Tereos aposta em candidato a maior drone agrícola do mundo para ganhar eficiência
Harpia P-71 é “tão grande quanto a agricultura brasileira precisa”

Grandes áreas precisam de soluções escaláveis. Por isso a startup Psyche Aerospace apresentou, em março deste ano, o candidato brasileiro a maior drone VTOL agrícola do mundo.
Como resultado de seis meses de desenvolvimento, o Harpia P-71 visa “voos mais altos” não só para si, mas para a pulverização agrícola como atividade.
A proposta já convenceu um dos maiores produtores de cana-de-açúcar com atuação no Brasil: o Grupo Tereos, que cultiva 170 mil hectares.
Nesse caso, o tamanho faz a diferença. Segundo a Psyche Aerospace, o Harpia P-71 pode atingir peso máximo de decolagem de até 720 kg, distribuídos em 160 kg de aeronave, 200 kg de combustível e até 400 kg de calda.

Isso é possível porque o equipamento possui quatro rotores com capacidade para voar até 180 kg cada, a uma velocidade operacional de 85 km/h e velocidade de cruzeiro de 160 km/h.
A recomendação é que o Harpia P-71 opere em alturas entre 4 e 6 metros durante a pulverização e navegue entre 80 e 100 metros para autonomia de voo de até 10 horas.
A Psyche Aerospace opera o equipamento SaaS (solução como serviço) com preço de R$ 20 por hectare por cada aplicação. Atualmente, negociam a cobertura de 2 milhões de hectares com outros grupos agrícolas do Brasil.
Líder em bioenergia
A Tereos é uma das empresas líderes no Brasil na produção de açúcar, etanol e bioenergia gerada a partir da biomassa da cana-de-açúcar. Faz parte do grupo francês Tereos, que opera 41 unidades industriais em 15 países.
No Brasil, possuem seis unidades de processamento de cana-de-açúcar em operação, localizadas no noroeste do estado de São Paulo, no entorno do município de São José do Rio Preto.
“Acreditamos firmemente que os drones estão revolucionando a agricultura e temos um sólido histórico de pioneirismo e adoção muito bem-sucedida de novas tecnologias agrícolas”, afirma Carlos Simões, diretor de Agricultura e Planejamento Estratégico da Tereos.

Simões afirma que a empresa foi a primeira do setor sucroenergético a utilizar drones em operações agrícolas, há uma década.
“Atualmente utilizamos VANTs para imagens e sensoriamento remoto de canaviais e algoritmos de inteligência artificial para analisar e identificar anomalias. Além disso, os drones distribuem cotesia (inseto benéfico) e aplicam alguns insumos agrícolas”, explica.
Com mais escala, a Tereos espera reduções significativas de custos por meio de uma aplicação de insumos mais eficiente, racional e com menos desperdício.
Isso significa ganhos de produtividade agrícola gerados por maior qualidade nas aplicações de insumos e menor compactação do solo e uso de combustíveis fósseis.
Desafio técnico
Segundo Victor Galvão, mestre em engenharia e responsável pela tecnologia e engenharia do Harpia-71, o desenvolvimento do vant representou um enorme desafio pela estrutura e robustez do eVTOL.
“Estávamos entusiasmados em fazer algo novo e desafiador. Atualmente, não há referências para drones de grande porte. Tudo o que fizemos foi inédito, com todas as variáveis que o desenho de um eVTOL exige, mas com complexidade e dimensões muito maiores que os modelos convencionais”, afirma.
Experiência piloto
Gabriel de Paula foi o piloto responsável pelo primeiro voo do equipamento. “Voar o P-71 representou um grande desafio que exigiu muito foco e atenção. Poder levantar e estabilizar um dos maiores drones agrícolas do Mundo deu-me uma grande satisfação pessoal”, conclui.
Segundo ele, a equipe não tinha referência de operação de drone desse porte, nem controles tão sensíveis. “Era uma responsabilidade tanto da segurança estrutural do drone quanto das pessoas envolvidas no projeto”, afirma.
Grande como a agricultura brasileira
Para o diretor de processos e cofundador da empresa, João Barbosa, as dimensões e a robustez do Harpia P-71 têm uma justificativa clara.
“Para atender o Brasil precisamos ter o maior, esse é o ponto de partida. O objetivo não é necessariamente ser o maior do mundo, é ser do tamanho da área produtiva do Brasil”, afirma.
A startup está instalada em um dos maiores polos aeroespaciais do mundo, o Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos e possui uma fábrica de 2 mil metros quadrados na zona sul da mesma cidade. A cidade também abriga, por exemplo, o Instituto Tecnológico Aeronáutico (ITA) e a Embraer.
