos EUA).
Nesta semana, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) divulgou a primeira estimativa da safra 2023/2024 do cinturão agrícola, calculada em 309,34 milhões de caixas de 40,8 kg – o que indica, um recuo de 1,5% na comparação com 2022/2023.
Inclusive, o próprio Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) tem recomendado que produtores adiem novos plantios e/ou renovações nas regiões com incidência crítica de HLB em 2023, que, em algumas regiões, está acima de 25% dos pomares.
A explicação é que as árvores novas são ainda mais suscetíveis à doença – as “exceções são propriedades isoladas de outros pomares (com raio de pelo menos cinco quilômetros de distância) e as com vizinhos que realizam manejo rigoroso”, diz o HF Brasil.
Incidência é maior em São Paulo
De acordo com os pesquisados a incidência é maior nos pomares de São Paulo, com extrema atenção para regiões como Limeira, Brotas e Porto Ferreira com “níveis considerados insustentáveis.”
A publicação explica que incidência segue maior nos pomares acima de 10 anos, nas propriedades menores e nos talhões de borda. “Ainda assim, preocupam a grande quantidade de plantas abaixo de cinco anos com greening e o crescimento na incidência também nas propriedades de maior porte (acima de 200 mil plantas, onde a taxa de árvores com sintomas aumentou de 14,06% em 2021 para 19,39% em 2022).”
“O percentual de plantas com sintomas de HLB (greening) no cinturão citrícola segue aumentando, apesar dos esforços do setor quanto ao controle do vetor (psilídeo) e da doença. Segundo dados do Fundecitrus, em média, 24,42% das plantas do cinturão citrícola industrial (São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro) registrou HLB, contra 17% em 2016. Este foi o quinto ano consecutivo de avanço na incidência da doença. A tendência é de aumento do número de plantas com HLB em 2023”, completa o estudo.
Impactos econômicos
Além de alertar os citricultores sobre a alta incidência da praga, principalmente em São Paulo, a equipe Citros/Cepea traz uma avaliação mais aprofundada do impacto econômico dos tratamentos para controle de HLB sobre o custo total de produção.
As estimativas do Cepea indicam que os gastos exclusivos para controle do HLB dentro de uma fazenda podem chegar a representar quase 30% das despesas relacionadas ao manejo na temporada 2023/2024.
Na temporada 2018/2019 essa taxa era de 20%. “Isso significa que, mesmo com todo o controle de uma propriedade para manter o nível de incidência baixo, por conta da disseminação, os custos de produção custos sobem por conta do HBL.”