Gripe aviária: Granja dos EUA interrompe produção e vai abater quase 2 milhões de frangos
Maior produtora e distribuidora de ovos teve sua atividade suspensa temporariamente
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A Cal-Maine Foods, maior produtora e distribuidora de ovos dos Estados Unidos, anunciou ontem (dia 2) que vai interromper temporariamente a produção no Texas. A decisão foi tomada depois de casos confirmado de Influenza Aviária (H5N1) de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves terrestres.
O teste positivo em uma granja da empresa no Condado de Parmer, no Texas, levou a produtora de ovos anunciar também que vai abater 1,6 milhão de galinhas poedeiras e 337 mil frangos. O número de animais abatidos representa cerca de 3,6% do plantel total da companhia até 2 de março, segundo a Cal-Maine.
A empresa, em nota, disse que trabalha para garantir que a produção de outras instalações reduza os efeitos das interrupções dos trabalhos no Condado de Parmer.
A empresa ainda tranquilizou os consumidores quanto a comer seus ovos.
“De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a gripe aviária não pode ser transmitida através de ovos manuseados com segurança e devidamente cozinhados. Não se conhece qualquer risco relacionado associado aos ovos que se encontram atualmente no mercado e nenhum ovo foi recolhido”.

Surto no Texas
O Texas nunca havia sofrido um surto tão grande em uma instalação avícola comercial, disse comissário estadual de Agricultura, Sid Miller, na terça-feira.
"Isso é transmitido por aves aquáticas. Estamos na época da migração”, disse Miller.
Gripe aviária em humanos
A suspensão da produção da Cal-Maine acontece exatamente um dia depois de autoridades estaduais de saúde terem afirmado que uma pessoa foi diagnosticada com gripe aviária, após entrar em contato com vacas supostamente infectadas.
O caso humano no Texas é o primeiro caso conhecido no mundo de uma pessoa que foi diagnosticado com gripe aviária de um mamífero, segundo as autoridades federais de saúde.
Desde a semana passada, o governo dos Estados Unidos relatou casos da doença em sete rebanhos leiteiros e nesta pessoa que teve contato com vacas, tornando-o o Estado mais afetado pelos primeiros surtos de gripe aviária no país.
O Texas é o maior produtor de gado dos EUA.
Os casos em gado leiteiro e o segundo caso humano em dois anos nos EUA aumentaram as preocupações com a doença, que vem atacando bandos de aves e um número crescente de outras espécies em todo o mundo desde 2022.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou pela primeira vez, em 25 de março, que uma vaca e o leite de duas fazendas no Texas testaram positivo para gripe aviária, junto do leite de duas fazendas no Kansas.
Depois, a agência confirmou testes positivos em outros rebanhos leiteiros no Texas, Novo México, Michigan e Idaho.
A cepa do vírus encontrada nos Estados subsequentes é muito semelhante à cepa confirmada nos casos iniciais no Texas e no Kansas, que parecem ter sido introduzidos por aves selvagens, disse o USDA.
"Estamos prontos para que os patos sigam para o norte, para seus locais de nidificação. Acreditamos que dentro de uma semana ou um pouco mais, todos eles estarão fora do Texas e nós estaremos fora de perigo", disse Miller.
O USDA disse que a transmissão da doença entre o gado não pode ser descartada.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA consideram baixo o risco da gripe aviária para os seres humanos.
O único sintoma do paciente do Texas foi uma inflamação ocular, de acordo com o departamento de saúde do Estado.
México em alerta
Os casos nos Estados Unidos fizeram o Ministério da Agricultura do México tomar medidas preventivas. O objetivo é aumentar a vigilância e reforçar as inspeções nas importações de gado dos EUA depois que a gripe aviária foi detectada em bovinos leiteiros do país vizinho.
A Comissão México-Estados Unidos para Prevenção da Febre Aftosa e outras Doenças Exóticas de Animais (CPA) afirmou que vai começar a visitar estábulos de gado para colher amostras para análise laboratorial.
O México também aumentará a vigilância do gado que entra no país em busca de qualquer sinal de dificuldade respiratória, disse o Ministério da Agricultura.
O México é um importante mercado para carne bovina e laticínios dos EUA.
E no Brasil?
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem confirmado 160 casos de Influenza Aviária (H5N1) de Alta Patogenicidade (IAAP) no Brasil. O último foi registrado no dia 18 de março.
O Brasil, porém, é um dos quatro países do mundo que não apresentaram gripe aviária em granjas comerciais, junto com Paraguai, Nova Zelândia e Austrália.
Dos 160 focos da doença no Brasil, 157 são em aves silvestres e três em criação de subsistência.
O primeiro caso de gripe aviária no Brasil aconteceu em 15 de maio de 2023.
Até a atualização mais recente do Mapa, o Brasil, além dos 160 focos de gripe aviária, tem 2.882 investigações realizadas, 800 com coleta de amostras e 2 investigações em andamento.
Confira os casos pelo Brasil:
- São Paulo: 54 (53 em aves silvestres e 1 animal marinho)
- Espírito Santo: 33 (32 em aves silvestres e 1 em ave de subsistência)
- Rio de Janeiro: 28 (aves silvestres)
- Santa Catarina: 21 (19 em aves silvestres, 1 em animal marinho e 1 em ave de subsistência)
- Paraná: 13 (aves silvestres)
- Rio Grande do Sul: 6 (3 aves silvestre e 3 animais marinhos)
- Bahia: 4 (aves silvestres)
- Mato Grosso do Sul 1 (ave de subsistência)