ADM visa aumentar 10 vezes sua área de agricultura regenerativa no Brasil
Empresa também se prepara para atuar na distribuição de sementes e produtos biológicos

Plano é escalar o programa para 200 mil hectares pelos próximos cinco anos. (Foto - Divulgação Fazenda Pombo)
A americana ADM (Archer Daniels Midland Company) visa ampliar em 10 vezes, de 20 mil para 200 mil hectares, a área coberta por seu programa de agricultura regenerativa em 5 anos.
Em novembro de 2023, a gigante norte-americana lançou no Brasil o ADM Regeneração, que é focado na adoção do modelo inicialmente para a cultura de soja.
O projeto piloto já está em prática e auxilia 20 produtores no Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais na produção com ênfase na saúde do solo, proteção da biodiversidade, melhoria da fertilidade do solo, resiliência climática e aumento da produtividade agrícola.
Segundo Raphael Costa, diretor de originação e insumos da ADM no Brasil, o projeto tem um plano de crescimento ambicioso até 2029.
“Nosso plano é escalar o programa para 200 mil hectares pelos próximos cinco anos. A gente quer crescer, pois acreditamos muito no modelo e na capacidade do produtor em desenvolver e aplicar essas práticas regenerativas. Muito do programa serve também para gerarmos dados científicos consolidados para que possamos ajudar o produtor rural como nosso segmento no Brasil a posicionar de forma mais clara, mais positiva na área internacional com relação as práticas que são realizadas aqui”, explica Costa, durante o Dia ADM no campo, primeira edição global do evento, realizado ontem (dia 26) em Uberlândia (MG).
As expansões devem ser feitas em São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Com os 20 mil hectares, segundo Costa, a projeção para este ano é colher no Brasil de 70 mil a 80 mil toneladas de soja produzidas dentro do programa. Nesta etapa, a ADM avalia apenas lavouras de soja.
Segundo Costa, a agricultura regenerativa é um passo além que a ADM dá no Brasil.
“Um passo para mostrar para nosso consumidor final que nossa cadeia de produção atende os pré-requisitos necessários, que extrapolamos a demanda e buscamos formas mais sustentáveis e vamos além.”

Potencial infinito
O projeto piloto auxilia o agricultor na transição para práticas mais sustentáveis abrangendo três pilares: agricultura no plantio direto, solo coberto/culturas de cobertura e aumento de uso de insumos biológicos.
Um dos focos do programa é o sequestro de carbono. Segundo André Germanos, diretor de Negócios de Carbono e Agricultura Regenerativa da ADM na América Latina, a empresa tem uma parceria com a Bayer para um calculador de pegada de carbono para cada região.
De acordo com ele, um hectare de soja sequestra 0,5 tonelada de carbono por ano.
“Dependendo da solução adotada, esse índice pode chegar a 2 toneladas por hectare. “O produtor rural é espetacular, vai atras da inovação, busca aprimoramento, está constantemente olhando para novas tecnologias e implementando novas tecnologias. E muitas vezes fazendo isso de uma maneira pioneira. O que a gente precisa fazer, é registrar isso, precisamos demonstrar isso cientificamente para mostrar que a agricultura brasileira é isso. Estamos preparando de forma antecipada a cadeia produtiva para ter informações registradas da pegada de carbono, quando houver essa exigência de rastreabilidade”, explica.

De acordo com ele, a agricultura brasileira tem um potencial infinito. "Somos competitivos, sustentável, temos tudo para crescer. E esse programa da agricultura regenerativa tem esse intuito. Por um lado, apoiar nossos produtores a adotar práticas sustentáveis e ao mesmo tempo registrar e levar essas informações para que essas melhores práticas cheguem no prato do consumidor final.”
Segundo Germano, o registro da pegada do carbono nos produtos é um caminho sem volta, “É algo que é inexorável. A não ser que haja uma mudança muito grande no entendimento no mercado europeu especialmente. Vai ser algo obrigatório. Você vai precisar ter essa pegada de carbono registrada não só por força de lei lá na Europa, mas para própria demanda dos consumidores. Os consumidores estão ficando cada vez mais conscientes, eles estão percebendo e entendendo essa dinâmica climática.”
Para ele, vale a pena investir em agricultura regenerativa, que é um futuro presente.
“No Brasil, a agricultura regenerativa é o presente que pode ser melhorado, pode ser desenvolvido. No Brasil, a agricultura regenerativa já é uma realidade ainda que a gente possa melhorar e evoluir bastante na nossa produção. Por mais que você às vezes tem alguma resistência, mas podemos ver a funcionalidade na prática.”
ADM atuará em sementes e biológicos
A ADM se prepara para atuar na distribuição de sementes e produtos biológicos.
“Estamos nos preparando para atuar na distribuição de sementes e produtos biológicos, devemos entrar neste mercado a partir do próximo ano. Estamos constantemente buscando crescer organicamente e via novas aquisições”, explica Rafael Costa.
Segundo ele, a ADM está em uma crescente constante, tanto em originação de grãos, quanto na distribuição de insumos.
“Hoje a ADM é a terceira maior em originação de soja e milho e deve se consolidar como a maior distribuidora de fertilizantes no Brasil esse ano. A gente vem em um crescimento bastante sustentável na distribuição de defensivos.”
Para entrar no mercado de sementes – a empresa vai começar com a soja -, a ADM busca parceiros para a produção e está em fase de estruturação de área para distribuição do insumo já na safra 2025/26.
Futuramente, a ADM pretende competir também com sementes de milho.
