Confinamento bovino pode alcançar lucro recorde em 2024

    Setembro deve bater melhor resultado desde 2020, com margem de lucro superior a R$ 1.400,00 por cabeça no Sudeste

    Por |
    Confinamento bovino pode alcançar lucro recorde em 2024
    18deOutubrode2024ás14:45

    A lucratividade do confinamento bovino pode atingir níveis recordes em setembro de 2024, superando os resultados dos últimos quatro anos. 

    Segundo uma simulação da Ponta Agro, empresa especializada em gestão de informações na pecuária, a margem de lucro líquido deve ultrapassar R$ 1.400 por cabeça na região Sudeste e R$ 800 no Centro-Oeste. Esses valores consideram apenas a cotação de balcão, podendo ser ainda maiores com bonificações.

    De acordo com a análise, produtores que adquiriram animais de reposição nos últimos meses estão em posição vantajosa, com custo de reposição e nutrição mais baixos e preço elevado da arroba de venda. 

    "Trata-se de um cenário hipotético no qual o produtor comprou os animais há três ou quatro meses, quando os preços estavam em baixa. Agora, com o aumento do valor da arroba, há uma oportunidade significativa de lucro. No curto prazo, o pecuarista pode recuperar o fôlego após ciclos de arroba baixa", afirma Paulo Dias, CEO da Ponta Agro.

    confinamento bovino

    Histórico de lucro

    A série histórica de lucros do confinamento mostra que, na região Sudeste, o lucro líquido foi de:

    • R$ 1.273,34 em 2020; 

    • R$ 670,03 em 2021; 

    • R$ 301,19 em 2022; e 

    • R$ 364,47 em 2023. 

    Já no Centro-Oeste, os valores foram:

    • R$ 1.270,33 em 2020; 

    • R$ 867,17 em 2021;

    • R$ 693,18 em 2022; e 

    • R$ 718,86 em 2023.

    Desafios no médio e longo prazos

    Apesar do momento promissor, Paulo Dias alerta para incertezas nos médio e longo prazos, com possibilidade de aumento nos preços de insumos e animais de reposição. 

    "O mercado está bagunçado, com a arroba subindo, e há uma tendência de aumento nos preços de insumos e animais de reposição", destaca o CEO. 

    Ele também reforça a importância de investir em tecnologias que otimizem a alimentação dos animais, evitando desperdícios e reduzindo a necessidade de comprar insumos em momentos de alta.

    Índice de custo alimentar

    Em setembro de 2024, o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) registrou R$ 13,53 no Centro-Oeste, uma queda de 1,24% em relação a agosto. 

    No Sudeste, o índice subiu 6,94%, chegando a R$ 11,86, interrompendo a tendência de queda observada desde março. 

    Esse aumento é atribuído ao fim dos efeitos da safra e à renovação dos estoques de insumos, agora impactados por condições climáticas desfavoráveis, queimadas e a migração dos animais para o cocho.

    Além disso, a crescente demanda por proteína animal, tanto no mercado interno quanto externo, exerce pressão sobre os custos de alimentação. 

    O ICAP, calculado mensalmente pela Ponta Agro, reflete as variações nos preços dos insumos e commodities relacionados à alimentação animal e o impacto no custo diário por cabeça nos confinamentos bovinos brasileiros.

    Temas nesta notícia