Exportadores de café preparam-se para novas exigências de sustentabilidade

    Setor enfrenta momento de transição e prorrogação do EUDR abre mais oportunidades

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    Exportadores de café preparam-se para novas exigências de sustentabilidade
    22deJaneirode2025ás16:16

    As exportações de café brasileiro enfrentam um momento de transição com as novas regras de sustentabilidade impostas pela União Europeia (UE).

    Em 2024, legislações focadas em governança socioambiental ganharam destaque nas discussões globais, impactando diretamente a cadeia produtiva do setor cafeeiro no Brasil.

    Marcos Mota, diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), destacou, em artigo publicado nesta quinta-feira, como os exportadores vêm se organizando para atender às exigências.

    Regras e prazos estendidos

    A União Europeia, que absorve cerca de 50% das exportações de café do Brasil, aprovou regulamentações como o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) e a Diretiva de Devida Diligência em Sustentabilidade Corporativa (CS3D). 

    Esses marcos têm implementação prevista para 2027, mas o EUDR ganhou uma prorrogação para que empresas se adaptem.

    As grandes empresas terão até 30 de dezembro de 2025 para comprovar que seus produtos são livres de desmatamento, enquanto as pequenas empresas têm prazo estendido até 30 de junho de 2026.

    “A extensão do prazo é uma oportunidade para o segmento exportador engajar-se com as autoridades europeias e parceiros importadores, visando esclarecer dúvidas e aprimorar os processos de devida diligência socioambiental”, afirmou Mota.

    Ele também frisou a importância das discussões sobre a classificação de risco dos países exportadores, prevista para o primeiro semestre de 2025.

    “O resultado dessas análises terá influência direta no processo de fiscalização das cargas destinadas ao mercado europeu”, destacou.

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    Impacto na Cadeia Produtiva

    De acordo com o EUDR, países produtores classificados como alto risco terão até 9% de seus produtos fiscalizados pelas autoridades europeias, enquanto os de risco padrão terão uma verificação de apenas 3%.

    Para evitar penalidades e atrasos, o Brasil trabalha na implementação de projetos como o georreferenciamento do parque cafeeiro, com imagens de alta resolução que mapeiam as áreas de produção desde 2020.

    “O projeto garantirá uma classificação justa para as regiões produtoras de café do Brasil, reforçando o nível de baixo risco, essencial para manter a competitividade no mercado europeu”, explicou Mota.

    Educação e Transparência para o Setor

    O Cecafé, em parceria com entidades como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Embrapa, lidera iniciativas para preparar os exportadores.

    Entre elas está a Plataforma EAD do Programa Produtor Informado, que oferece um curso de 80 minutos sobre boas práticas socioambientais e regulamentos como o EUDR e CS3D.

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     Além disso, foi criada uma landing page sobre o EUDR, com perguntas e respostas destinadas a produtores, exportadores e importadores.

    “Essas ações são cruciais para garantir que o setor esteja preparado para atender às novas exigências de sustentabilidade”, pontuou Mota.

    Sustentabilidade

    A Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil, desenvolvida em parceria com a Serasa Experian, é outro pilar estratégico.

    Com a adesão de mais de 50 empresas exportadoras, a ferramenta ajuda a garantir a conformidade dos grãos com os critérios da União Europeia. 

    Segundo o Cecafé, o Brasil exportou 23,6 milhões de sacas de café para a UE em 2024, representando 47% das vendas totais. Para atender a esse volume com excelência, Mota reforça que “as boas práticas socioambientais e as ações desenvolvidas são fundamentais para a liderança do Brasil nos mercados mais exigentes em critérios ESG.”

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