Governo de São Paulo cria comitê contra avanço do greening

    Decreto facilita ação conjunta entre diversos órgãos do poder público e da iniciativa privada

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    A cultura da laranja é 11ª cadeia mais valiosa da agropecuária nacional, com VBP na casa de R$ 19,3 bilhões em 2023. (foto Governo de SP)

    A cultura da laranja é 11ª cadeia mais valiosa da agropecuária nacional, com VBP na casa de R$ 19,3 bilhões em 2023. (foto Governo de SP)

    17deOutubrode2023ás14:44

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criou hoje (dia 17) o Comitê Estadual para Contingência do Greening diante do avanço da doença, que é devastadora para a citricultura.

    Segundo dados da Fundecitrus, a enfermidade já atinge 38,06% das laranjeiras de São Paulo e Minas Gerais, o nível mais alto já registrado na série histórica da entidade.

    “Tem de ser um comitê vivo, com trabalhos permanentes. Estamos numa luta contra o tempo. Contem com o Governo do Estado de São Paulo”, disse Tarcísio.

    Segundo o governador, o decreto facilita a atuação conjunta entre Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), Casa Civil, Secretaria da Fazenda e Planejamento, Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Cetesb, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e a Fapesp.

    O anúncio da criação do Comitê foi realizado em uma reunião entre os representantes do poder público e do setor citrícola no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai, abriu o encontro.

    “Precisamos aprender com os erros. Todos vimos o que aconteceu com a Flórida, nos EUA. A produção deles, em 20 anos, caiu de 240 milhões de caixas de laranja de 40,8 kg para 20 milhões. A citricultura é um orgulho para nós de São Paulo. Estamos 100% empenhados em superar o problema”, afirmou Piai.

    A cultura da laranja é 11ª cadeia mais valiosa da agropecuária nacional, com VBP na casa de R$ 19,3 bilhões em 2023.

    Na sequência, representando os citricultores, o Fundecitrus apresentou o panorama geral da doença no mundo e no Brasil, os principais desafios e propostas para soluções no curto, médio e longo prazo.

    Entre as iniciativas previstas, estão:

    • o programa de Estado de comunicação;
    • eliminação de plantas doentes em pomares abandonados e áreas não comerciais,
    • auxílio aos pequenos produtores;
    • orientação e fiscalização no controle do psilídeo;
    • regionalização das estratégias de controle;
    • e chamada especial da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

    “A cooperação, que está na própria origem do Fundecitrus, é fundamental neste momento”, disse o presidente da instituição, Lourival Carmo Monaco.

    “O setor precisa do governo. Porque a citricultura pode se inviabilizar em São Paulo nos próximos anos", pontuou o gerente-geral do Fundecitrus, Juliano Ayres.

    Citricultores aprovam medida

    Para o citricultor Eurides Fachini, a reunião foi muito importante porque o momento é de extrema gravidade.

    “Em mais de 50 anos de citricultura, eu nunca vivi uma situação tão difícil quanto a atual. Saímos da reunião com objetivos claros. O novo governo foi muito ágil, entendeu nossa preocupação. Ainda é cedo para dizer o que vai acontecer, mas as expectativas são positivas”, avaliou.

    O diretor-geral da Cambuhy Agrícola, Alexandre Tachibana, relatou que é notória a preocupação do governador de São Paulo e do secretário de Agricultura e Abastecimento com a situação.

    “Estamos ameaçados. E o greening nos impacta cada vez mais velozmente. Por isso, o Comitê Estadual nos dá a possibilidade de agir com mais velocidade que a doença”, comentou Tachibana.

    Os primeiros passos do Comitê Estadual, de acordo com o próprio governador, devem ser uma grande campanha de conscientização e orientações em relação ao greening, fiscalização de pomares abandonados e fortalecimento da pesquisa para aprimoramento do controle (curto e médio prazo) e soluções duradouras (longo prazo).

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