ONS recomenda volta do horário de verão e governo avalia impactos: conheça os prós e contras

    Retomada da medida tem apoio de 54,9% da população, diz estudo

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    ONS recomenda volta do horário de verão e governo avalia impactos: conheça os prós e contras
    20deSetembrode2024ás11:54

    O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recomendou ao governo federal a volta do horário de verão no Brasil.

    Essa proposta surge em meio a uma preocupação crescente com a eficiência energética e a segurança no fornecimento de eletricidade, especialmente em um contexto marcado por crises hídricas e desafios climáticos.

    A decisão final, no entanto, segundo o governo, ainda está sendo avaliada e deve ser anunciada nos próximos dez dias.

    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a necessidade de fundamentar essa possível mudança em dados científicos e na experiência de gestão do setor elétrico.

    Durante uma reunião na sede do ONS no Rio de Janeiro, ele observou que, apesar da recomendação, a análise deve considerar o equilíbrio entre segurança energética e tarifas justas para a população.

    Silveira afirmou que, nos últimos anos, o Brasil enfrentou períodos de escassez hídrica que exigiram medidas rigorosas de planejamento e gestão. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) tem monitorado o momento.

    "Foram apresentados dados objetivos da crise hídrica que estamos atravessando no Brasil. O Cemaden vem medindo os índices pluviométricos nacionais nos últimos 74 anos, desde 1950. E temos hoje o menor índice de todo esse período", explicou Silveira..

    Prós do Horário de Verão

    • Economia de Energia: Com a mudança, os dias se estendem com mais luz natural, reduzindo a necessidade de iluminação artificial e diminuindo o consumo de energia elétrica durante horários de pico.
    • Impulso ao comércio: O horário de verão pode beneficiar o comércio e o setor de serviços. Com as luzes acesas por mais tempo, há maior oportunidade para atividades comerciais, como compras e refeições em restaurantes. Além d consumo em bares.
    • Segurança e bem-estar: Muitos defendem que a medida aumenta a sensação de segurança nas ruas, permitindo que as pessoas realizem atividades ao ar livre com mais tranquilidade. A luz do dia prolongada é vista como uma forma de reduzir crimes e aumentar a confiança da população.
    • Promoção de atividades físicas: O horário de verão incentiva a prática de esportes e atividades recreativas ao ar livre, contribuindo para um estilo de vida mais saudável e ativo.

    Contras da implementação

    • Dificuldade de adaptação: A mudança de horário pode ser um desafio para muitos, especialmente aqueles com rotinas bem estabelecidas, como crianças em idade escolar e trabalhadores com horários fixos. A adaptação pode causar desconforto e impactar o sono.
    • Impacto no agronegócio: O setor agropecuário pode enfrentar dificuldades com as mudanças no ciclo produtivo. Os horários de plantio e colheita podem ser afetados, gerando complicações para os produtores que dependem de horários específicos para suas atividades, além da possibilidade de afetar a produtividade leiteira.
    • Desigualdade de fusos horários: O Brasil possui uma vasta extensão territorial e fusos horários variados, o que pode complicar a implementação do horário de verão em todo o país. A falta de sincronização pode gerar confusão e desajustes em setores que operam em escala nacional.

    Opinião pública opinou: 54,9% dos entrevistados apoiam

    Um levantamento realizado pelo portal Reclame Aqui e pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que a maioria da população se mostra favorável à volta do horário de verão.

    Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados apoiam a mudança, com maior adesão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Para 43,6% dos participantes, a alteração no horário contribuiria para a economia de energia, enquanto 51,8% acreditam que seria benéfica para o comércio e serviços.

    Além disso, a pesquisa indicou que 35,2% das pessoas se sentem mais seguras durante o horário de verão, especialmente em relação ao horário de saída para o trabalho.

    Para 39,9%, a medida não traz economia e 16,4% disseram que não sabem ou não têm certeza.

    Segundo a pesquisa, a Região Sul é a que apresenta maior parcela da população (47,7%) que acredita que o adiantamento do relógio resulta em economia de recursos. 

    Planejamento futuro

    Embora a ONS tenha indicado benefícios, o ministro Silveira enfatizou que não há um risco energético imediato para 2024, resultado do planejamento e das medidas adotadas pelo governo.

    Ele também ressaltou a necessidade de uma avaliação cuidadosa sobre a adoção do horário de verão, considerando o impacto a longo prazo em 2025 e 2026.

    "Se fosse um indicativo que apontasse diretamente para risco energético, nós não teríamos nenhuma dúvida na adoção do horário de verão. Obviamente, dando prazo necessário ao planejamento dos diversos setores da economia e da sociedade. Mas eu ainda não me convenci da necessidade da medida”, explicou.

    Silveira manifestou que, embora reconheça a economia e a confiabilidade que a medida pode trazer, ainda não está convencido de sua necessidade imediata. "A decisão deve ser baseada em planejamento e ciência, não apenas na pressão de grupos", destacou.

    Silveira apontou o horário de verão como uma medida que contribui para a sustentabilidade energética e citou o Canadá como exemplo de outro país que adota o mecanismo.

    Críticas

    Instituído em 1931 no Brasil, o horário de verão funcionou continuamente de 1985 até 2019, quando o governo passado decidiu revogá-lo, em abril de 2019, alegando pouca efetividade na economia energética.

    "Foi uma imensa irresponsabilidade sem nenhuma base científica. Consequentemente, em 2021, nós estivemos à beira do colapso energético no Brasil. Custou ao povo brasileiro um empréstimo de mais de R$ 5 bilhões para enfrentar a escassez híbrida. Naquela época, aumentou mais de 20% a conta de energia. Vivemos um período de negacionismo no Brasil em todos os sentidos", disse Silveira.

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