Polícias já detiveram quase 300 incendiários no Sudeste e Centro-Oeste

    Nas últimas 24 horas, prisões foram registradas nesses estados

    Polícias já detiveram quase 300 incendiários no Sudeste e Centro-Oeste
    20deSetembrode2024ás16:42

    Após a Polícia Federal deflagrar uma operação contra a crescente onda de incêndios criminosos que assola o país, as forças de segurança estaduais também têm intensificado as investigações e prisões de suspeitos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

    Nas últimas 24 horas, diversas prisões foram registradas nesses estados. Em Mato Grosso, a Polícia Civil prendeu um homem em flagrante após ele atear fogo em uma área de mata próxima a um condomínio residencial.

    No Rio de Janeiro, 34 pessoas foram identificadas como responsáveis por incêndios florestais, sendo que cinco já foram presas.

    Mato Grosso: prisão em flagrante

    A Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema) do Mato Grosso prendeu um homem em flagrante por provocar um incêndio em uma área urbana de Várzea Grande, nas proximidades do condomínio residencial Mirante.

    O incêndio ocorreu na Avenida Chapéu do Sol, e a prisão foi possível após a equipe de investigação identificar o suspeito por meio de um vídeo em que ele aparece admitindo o crime enquanto as chamas se alastram ao fundo.

    Em depoimento, o suspeito alegou que ateou fogo para eliminar o mato alto, que, segundo ele, colocava sua vida em risco ao se deslocar pela área.

    O delegado da Dema, Pablo Carneiro, destacou o perigo representado pelo ato e reforçou que incêndios, tanto em zonas urbanas quanto rurais, configuram crime.

    O homem foi autuado em flagrante pelo crime de incêndio urbano, conforme o Artigo 250 do Código Penal, que prevê pena de três a seis anos de prisão, sem possibilidade de fiança. Ele foi encaminhado à audiência de custódia no Fórum da Capital.

    Na última quarta-feira, a Polícia Militar do Mato Grosso tinha prendido três homens com idades entre 25 e 34 anos suspeitos de provocar um incêndio em uma região de mata, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá. Os detidos não tiveram a identidade revelada.

    Rio de Janeiro: 34 identificados; 5 presos

    A Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Operação Curupira, identificou 34 pessoas envolvidas em incêndios criminosos no estado. Até o momento, cinco foram presas e nove já foram indiciadas. As autoridades aguardam os laudos periciais para concluir o indiciamento dos demais suspeitos.

    A Operação Curupira foi lançada como resposta à série de incêndios que afetaram parques estaduais, causando prejuízos incalculáveis à fauna, flora e ao patrimônio das populações afetadas.

    Segundo Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, os incêndios colocaram em risco não apenas o meio ambiente, mas também a vida humana e propriedades. “O custo para recuperar esses ecossistemas é incalculável”, afirmou Curi.

    Entre as ações de destaque, a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e as delegacias do interior do estado realizaram diligências na Região Serrana, especialmente em Petrópolis e Itaipava, para investigar os focos de incêndio.

    Um adolescente foi identificado como responsável por atear fogo em áreas de vegetação em Pedro do Rio e Secretário. Outro suspeito, um homem de 61 anos, foi preso em Valença após ser flagrado em vídeo incendiando a área de proteção ambiental da Serra da Beleza.

    São Paulo: 25 prisões

    Em São Paulo, a Polícia Civil já prendeu 25 pessoas por provocarem incêndios desde agosto deste ano. A mais recente prisão ocorreu na segunda-feira (dia 16), quando um homem de 57 anos foi detido em flagrante por incendiar uma área de mata em Campos do Jordão, interior do estado.

    A denúncia foi feita por uma testemunha, e o homem foi abordado pela polícia no local do crime.

    Em MG, 216 pessoas foram conduzidas pela PM

    Em Minas Gerais, a atuação das autoridades contra incêndios criminosos já resultou na condução de 216 pessoas por crimes relacionados a incêndios, sendo 76 delas diretamente ligadas a queimadas florestais. O balanço foi apresentado pelo governo do estado durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (20/9).

    Entre janeiro e setembro de 2024, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou 91 pessoas por crimes relacionados a incêndios, um aumento de 13,75% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Segundo o delegado Saulo Castro, porta-voz da PCMG, a dificuldade em identificar os responsáveis por muitos dos crimes se deve ao fato de que grande parte das queimadas ocorre em áreas isoladas, sem câmeras de segurança. Ele ressaltou a importância da colaboração da população em denunciar esses atos.

    Até o dia 18 de setembro, Minas Gerais contabilizou 24.475 incêndios em áreas de vegetação, superando o total de 24.336 ocorrências de todo o ano de 2021, refletindo a gravidade da situação no estado.

    Segundo a Policia Civil, 91 dessas conduções à delegacia resultaram em indiciamentos. Ao todo, somente neste ano, 63 unidades de conservação foram atingidas até o momento, por focos de incendio. São 12.300 hectares de área queimada, sendo mais de 200 ocorrências contabilizadas.

    Também já foram aplicadas mais de 400 multas a pessoas flagradas fazendo uso do fogo de forma indevida.

    Espírito Santo: sete prisões realizadas

    A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) tem coordenado operações para combater esses crimes. Até o momento, sete pessoas foram presas em flagrante por provocarem queimadas no estado entre

    Em Goiás, pelo menos três pessoas foram presas recentemente por provocarem incêndios criminosos em diferentes cidades. As prisões ocorreram em Caldas Novas, Mineiros e Itumbiara. As detenções foram realizadas em flagrante pela Polícia Militar, e todos os envolvidos foram encaminhados às delegacias locais para os procedimentos cabíveis.

    Os crimes foram registrados no início de setembro, durante um período crítico de alta incidência de queimadas no estado.

    PF no Mato Grosso do Sul

    A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na região de Corumbá, Mato Grosso do Sul, visando suspeitos de incêndio, desmatamento e exploração ilegal de terras da União. Os investigados são acusados de atear fogo em áreas da União para a criação de gado, causando danos estimados em mais de R$ 220 milhões.

    Os sete mandados foram direcionados a indivíduos suspeitos de provocar incêndios para exploração econômica das terras. 

    De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos são investigados por ocuparem irregularmente uma área que abrange 6.419,72 hectares. 

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