Ataque indígena no Paraná termina com quatro baleados

    FPA já tinha alertado sobre a tensão no local

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    Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou o aumento de 50% no efetivo da Força Nacional de Segurança Pública no local

    Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou o aumento de 50% no efetivo da Força Nacional de Segurança Pública no local

    06deJaneirode2025ás09:51

    Quatro indígenas do povo Avá-Guarani, da Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá, foram baleados na noite de sexta-feira (3) durante um novo confronto em uma aldeia próxima ao bairro Eletrosul, no município de Guaíra, no oeste do Paraná.

    Entre os feridos estão uma criança e um adolescente. O incidente ocorreu em uma área disputada por fazendeiros e indígenas, próxima à fronteira do Brasil com o Paraguai.

    As vítimas foram atingidas por disparos de pistolas e espingardas, segundo relatos dos indígenas, que afirmam que homens mascarados invadiram a comunidade.

    A região é alvo de uma disputa histórica entre fazendeiros e indígenas. Ações na Justiça discutem quem tem direito às terras.

    A criança sofreu um ferimento na perna, enquanto o adolescente foi baleado nas costas. Outros dois adultos ficaram gravemente feridos: um foi atingido na perna e outro teve o maxilar perfurado.

    Os feridos foram levados ao Hospital Bom Jesus de Toledo, onde a criança e o adolescente já receberam alta. Os dois adultos permanecem internados em estado grave. A Polícia Federal (PF) confirmou a ocorrência e iniciou investigações para identificar os responsáveis pelo ataque.

    Em nota, a PF informou que peritos criminais recolheram provas no local na manhã de sábado (4). Forças de segurança federais, estaduais e municipais foram mobilizadas para evitar novos episódios de violência.

     
     
     
     
     
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    Escalada da Violência

    A comunidade indígena denuncia que este foi o quarto ataque em sete dias. No dia 29 de dezembro, disparos de armas de fogo e incêndios já haviam sido registrados. No último ataque, uma casa foi incendiada, e bombas foram lançadas contra a aldeia, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou um pedido de ajuda urgente, relatando mensagens das lideranças indígenas: “Estamos cercados nesse momento. Está havendo tiros por todos os lados.”

    Além disso, o governo estadual e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já vinham alertando sobre a tensão no local.

    Em outubro do ano passado, governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD) e FPA foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e cobraram resolução urgente para invasões de terras.

    Na ocasião, Ratinho Junior (PSD), o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), e o Procurador do Estado, Luciano Borges, participaram de uma audiência com o ministro Gilmar Mendes para tratar da questão.

    O governador enfatizou a necessidade de uma resolução imediata para as invasões de terras no Oeste do Paraná. A intenção era evitar uma escalada da violência e garantir a segurança de agricultores, indígenas e moradores da região, o que não ocorreu.

    Durante a reunião, Ratinho Junior solicitou que o STF analise uma ação movida pelos partidos PP, PL e Republicanos, que pede autorização para que as polícias Militar e Civil estaduais ajudem nas reintegrações de posse de propriedades privadas. 

    Em agosto, a FPA convocou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, para esclarecer a situação em virtude do que classificaram como "explosões de conflitos" recentes no Brasil. Contudo, o encontro ainda não ocorreu.

    A bancada também cobra o cumprimento da Lei do Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas, aprovada no Congresso Nacional.

    Reforço na Segurança

    Diante do aumento da violência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou o reforço de 50% no efetivo da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) na região. Segundo o ministério, medidas preventivas estão sendo adotadas para evitar a escalada de tensões.

    A Força Nacional já atuava na TI Tekoha Guasu Guavirá desde novembro, quando a Portaria nº 812 autorizou sua presença por 90 dias em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

    Apesar do reforço, entidades indígenas criticam a atuação do efetivo. “A Força Nacional chega sempre atrasada, depois que os indígenas já foram agredidos”, afirmou a Apib em nota conjunta com outras organizações.

    Histórico de Conflitos

    O conflito na região remonta à construção da Hidrelétrica de Itaipu, que resultou na saída dos Avá-Guarani de suas terras ancestrais. Desde então, a comunidade luta pela demarcação da TI Tekoha Guasu Guavirá.

    Em dezembro, o governo federal criou a Sala de Situação para Acompanhamento de Conflitos Fundiários Indígenas. O objetivo é buscar soluções que preservem a segurança e os direitos dos indígenas, enquanto se avalia a situação fundiária da região.

    O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) condenou os atos de violência e reforçou o pedido por investigação imediata. “Estamos em diálogo com o Ministério da Justiça para identificar os responsáveis e proteger a comunidade Avá-Guarani”, declarou.

     Enquanto as tensões persistem, indígenas e moradores da região aguardam medidas concretas para garantir segurança e justiça.

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