A guerra já começou: China retalia Trump com aumento de tarifas
No Brasil, o governo Lula mantém uma postura cautelosa
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A guerra comercial entre China e Estados Unidos escalou. Após o presidente norte-americano, Donald Trump, cumprir sua promessa de campanha e impor tarifas a seus principais parceiros comerciais — China, Canadá e México — Pequim respondeu com medidas retaliatórias.
Nesta terça-feira (4), o governo chinês anunciou a aplicação de tarifas sobre combustíveis, veículos e máquinas agrícolas dos Estados Unidos, logo após a entrada em vigor da taxa adicional de 10% imposta por Trump aos produtos chineses.
O Ministério das Finanças da China determinou tarifas de 15% sobre carvão e gás natural liquefeito (GNL) dos EUA e de 10% sobre petróleo bruto, equipamentos agrícolas e alguns modelos de automóveis. A decisão, segundo Pequim, é uma resposta ao “aumento unilateral de tarifas” adotado pelos Estados Unidos.
Além disso, a China apresentou uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que a medida norte-americana viola regras internacionais.
Canadá e México negociam, mas China endurece
Diferentemente da China, Canadá e México recuaram após negociações diretas com Trump.
O presidente norte-americano havia imposto tarifas de 25% sobre produtos dos dois países, mas suspendeu a medida por 30 dias em troca do aumento da segurança nas fronteiras para combater o tráfico de fentanil.

Na segunda-feira (3), o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou tarifas retaliatórias contra produtos dos EUA, atingindo setores como bebidas alcoólicas, alimentos, roupas e eletrodomésticos. No entanto, os dois países chegaram a um acordo, e as tarifas foram retiradas.
Já o México prometeu represálias, mas também recuou. A presidente Claudia Sheinbaum criticou a política de Trump, afirmando que "não é impondo tarifas que os problemas se resolvem, mas sim dialogando".
No fim, o México concordou em reforçar sua fronteira norte com 10 mil membros da Guarda Nacional para conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas, enquanto os EUA se comprometeram a dificultar o tráfico de armas para o território mexicano.
China endurece postura e investiga Google
Sem um acordo imediato com Washington, a China adotou novas medidas contra empresas norte-americanas.
O governo de Pequim anunciou a abertura de uma investigação antimonopólio contra o Google, da Alphabet, e incluiu a holding PVH Corp, dona da Calvin Klein, e a empresa de biotecnologia Illumina em uma lista de possíveis sanções.
As tarifas chinesas contra os Estados Unidos entrarão em vigor em 10 de fevereiro, prazo no qual os dois países ainda podem chegar a um entendimento.
Brasil monitora cenário, mas alerta para possível impacto
No Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma postura cautelosa. O Planalto avalia os desdobramentos da guerra comercial antes de tomar qualquer medida concreta.
Lula, no entanto, deixou claro que, se Trump decidir taxar produtos brasileiros, haverá reciprocidade. "Se ele taxar, taxamos também. Simples", afirmou.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), alertou que o Brasil pode ser afetado pelas tarifas norte-americanas.
"Acho que vai ter [tarifa], é natural que tenha. Nada imprevisível (...) O protecionismo é uma característica do mercado americano, já tivemos problemas com algodão, camarão e suco de laranja", disse ao Globo Rural.
Lupion também destacou que o Brasil deve acompanhar os desdobramentos da disputa entre EUA e China, já que o país asiático é o maior parceiro comercial brasileiro. Possíveis retaliações chinesas podem afetar diretamente as exportações nacionais.
Próximos passos
Enquanto os embates comerciais se intensificam, o cenário global segue incerto. O governo dos Estados Unidos mantém a ameaça de novas tarifas caso a China não contenha o fluxo de fentanil para o território norte-americano.
"A China, esperançosamente, vai parar de nos enviar fentanil, e se não o fizerem, as tarifas vão aumentar substancialmente", alertou Trump.
Pequim, por sua vez, classificou o fentanil como um problema interno dos EUA e garantiu que contestará as medidas na OMC, mantendo aberta a possibilidade de negociação.
Nos próximos dias, o mercado deve reagir aos impactos da escalada tarifária entre as duas maiores economias