“Digital traz mais resultado para produtores e empresas”, diz diretor da Agrofy

    Diego Arruda explica que aproveitar melhor os recursos é imperativo em anos desafiadores como 2024

    "Neste ano mais apertado, mesmo as empresas mais conservadoras incluíram o digital em seus planos", comenta Diego Arruda, diretor comercial da Agrofy na América Latina

    "Neste ano mais apertado, mesmo as empresas mais conservadoras incluíram o digital em seus planos", comenta Diego Arruda, diretor comercial da Agrofy na América Latina

    29deFevereirode2024ás16:22

    A digitalização do agronegócio é uma jornada de transformação que, apesar de já não ser novidade, avança cada vez mais entre todos os públicos do setor.

    No caso dos processos de comercialização, segundo a renomada consultoria McKinsey, mais de 71% dos produtores rurais combinam o digital e o físico para realizar suas compras.

    A Agrofy é um expoente no tema por tratar-se do maior marketplace do segmento com sólida presença no Brasil e em outros sete países da América Latina.

    Por isso, o Agrofy News entrevistou Diego Arruda, diretor comercial da Agrofy na América Latina, para saber mais sobre essa transformação do agro, especialmente em um momento desafiador para produtores e empresas.

    O assunto é relevante justamente porque a digitalização permite melhores negócios tanto para agricultores e pecuaristas, como para as companhias na etapa de levar seus produtos e serviços ao mercado.

    Confira o bate-papo na íntegra:

    O que é a digitalização dos processos de compra no agronegócio?

    Diego Arruda - "Na visão da Agrofy, a gente tem a digitalização muito como uma evolução do processo de compra do produtor rural, que é quem move toda a roda do agronegócio.

    Ele vem passando por transformações, mas tanto de gerações como de tecnologias, e isso tem mexido um pouco com o dia a dia na maneira de se fazer negócio.

    A Agrofy tem exatamente esse propósito de digitalizar as operações comerciais do agronegócio e estamos fazendo isso.

    Em números, a gente já tem mais de 600 mil visitas de produtores rurais mensalmente dentro da plataforma, além de 30 mil produtos e mais de 400 empresas.

    Então, nosso objetivo é fazer o encontro desses dois públicos dentro do agronegócio que, às vezes, podem estar perto e outras mais distante.

    O conceito da digitalização do agro começa com o processo de tomada de decisão, que é o produtor rural ter e conhecer as melhores opções.

    A escolha do produto não começa ali no dia que ele vai fechar a compra. Existe todo um processo de planejamento de tomada de decisão. Esse processo tem ficado cada vez mais digital.

    Antes, o produtor ia na revenda ou na concessionária três quatro vezes até escolher o produto. Hoje ele tem a opção de começar esse processo e fazer essa escolha no digital.

    Então, ele compara produtos, preço, compara características e vai no ponto de venda mais decidido para poder fechar a negociação.

    A Agrofy tem trabalhado muito nesse cenário para contribuir com a digitalização e ajudar o dia a dia dos produtores rurais e, também, das empresas."

    Então, do ponto de vista do produtor, ele ganha em facilidade, comparar produtos e fazer melhores negócios? É por aí?

    Diego Arruda - "Sim, essa é nossa proposta de valor. A gente entrega para o produtor rural primeiro a informação. Para melhores decisões, é preciso antes de tudo se informar. O próprio Agrofy News traz novidades e notícias.

    Então, antes do processo de compra, temos o Agrofy News muito voltado para que o produtor possa se informar das principais novidades, tecnologias, mercados, lançamentos, cotações e outros temas.

    Depois que ele for conhecendo tudo isso, ele pode ter um leque de opções e comparar produtos. Qual é o melhor produto para sua atividade? Qual a melhor maquinário para sua necessidade?

    A partir daí, ele já pode fazer uma cotação e fazer esse comparativo de preço. Então a grande vantagem é fazer tudo isso sem sair de casa, pelo smartphone.

    Isso permite, inclusive, que o produtor rural possa estar muito dedicado dentro da porteira, fazendo suas operações no dia a dia.

    Ou seja, se a gente puder simplificar para ele o processo de compra e de informação, trazendo na palma da mão dele, atingimos nosso objetivo.

    Hoje, cerca de 90% dos acessos na plataforma da Agrofy é via smartphone. Então a gente tem uma economia de tempo e dinheiro para o produtor com essas melhores cotações e acho que isso tem sido grande sucesso da Agrofy.

    Hoje, a gente tem meses que chegou a quase 1 milhão de visitas por mês, com média entre 600 e 800 mil visitas por mês. Isso só no Brasil, sem contar os outros acessos Argentina e mais seis países da América Latina."

    E do ponto de vista das empresas? Qual é a vantagem?

    Diego Arruda - "É exatamente acessar essa demanda de produtores rurais, o que é algo muito importante.

    Acessar o produtor rural ou gerar essa demanda no agro pode ser um processo muito oneroso no físico porque, por exemplo, envolve grandes distâncias muitas vezes. É um processo muito caro.

    Então, a grande vantagem e a proposta de valor para as empresas é poder primeiro acessar uma capilaridade muito maior. O público que navega dentro da Agrofy hoje são pequenos e médios produtores rurais.

    Acessar esse público exige uma capilaridade gigantesca, uma quantidade de recursos muito grande. Se você tiver que fazer um dia de campo em cada cidade produtora, você imagina o quanto isso é oneroso.

    Então a nossa proposta que essas empresas possam levar suas tecnologias levar suas informações através do digital.

