Novo padrão global para algodão é aprovado apesar de polêmica
Medida também visa adaptar-se às transformações contínuas na tecnologia
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Durante a 30ª Conferência Universal de Padrões realizada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que acabou ontem (dia 27) em Memphis, Tennessee foram aprovadas mudanças significativas na classificação do algodão.
A principal delas foi, apesar de polêmica, a adoção da tabela de HVI (High Volume Instrument) do USDA como padrão universal para identificar a qualidade da pluma, refletindo uma modernização necessária devido às dificuldades crescentes na montagem das caixas padrão, que têm referência de 1986 e se deterioraram com o tempo.
A mudança visa não apenas padronizar os métodos de avaliação do algodão globalmente, mas também adaptar-se às transformações contínuas na tecnologia e nas práticas agrícolas ao redor do mundo.
Baseado nessas caixas atualizadas aprovadas na conferência, os laboratórios que as adquiriram receberão novas embalagens baseadas no novo padrão estabelecido. Geralmente, elas têm uma validade de um ano.
Por que houve polêmica?
Adoção da tabela do USDA para a classificação do algodão, porém, gerou polêmica durante o Congresso. Isto porque, desde 2000, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos não realiza mais a classificação visual da pluma, exceto para contaminantes; agora, todo o processo é realizado utilizando essa tabela, deixando de lado as caixas de referência.
Com isso, são utilizadas as análises HVI correlacionadas com Rd (reflectance difference), que mede a brancura da fibra de algodão, +b (yellow-blue axis), que indica a quantidade de amarelo ou azul presente na fibra, e o color grade, que é classificação geral da cor do algodão.
Esses parâmetros são importantes para os compradores e vendedores de algodão, pois ajudam a determinar a qualidade da fibra.
Para o representante da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o especialista em qualidade de algodão, Deninson Lima, que atua no Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), a partir de agora, o grande desafio será entender como a adoção da tabela oficial do USDA impactará na qualidade dos resultados.
Atualmente, apenas a empresa Uster utiliza a mesma metodologia. Os demais fabricantes de instrumentos que analisam o algodão não expõem a que utilizam. Com a oficialização do padrão, eles precisarão se adaptar para assegurar que seus métodos estejam alinhados ou demonstrar que suas análises mantenham uma correlação equivalente.
Como funciona?
O HVI (High Volume Instrument), que dá nome a essa análise, é o equipamento utilizado para medir as características intrínsecas da fibra do algodão. O resultado é importante tanto para os mercados interno e externo quanto para as empresas têxteis.
O índice de fibras curtas, o comprimento, a uniformidade do comprimento, a resistência e o micronaire são as principais características tecnológicas da fibra de algodão avaliadas para a determinar a qualidade do produto e seu valor econômico no mercado.
Por meio do HVI são analisadas as seguintes características da fibra:
- Resistência (STR)
- Comprimento (UHML)
- Micronaire (Finura da fibra)
- SFI (Índice de fibras curtas)
- Alongamento (ELG)
- Maturidade (MR)
- RD (Refletância/Brilho/grau de cinza)
- +B (Grau de amarelamento)
- Thash Folha (Grau de impureza)
Para identificar essas características da fibra após o beneficiamento, uma amostra de pluma é encaminhada para um laboratório especializado, e um equipamento de alto volume (HVI) realiza a classificação do material.
As análises das características intrínsecas da fibra de algodão são feitas na mais alta tecnologia.