Rússia ataca principal porto de grãos da Ucrânia pelo segundo dia seguido

    Cotações agrícolas disparam em todo o planeta pela indefinição na região

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    A Ucrânia respondia antes do conflito por 14% do mercado mundial de milho e 9% do trigo, do qual a Rússia é a líder, com 19%. (foto - Ucrânia)

    A Ucrânia respondia antes do conflito por 14% do mercado mundial de milho e 9% do trigo, do qual a Rússia é a líder, com 19%. (foto - Ucrânia)

    19deJulhode2023ás11:33

    A Rússia ampliou os ataques às infraestruturas de escoamento da produção agrícola da Ucrânia desde o anúncio russo da suspensão do Acordo de Grãos do Mar Negro na última segunda-feira.

    Como consequência, as cotações das principais commodities agrícolas apresentam fortes altas nos últimos dias, dada a indefinição sobre a região, grande produtora agrícola.

    A Ucrânia respondia antes do conflito por 14% do mercado mundial de milho e 9% do trigo, do qual a Rússia é a líder, com 19%. Assim, os preços de grão subiram em média, segundo a ONU, 20% com o início da guerra em fevereiro de 2022, caindo para os patamares pré-invasão a partir do acordo.

    Contudo, pelo segundo dia seguido, as forças do Kremlin bombardearam a principal região portuária da Ucrânia, Odessa. Ao mesmo tempo, os russos sinalizaram que ainda há legalmente três meses para retomar o acordo.

    O ataque utilizou 63 mísseis e drones em pontos de Odessa, que o governo ucraniano disse serem especificamente ligados ao armazenamento e exportação de produtos como trigo, milho e cevada.

    Segundo o ministro da Agricultura, Mikola Solski, 60 mil toneladas de grãos foram perdidos no terminal de Tchornomorsk. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou no Telegram que "terroristas russos alvejaram de forma deliberada a infraestrutura do acordo dos grãos".

    Segundo ele, "cada míssil é um golpe não só para a Ucrânia, mas para todas as pessoas do mundo que buscam uma vida normal e segura".

    As Forças Armadas de Kiev disseram ter abatido 37 dos projeteis lançados contra a região, tradicionalmente menos defendida do que outras áreas do país em guerra, como a capital, justamente por causa do acordo que estava em vigor desde julho de 2022.

    Suspensão do Acordo de Grãos

    Na segunda (17), o Kremlin havia anunciado que deixaria o acerto, mediado pela ONU e pela Turquia, porque os termos do acordo paralelo que facilitaria a sua exportação de grãos e fertilizantes não teriam sido respeitados integralmente.

    O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, então declarou esse instrumento nulo.

    Sem a Rússia no acordo, os comboios de navios a serviço dos exportadores ucranianos perdem a garantia de que não serão atacados no corredor marítimo até o estreito de Bósforo, que liga o mar Negro ao Mediterrâneo, na Turquia.

    Zelenski chegou a dizer que poderia seguir a exportação com proteção militar turca, mas isso colocaria forças navais da Otan (aliança militar ocidental) e da Rússia em posição de eventual confronto direto.

    Moscou já havia dito que poderia retomar o acordo de grãos caso suas demandas fossem satisfeitas, mas mudou o tom nesta quarta. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que as regras vigentes do acordo paralelo, sobre produtos russos, obrigam um aviso prévio de três meses em caso de cancelamento por parte da ONU.

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