Embrapa avança no uso de sorgo-biomassa com resultados promissores para geração de energia
Testes industriais de briquetes de sorgo-biomassa tiveram êxito, com fácil processamento e baixo impacto ambiental
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O sorgo-biomassa tem ganhado destaque mundial como uma alternativa sustentável para a geração de energia. No Brasil, embora o potencial para o cultivo dessa planta seja significativo, desafios como a alta umidade e a baixa densidade da biomassa dificultam o transporte e a queima, comprometendo a logística e a automação industrial.
Desde 2014, a Embrapa tem se dedicado a desenvolver soluções para superar essas limitações e contribuir para a transição energética do País.
O sorgo-biomassa é uma variedade cultivada especificamente para produção de biomassa. Com um ciclo de crescimento inferior a 180 dias, esta planta oferece alta produtividade, permitindo colheitas rápidas e eficientes.
Pesquisas recentes indicam que a substituição de até 66% da biomassa florestal por sorgo-biomassa densificado pode manter o poder calorífico equivalente ao da madeira, com teores de cinzas abaixo de 3%.
“Embora seja possível utilizar briquetes de sorgo-biomassa puro, para os primeiros testes na indústria sugerimos uma mistura de 66% de briquete de sorgo com 34% de cavaco. Essa combinação apresentou um poder calorífico equivalente ao da madeira, o que abre novas possibilidades para indústrias que buscam diversificar suas fontes de energia e garantir maior segurança energética”, explica pesquisadora da Embrapa Florestas (PR) Marina Morales.

Os primeiros testes em escala industrial, realizados em outubro deste ano, revelaram bons resultados. A Calmais, empresa parceira da Embrapa, conseguiu densificar o sorgo-biomassa puro em uma briquetadeira industrial.
“Os briquetes estão sendo formados sem fragmentação, o que é um bom sinal de que a matéria-prima tem grande potencial”, afirma pesquisador Flavio Tardin, que assim como Morales, é autor da publicação, “ao caracterizar a biomassa do sorgo.
A Calmais, que já vinha estudando alternativas energéticas há anos, atualmente utiliza irrigação por pivôs para cultivar sorgo-biomassa para fins energéticos.
“Tentamos plantar eucalipto, mas o solo raso não favoreceu o cultivo. O sorgo-biomassa, com sua baixa demanda por água e tolerância ao estresse hídrico, mostrou um grande potencial”, destaca o proprietário da Calmais, Antônio Holanda Neto.
Além disso, a empresa utiliza a biomassa para alimentar fornos de cal, com o objetivo de oferecer um produto mais sustentável, sem depender de combustíveis derivados do petróleo, alinhando-se às práticas ESG (governança social, ambiental e corporativa).
Inovações e parcerias para expansão do uso de sorgo-biomassa
Em parceria com a Embrapa, a empresa pretende testar o uso de sorgo-biomassa associado a outras biomassas residuais, como cascas de coco e de castanha de caju. “A Embrapa irá caracterizar essas biomassas para otimizar o processo de queima, seja em mistura ou isoladamente”, informam Morales e Tardin.
Entre as inovações da Embrapa, está o uso de cultivares de alto desempenho agronômico, como o híbrido BRS 716, que já está disponível no mercado brasileiro.

Estudos realizados pela Embrapa e parcerias com outras unidades da instituição, além do apoio de Fapemat e CNPq, comprovaram as vantagens dessa cultivar, como sua alta produtividade e capacidade de adaptação às diferentes condições climáticas e de solo.
Segundo o pesquisador Flávio Tardin, os estudos com o sorgo-biomassa começaram em 2014, diante de uma possível crise energética em Mato Grosso.
“Observamos que seria difícil convencer os produtores locais a substituir suas lavouras de alto retorno, como soja e milho, por florestas energéticas que levam até seis anos para se desenvolver”, explica.
Segurança energética e sustentabilidade
Com o Brasil sendo um dos maiores consumidores de biomassa para geração de energia, a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis, que emitem grandes quantidades de carbono, é cada vez mais urgente. Nesse cenário, o sorgo-biomassa se apresenta como uma alternativa viável, especialmente em regiões onde o cultivo de espécies florestais enfrenta desafios.
“O sorgo-biomassa oferece uma solução rápida e eficiente para a geração de energia, com a vantagem de seu ciclo de crescimento de menos de 180 dias. Isso pode garantir maior segurança energética no Brasil, especialmente em momentos de escassez de madeira”, observa Tardin.
Apesar das promessas, o sorgo-biomassa ainda enfrenta desafios no Brasil. A pesquisa e o desenvolvimento dessa cultura têm apenas 14 anos, e é essencial continuar investindo em tecnologia e conhecimento para explorar seu pleno potencial. Aponta a Embrapa. A aceitação do mercado e a adaptação das indústrias também são fatores críticos para o sucesso da biomassa.
“Com a crescente demanda por fontes de energia renováveis, o sorgo-biomassa pode ser a chave para um futuro energético mais sustentável. O investimento contínuo em pesquisa será fundamental para consolidar o sorgo-biomassa como uma alternativa eficaz à madeira na geração de energia”, diz o órgão.
A Embrapa está em busca de novos parceiros no setor industrial para ampliar os testes com o sorgo-biomassa. “Já obtivemos bons resultados com as mesclas em laboratório e vamos expandir os estudos para incluir diferentes processos de queima, logística e automação nas indústrias, incluindo o uso de pellets”, afirma Morales.
Com a colaboração de produtores, indústrias e instituições de pesquisa, o Brasil tem a oportunidade de se tornar um líder no uso do sorgo-biomassa, promovendo a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico nas regiões de cultivo.