Agenda vegana das Olimpíadas desagradou diversos atletas
Paris-2024 comprometeu-se a reduzir pela metade as emissões da pegada de carbono dos Jogos
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A Olimpíada de Paris chegou ao fim no domingo (dia 11). Os Jogos Olímpicos encantaram pelo ambiente esportivo e por diversas conquistas, mas teve um, porém. A organização recebeu críticas de parte dos atletas por conta da comida.
Paris-2024 comprometeu-se a reduzir pela metade as emissões da pegada de carbono dos Jogos, inclusive na alimentação.
Com isso, decidiu adotar a redução de proteínas animais e apostar na oferta de mais frutas, vegetais e produtos vegetais e a utilização de produtos sazonais e locais para limitar as emissões no transporte de cargas.
Mas a estratégia da organização não caiu no gosto das delegações e do público.
O ex-surfista André Barros, pai do skatista Pedro Barros, que terminou na quarta colocação da prova do skate park detonou a comida oferecida nos Jogos
"Minha decepção foi gigante lá. Literalmente estão obrigando a gente a vivenciar uma agenda direcionada para o lado do veganismo, do vegetariano, tentando eliminar proteína animal das nossas vidas”, afirmou.

Segundo ele, seu filho também encontrou dificuldade quanto a alimentação.
"Eles ofereciam sim carne, mas de péssima qualidade o que obrigava as pessoas a acabaram procurando outro tipo de alimento", disse.
Diante da escassez da proteína animal e incomodados pela qualidade da comida servida pela organização dos Jogos, a maioria da delegação brasileira fazer as refeições na base montada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em Saint-Ouen, a alguns minutos do local em que estavam hospedados.
“Treinei durante anos para chegar nas Olimpíadas e ter comida ruim e dormir mal. Aí não é justo", lamentou o canoísta Isaquias Queiroz, prata no C1 1.000m.
Críticas de todos os lados
Não foi só os brasileiros que criticaram a comida. Na semana passada, o nadador Adam Peaty, de 29 anos, da Grã-Bretanha, em entrevista ao jornal “The I”, Peaty, afirmou que atletas encontraram vermes na comida da organização.
“O serviço não é bom o suficiente para o nível no qual os atletas devem performar. Em Tóquio a comida era incrível. No Rio era incrível. Mas desta vez? Não há opções de proteínas suficientes, há longas filas, temos que esperar 30 minutos por comida. Eu gosto de peixe, e as pessoas estão achando vermes no peixe”, explica.
O nadador ainda reclamou da “narrativa de sustentabilidade” da organização.
“A narrativa da sustentabilidade foi empurrada para os atletas. Eu quero carne, eu preciso de carne para performar, e é isso que eu como em casa. Por que eu deveria mudar?”, questionou.
Há duas semanas, críticas de atletas de diferentes países obrigaram a organização dos Jogos Olímpicos de Paris a comprar, ao menos, mais 700 quilos de ovos e uma tonelada de carne.
As reclamações surgiram depois de o serviço de alimentação da Vila Olímpica racionar os produtos na semana passada durante o café da manhã.
Filas
A promessa de que renomados chefs fariam a comida dos atletas não foi cumprida e atletas ficaram a mercê das refeições de quantidade insuficiente e qualidade duvidosa do restaurante da Vila. O refeitório tem capacidade apenas para cerca de 3 mil pessoas, sendo que foram contabilizados mais de 10 mil pessoas este ano.
Em entrevista ao jornal “The Times”, Andy Anson, chefe-executivo da Associação Olímpica Britânica, chamou as refeições da Vila de “buffet de carne crua”: “Não há o suficiente de certos alimentos: ovos, frango, certos carboidratos, e aí vem a qualidade da comida, com carne crua sendo servida aos atletas”, relatou.
Segundo a consultoria Athenagro, a abordagem utilizada nos Jogos é desequilibrada sobre a questão ambiental. A tese de emissões de carbono dos organizadores ela é equivocada porque ela ignora o total que a pecuária remove de CO² do sistema.
“Desinforma, porque joga ao lado técnicas e tecnologias adotadas pelo setor para aumento da sustentabilidade, como manejo, recuperação e pastagens, adubação, dietas adequadas, que mitigam a emissão de gases e já são usadas pela pecuária”, explica a consultoria especializada.
O Instituto de Promoção da Carne Argentina (Ipcva) também criticou a medida. O Ipcva destacou os atributos da carne como aliada estratégica do esporte, principalmente modalidades de alto rendimento, como fonte de proteína, ferro e de aminoácidos que promovem a manutenção e reparação de tecidos.
Jogos das mulheres
Os Jogos de Paris foram marcados pelo protagonismo feminino da delegação brasileira desde o início, uma vez que as mulheres representaram 55% do Time Brasil, um marco histórico.
Além disso, das 20 medalhas brasileiras nos Jogos Olímpicos Paris 2024, 12 foram femininas, inclusive as três de ouro, com Duda e Ana Patrícia, no vôlei de praia, Rebeca Andrade, no solo da ginástica artística, e Beatriz Souza, no judô.

O Brasil, por sinal, despede-se de Paris com a segunda melhor campanha da história ao conquistar as três medalhas de ouro, sete de prata e 10 de bronze.
O desempenho foi superior ao da Rio 2016 em número total de medalhas (19) e atrás apenas de Tóquio 2020 (21). Além disso, a delegação brasileira se confirmou no top-20 do número de ouros e top-15 no quadro geral de medalhas.