    A gente acredita que tem produtor rurais que são mais tradicionais que gostam de no dia de campo, mas estão no digital, e uma geração mais jovem que já tá muito conectada. As empresas têm que estar onde o produtor quer estar, omni channel.

    Eu vejo isso como uma construção de posicionamento frente ao produtor rural, que vai ver no digital, vai ver no dia de campo, vai conversar com vizinho, até ele formar a decisão de compra dele.

    Então, se você não está presente em uma das etapas do processo de tomada de decisão, que hoje tem se mostrado cada vez mais importante, perde alcance e oportunidades.

    Com o digital, você consegue ter esse alcance maior com uma relação de custo-benefício muito melhor. Para você estar em todos os lugares digitalmente, a relação do investimento é ela é muito mais favorável.

    Essa é a grande proposta de valor para as empresas que estão aqui anunciando na Agrofy."

    Você citou duas vezes economia de recursos ou ganho de eficiência no uso dos recursos, uma para os produtores e outras para as empresas. Isso é especialmente importante em um momento mais desafiador como o atual?

    Diego Arruda - "Você tem toda razão. O mundo tem ficado cada vez mais é mais rápido e diferente, em constante mudança. A gente tem que se adaptar um pouco a essas mudanças.

    Fazer a mesma coisa que a gente fazia no passado em anos difíceis, talvez não vai não vá ter tanto êxito. Não é essa a receita.

    Então, o positivo, se a gente pode ter um lado bom desses anos mais apertados, é que isso é um motor para inovação, um motor para a gente pensar... O que que a gente pode fazer diferente?

    Temos recebido uma demanda muito grande de algumas empresas que eram mais conservadoras e mais tradicionais que, às vezes, ainda viam esse processo da digitalização um pouco mais distante.

    Neste ano mais apertado, muitas delas incluíram o digital em seus planos. Isso porque com um recurso muito mais limitado para poder investir e fazer ações de marketing, o digital tem sido uma opção de grande valia.

    As empresas têm nos procurado. Estamos com uma projeção bem legal para 24 muito alinhada com essa demanda do ponto de vista do produtor rural.

    No caso do produtor, a conta também está apertada, então ele poder olhar opções de produto que talvez você não conheça, opções de tecnologia, um fornecedor novo.

    Isso também é muito válido para que ele possa ter certeza que está fazendo a melhor compra e, sim, poder gerar economia no ano de imagens apertadas. Aí eu acho que é super importante e a gente permanecer atento a tudo."

    Certo, esse ano está mais apertado, mas como você vê a força do agro em médio prazo? O digital pode ajudar também?

    Diego Arruda - "Eu estou no agro há 15 anos ou 16 anos basicamente, então, a gente viveu alguns momentos de altos e baixos. Ele tem esses pontos cíclicos.

    Não tenho dúvidas que a gente vem de dois anos complicados nos quais tivemos toda a ressaca da pandemia que aumentou muitos custos de produção e, agora, a gente está sendo um pouco prejudicado pelo clima.

    Mas não tenho dúvida da fortaleza que o agro brasileiro é. Tanto é assim que gente tá vendo tudo que tá acontecendo na Europa e um pouco de receio dos agricultores em relação a competitividade do agro do Brasil.

    Então, sem dúvida, 2024 ainda é um ano mais apertado, mas 25 já começa a melhorar muito. Mas esse legado das inovações ele vai perpetuar.

    Então a gente aprende um monte de coisa em ano de crise e, mesmo quando isso tiver num cenário mais favorável, as boas coisas ficam.

    Isso nós vemos na história da Agrofy."

    Que análise você faz disso?

    Diego Arruda - "Eu estou há três anos e pouco na Agrofy. Então eu vejo que se você fizer um comparativo com outra crise, a da pandemia de Covid, por exemplo, a digitalização era muito menor.

    As pessoas nem pensavam em falar por vídeo conferência. Hoje isso é amplamente usado. Então a pandemia foi embora e deixou esse legado.

    Então Agrofy cresceu bastante nestes quatro anos aqui no Brasil. A gente vem dobrando de tamanho a cada ano e temos hoje as principais indústrias de insumos agrícolas dentro do Brasil.

    Vou citar algumas. Quando você fala em defensivo agrícola, temos a UPL, a Adama, a FMC e, em breve, a Ihara. Ou seja, os principais fornecedores de defensivo. No caso dos fertilizantes, a Cibra é um parceiro forte. Quando a gente vai para indústria de máquina agrícola, a gente tem a Jacto, Khun, Stara, LS Tractor, a Case IH.

    Então as principais marcas começaram com a gente nesse momento de pandemia entendendo que faz muito sentido. E esse legado que perpetuou. Então a Agrofy em quatro anos de Brasil cresceu bastante.

    Tem muito desafio pela frente ainda que é cada vez mais digitalizar não só a tomada de decisão, mas muito mais o processo de vendas em si, além de poder concluir a transações e conseguir crédito, o desafio da logística no Brasil.

    Então são os grandes desafios aí da Agrofy pensando no futuro."

    E a perspectiva para os próximos anos?

    Diego Arruda - "A gente cresceu muito nos primeiros anos. Então agora, eu acho que essa oportunidade que a crise de margens está trazendo novas oportunidades.

    Então, em 2024, a gente segue com o crescimento na casa dos 10%. Essa é a projeção da Agrofy nesse ano.

    Além disso, a gente quer muito consolidar várias frentes que já estão abertas. A gente não quer só crescer, mas, cada vez mais, aprofundar o processo de compra, além do momento de decisão.

    Ou seja, avançar para o momento de obtenção de crédito, de logística e de pagamentos – que é o Agrofy Pay – para completar todo o processo dentro da plataforma."

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