McDonald's: E-coli mata cliente e força rede a fazer recall de cebola
Bactéria causou a morte de um idoso e resultou em infecções em pelo menos 49 pessoas no país
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O McDonald's está enfrentando uma grave crise de saúde pública após o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) identificar um surto de E. coli associado ao famoso sanduíche Quarteirão.
O CDC relatou que a bactéria causou a morte de um idoso e resultou em infecções em pelo menos 49 pessoas no país, sendo que 10 delas precisaram ser hospitalizadas.
Desde o início da semana, o CDC tem alertado sobre a possível ligação entre o lanche e um aumento nos casos de contaminação. Em resposta, várias cadeias de fast food nos Estados Unidos estão retirando cebolas frescas de seus cardápios, uma vez que o vegetal foi identificado como a provável fonte do surto.
Na última quinta-feira (24), o McDonald's informou que a fornecedora das cebolas fatiadas, a Taylor Farms, recolheu diversos lotes de cebolas amarelas provenientes de uma instalação no Colorado.
O recall foi anunciado em um memorando emitido pela distribuidora US Foods. No dia 23, a US Foods também havia alertado seus clientes sobre a necessidade de remover as cebolas de sua unidade no Colorado, após o foco inicial da investigação indicar que o produto estava sendo usado nos sanduíches.
A rede estimou que cerca de 1 milhão de unidades do Quarteirão foram vendidas entre 27 de setembro e 11 de outubro, coincidindo com os registros de contaminação.
Medidas das redes de fast food
Outras grandes redes, como a Restaurant Brands International, controladora do Burger King, e a Yum Brands, operadora das marcas KFC, Pizza Hut e Taco Bell, também decidiram remover cebolas frescas de seus menus.
Um porta-voz do Burger King informou que aproximadamente 5% dos estabelecimentos já haviam feito essa alteração.
O Departamento de Agricultura dos EUA declarou que as cebolas frescas são a provável fonte do surto e está colaborando com parceiros federais e estaduais, assim como as empresas envolvidas, para investigar a origem do problema. A Food and Drug Administration (FDA) confirmou estar realizando uma análise detalhada da Taylor Farms.
“As cebolas amarelas foram vendidas para outros clientes de serviços alimentares, que já foram notificados sobre o recall”, afirmou um porta-voz da FDA à Reuters.
Consequências do surto para o McDonald's
Surto de E. coli já prejudicou vendas de grandes redes de fast food no passado, com consumidores evitando as marcas afetadas por medo de contaminação. Em resposta à crise, o McDonald's suspendeu temporariamente a venda do Quarteirão nos estabelecimentos impactados e parou de utilizar cebolas frescas em outros produtos.
A divulgação do surto pelo CDC impactou diretamente as ações do McDonald's, que caíram cerca de 5% em 23 de outubro, resultando em uma perda de valor de mercado de aproximadamente US$ 14 bilhões, com o valor total da empresa recuando para US$ 214 bilhões.
E.coli: o que é?
A E. coli é uma bactéria que pode causar febre, náusea, vômito e diarreia. Em casos mais graves, pode levar a complicações sérias, incluindo insuficiência renal.
A maioria dos pacientes apresenta cólicas estomacais intensas e diarreia, geralmente com sangue, com sintomas surgindo de três a quatro dias após a exposição à bactéria.
No caso do McDonald's, o surto é causado pelo tipo E. coli O157, conhecido por produzir uma toxina que provoca diarreia perigosa.
Embora a maioria dos pacientes se recupere sem necessidade de tratamento hospitalar em um período de cinco a sete dias, alguns podem desenvolver sérios problemas renais, como a síndrome hemolítico-urêmica, necessitando de internação.
Estima-se que esse tipo de bactéria cause cerca de 744 mil infecções anuais nos Estados Unidos, resultando em aproximadamente 2 mil internações e 61 mortes a cada ano, segundo órgãos de saúde.