Faesp solicita ao Governo de SP que rejeite venda da fazenda Santa Elisa: “ameaça ao patrimônio genético do café”

    Entidade argumenta que local tem papel central diante da importância histórica do grão no fortalecimento da economia nacional

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    Faesp solicita ao Governo de SP que rejeite venda da fazenda Santa Elisa: “ameaça ao patrimônio genético do café”
    18deOutubrode2024ás10:56

    Na última terça-feira (dia 15), o Governo do Estado de São Paulo anunciou a intenção de vender uma parte da Fazenda Santa Elisa, que abriga o maior banco de germoplasma de café do Brasil, sob a administração do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). 

    A proposta gerou reações negativas, especialmente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

    Por meio de um ofício, o presidente da Faesp, Tirso de Salles Meirelles, solicitou ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que rejeite a venda. 

    A entidade argumenta que a Fazenda Santa Elisa é essencial para a preservação do material genético do café no país, fundamental para a continuidade das pesquisas e o desenvolvimento de novas variedades.

    “A Fazenda Santa Elisa tem papel central diante da importância histórica do café no fortalecimento da economia nacional, uma vez que “90% das cultivares de café produzidas no Brasil são resultado de pesquisas realizadas nesta unidade do IAC”,  destaca o ofício.

    Meirelles acrescenta que "o café da Colômbia, conhecido mundialmente, é um exemplo do impacto positivo das pesquisas do IAC. O trabalho realizado pelo Instituto é grandioso e deve ser preservado. Temos esperança de que o governador reconsidere essa proposta”.

    Fazenda Santa Elisa

    Ameaça direta

    A Faesp alerta que a venda da área, se concretizada, representaria uma ameaça direta ao patrimônio genético armazenado e às pesquisas em andamento, afetando a sustentabilidade e a competitividade da cafeicultura brasileira. 

    A entidade também ressalta que a transferência das pesquisas para outra localidade seria dispendiosa e demorada, comprometendo os avanços científicos em curso.

    Além disso, o ofício enfatiza a importância de que decisões sobre a venda de bens públicos considerem não apenas aspectos financeiros, mas também os impactos sociais, econômicos e ambientais a longo prazo. 

    A Faesp solicita, portanto, que o governador reconsidere a venda e preserve a unidade de pesquisa do IAC, vital para o desenvolvimento e a sustentabilidade da cafeicultura e da agropecuária brasileira.

    Maior banco genético de cafés do mundo

    É importante destacar que 90% do café produzido no Brasil utiliza variedades desenvolvidas na Fazenda Santa Elisa, uma das mais importantes do mundo em pesquisas sobre a bebida. 

    Recentemente, a Fazenda passou por um processo de mapeamento e desmembramento, que incluiu uma área de 70 mil metros quadrados, conhecida como São José.

    Esse local abriga exemplares únicos de diversas espécies de café, incluindo a população mais antiga de cafeeiros arábica clonados por cultura de tecidos, fruto de mais de duas décadas de estudos sobre viabilidade técnica e longevidade desses clones.

    Criado na década de 1930, o banco de germoplasma do IAC possui cerca de cinco mil acessos, representando plantas de diferentes tipos de café, muitas das quais são raras e ameaçadas de extinção. 

    Este banco é crucial para estudos relacionados à cultura do café, incluindo resistência a pragas e doenças, adaptabilidade climática e desenvolvimento de novas variedades.

    Recentemente, foram desenvolvidas variedades resistentes à ferrugem e ao bicho mineiro, assim como espécies tolerantes à seca e ao calor—características cada vez mais relevantes diante das mudanças climáticas. 

    Entre as pesquisas em andamento, destacam-se os estudos para desenvolver variedades de café arábica sem cafeína, uma inovação que pode atender a consumidores sensíveis a essa substância.

     

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