Biotecnologias quadruplicam produção de soja em 20 anos e isso é só o começo
Avanços genéticos também pouparam milhões de hectares e quase um bilhão de litros de defensivos
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Se a projeção da Conab para a safra 2024/2025 se confirmar, o Brasil terá praticamente quadruplicado a produção de soja em pouco mais de 20 anos, de 41,9 milhões de toneladas em 2001/2002 para 166 milhões na atual temporada.
Não se trata apenas de aumento de área, mas muito por uso de tecnologia que elevou a produtividade em mais de 40% no período, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Com base em análises agrícolas, a Agroconsult atesta que as biotecnologias adicionaram 21,2 milhões de toneladas à produção de soja somente nos últimos 10 anos. Para se ter ideia, o volume equivale à colheita anual do estado do Rio Grande do Sul.
"Esse aumento gerou um impacto econômico de R$ 114 bilhões, alavancando diversos setores e fortalecendo a economia brasileira", afirma André Pessôa, CEO da Agroconsult.
O avanço impulsionado pelas biotecnologias que controlam pragas e são tolerantes a herbicidas e sua rápida adoção no país permitiram revolucionar a agricultura de clima tropical.
Na prática, a genética das sementes promoveu um salto expressivo na produtividade, a otimização do uso de insumos e a redução de custos, resultando em maior rentabilidade e benefícios ambientais.
Para ilustrar a relevância da soja na economia nacional, o Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia produtiva da oleaginosa e do biodiesel está estimado em R$ 422 bilhões em 2024, representando 18% do PIB do agronegócio e 3,9% do PIB nacional, de acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, em parceria com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).
O aumento da produção de soja também trouxe benefícios significativos para a balança comercial.
“Nos últimos 10 anos, exportamos 12,8 milhões de toneladas de soja a mais, o que representa o dobro do volume exportado por Minas Gerais em 2023. Esse resultado gerou um acréscimo de US$ 8,3 bilhões em reservas, cerca de R$ 45 bilhões no câmbio atual”, destaca Pessôa.
Dentro da porteira
Dentro da porteira, os produtores também demonstram confiança nas biotecnologias. De acordo com os cálculos da Agroconsult, o percentual de adoção das biotecnologias Bt passou de 4% na safra de lançamento, em 2013/2014, para acima de 90% em 2023/2024.
Um dos destaques é a terceira geração de biotecnologia de soja da Bayer, a Intacta2 Xtend, que tem permitido aos produtores alcançar produtividades superiores a 100 sacas por hectare.
"O que antes parecia inalcançável, hoje é uma realidade", diz Fernando Prudente, líder de produtos de soja e algodão da divisão agrícola da Bayer.
O relacionamento próximo com agricultores, distribuidores, pesquisadores, produtores de sementes e outros agentes da cadeia produtiva tem sido fundamental para que a Bayer continue desenvolvendo biotecnologias alinhadas aos desafios dos produtores.
Ao cocriar soluções é possível identificar e monitorar de perto os problemas que os afetam, sejam relacionados a pragas, matocompetição ou adversidades climáticas.
"Levamos de 12 a 14 anos para desenvolver uma biotecnologia, o que demanda investimentos contínuos. No entanto, com a colaboração de toda a cadeia do setor, um ambiente favorável à inovação e segurança jurídica, essas soluções geram um efeito imediato e significativo na agricultura brasileira", destaca o executivo da Bayer.
Mais com menos
Além de elevar a produtividade e mitigar os danos, as biotecnologias otimizam o uso de defensivos agrícolas e reduzem a necessidade de expandir áreas de cultivo.
Na última década, os investimentos em sementes no Brasil somaram R$ 68,6 bilhões, compensados por uma economia de R$ 72,3 bilhões em defensivos, segundo a Agroconsult.
“Com a redução de defensivos e o aumento de 21,2 milhões de toneladas na produção de soja, o setor agrícola brasileiro obteve um ganho de R$ 54,8 bilhões em rentabilidade”, destaca Pessôa.
O levantamento da consultoria também aponta a redução no uso de defensivos, com uma economia de 834 milhões de litros nos últimos 10 anos. Ademais, os produtores também diminuíram o consumo de combustível em 183 milhões de litros e o de água em 6,2 bilhões de litros.
Com essas otimizações as emissões de gases de efeito estufa foram significativamente reduzidas, evitando a liberação de 24,8 milhões de toneladas de CO2 e gerando uma economia potencial de aproximadamente R$ 9,2 bilhões em créditos de carbono.
Já de olho no futuro, a Bayer prepara novas biotecnologias para os próximos 10 anos, com foco em uma agricultura mais produtiva, rentável e sustentável.
"Nosso objetivo é antecipar tendências e solucionar problemas, o que só é viável com uma compreensão abrangente das demandas do setor e um diálogo constante com todos os elos da cadeia produtiva", finaliza Prudente, da Bayer.