Alta do dólar e inflação: Copom mantém estratégia e sobe juros para 13,25%
Foi a primeira reunião sob o comando de Gabriel Galípolo, nome de confiança de Lula
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Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. (Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, alcançando 13,25% ao ano.
A decisão já era esperada pelo mercado e foi motivada pela alta do dólar, a inflação persistente e incertezas econômicas globais.
Essa foi a primeira reunião sob o comando de Gabriel Galípolo, nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Copom destacou, em comunicado, que as incertezas externas, especialmente nos Estados Unidos, influenciam a política monetária brasileira.
Além disso, alertou para os riscos fiscais no país, que afetam as expectativas do mercado e pressionam os preços dos ativos.
"O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros", afirmou o documento.
O Copom confirmou que deve elevar a Selic em mais 1 ponto percentual na reunião de março, mas não indicou se manterá o ritmo de alta em maio. Segundo o comitê, as decisões futuras dependerão da evolução da inflação e do compromisso com sua convergência à meta estabelecida.
A taxa de juros segue em seu maior patamar desde setembro de 2023, consolidando um ciclo de aperto monetário. Desde que começou a ser elevada em setembro do ano passado, a Selic já subiu quatro vezes consecutivas.

Inflação e impacto da Selic
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em dezembro, o IPCA registrou alta de 0,52%, impulsionado principalmente pelos preços dos alimentos, como carne e frutas.
Com isso, a inflação acumulada em 2024 chegou a 4,83%, superando o teto da meta estabelecida no ano anterior. A nova política de meta contínua, que monitora a inflação mês a mês, determina um intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
No último Relatório de Inflação, divulgado em dezembro, o Banco Central manteve a projeção de que o IPCA fechará 2025 em 4,5%. No entanto, as previsões do mercado são mais pessimistas: segundo o boletim Focus, a inflação deve atingir 5,5% neste ano, acima do teto da meta.
Crédito mais caro e impacto no crescimento
A elevação da Selic encarece o crédito, reduzindo o consumo e desestimulando investimentos, o que ajuda a controlar a inflação. No entanto, taxas mais altas também dificultam o crescimento econômico.
Apesar disso, o Banco Central revisou para cima a projeção do PIB em 2025, estimando alta de 2,1%. O mercado, porém, prevê um crescimento um pouco menor, de 2,06%, conforme a última edição do boletim Focus.
A Selic influencia diretamente os juros cobrados em financiamentos e empréstimos, além de impactar o custo da dívida pública. Com juros elevados, o crédito fica mais restrito, o que pode desacelerar a economia nos próximos meses.