“Brasil não deveria produzir mais a cada ano”, diz especialista
Aidan Connolly, presidente da Ifama, aponta desperdício, imagem internacional e interesse geopolítico como motivos

“É inocente o agronegócio brasileiro acreditar que poderá produzir tanto a ponto de quebrar a produção de outros países", disse Aidan Connolly, presidente da Ifama. (foto -Daniel Azevedo Duarte)
O presidente da Ifama (Associação Internacional de Gestão do Agronegócio), Aidan Connolly, acredita ser necessária uma mudança de mentalidade no setor agropecuário brasileiro para evitar “aumentos sucessivos da produção”.
O Agrofy News entrevistou o especialista internacional, que já atuou no Brasil, na última quinta-feira (dia 14), no Cubo Itaú. Aidan veio ao país participar da inauguração da Harven Agribusiness School, universidade voltada ao agro fundada na semana passada em Ribeirão Preto (SP).
Segundo ele, o setor agropecuário brasileiro pode focar em aproveitar melhor o que produz, ao invés de perder parcela relevante da produção por falta de armazenagem, ou mesmo pelas estradas do país.
“A busca por crescer a produção a cada ano, até mesmo, pode diminuir a margem dos produtores. Se investissem mais em melhorar a infraestrutura e redução do desperdício, o agricultor poderia ter até melhor margem”, conta.
Connolly argumenta que o crescimento exponencial da produção brasileira, principalmente em grãos, corrobora com a ideia de falta de sustentabilidade. As imagens de desmatamento e desperdício de milhares de toneladas de grãos fomentam essa percepção.
“A imagem do agro brasileiro no exterior, especialmente na Europa, ainda é ruim. Crescer a cada ano fortalece a imagem de que estão destruindo a Amazônia. Não adianta produzir mais, consumir insumos de modo crescente e jogar no chão para fungos ou ratos”, opina.
Ele sugere, inclusive, que o setor brasileiro poderia aproveitar o momento de fragilidade da economia chinesa, principal destino das exportações nacionais, para aprimorar as insuficiências logísticas do país como em silos e transporte.
“É inocente o agronegócio brasileiro acreditar que poderá produzir tanto a ponto de quebrar a produção de outros países por fazer mais barato. Os políticos não permitirão isso, ainda mais com esse problema de imagem”, raciocina.
