Dívida agrícola por sementes de milho leva a ataque com drone e granada em Goiás
Cobrança ligada a insumos rurais escalou para ação criminosa com uso de tecnologia aérea; falhas evitaram tragédia e polícia apura mandantes
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Mais parece uma cena de filme de espionagem, mas aconteceu na vida real, em Itaberaí (região noroeste de Goiás), tendo como alvo um empresário local que acabou no centro de uma investigação sobre tentativa de homicídio com drones carregados de explosivos.
O alvo foi a casa dele e o motivo teria sido uma dívida agrícola de R$ 1,5 milhão.
Segundo a Polícia Civil de Goiás, o caso ocorreu entre os dias 15 e 17 de janeiro, quando dois veículos aéreos não tripulados, equipados com granadas de uso militar (M67), foram enviados em direção à residência da vítima e de sua família.
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Até agora, três pessoas foram presas, segundo reportagem do G1.
Falhas que salvaram vidas
O primeiro drone não conseguiu cumprir sua missão: a granada ficou presa e a aeronave despencou após colidir com uma árvore no quintal da casa.
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Não satisfeitos, os criminosos enviaram um segundo drone com a intenção de resgatar o artefato anterior usando um cabo e uma corda, mas este também caiu sem detonar o explosivo, suspeito de ter sido feito no Paraguai.
O atentado só não se concretizou por conta dessas falhas técnicas, que frustraram o plano dos autores e evitaram a explosão capaz de causar destruição de parte da casa e matar quem estivesse num raio de 15 metros.
Para a polícia, o empresário do setor agrícola tinha feito uma dívida substancial ao comprar sementes de milho, cujo retorno da safra não foi suficiente para quitar o débito.
Com a cobrança se intensificando, as ameaças passaram de mensagens e intimidações para um ataque de requintes cinematográficos, um roteiro improvável que só não teve um desfecho trágico por falhas técnicas ou pela imperícia de quem pilotava o drone.
Operação ‘Cobrança Final’
A Polícia Civil deflagrou a Operação Cobrança Final, cumprindo seis mandados, incluindo três prisões e três ordens de busca e apreensão, em cidades de Mato Grosso, como Primavera do Leste e Canarana.
Os três homens detidos são suspeitos de participação direta na ação criminosa, como membros de um grupo pago para realizar cobranças ostensivas e extorsões a devedores, ação que envolve tentativa de homicídio qualificada e porte dos explosivos.
A polícia agora investiga quem estaria por trás da dívida e se há um mandante maior por trás do atentado, que já entrou para a galeria das histórias policiais mais pitorescas do Centro-Oeste brasileiro.