Ainda no azul, gigantes ADM e Bunge divulgam queda pela metade do lucro em 2024
"Novo normal" do agro segue fazendo vítimas entre empresas de todos os tamanhos

As gigantes estadunidenses ADM (Archer Daniels Midland) e Bunge amargaram redução pela metade de seus lucros líquidos em 2024.
Os resultados são sintomáticos para a agropecuária no mundo, e também no Brasil, em um ano de quebras, prejuízos e ranger de dentes.
Contudo, o passado não ficou para trás. A ADM, por exemplo, anunciou que deverá ter cortes expressivos de pessoal.
Outras multinacionais, como a FMC, John Deere e AGCO, entre outras, tiveram medidas semelhantes nos últimos meses.
Um dos motivos é o contraste entre o cenário de 2022 e o atual de “novo normal”.
Se o início da Guerra entre Rússia e Ucrânia e os resquícios da pandemia de Covid-19 valorizaram as commodities, safras e estoques globais crescentes empurram elas para baixo.
Resultados da ADM
A ADM teve um lucro líquido de US$ 1,8 bilhão ou 46,6% menos na comparação com os US$ 3,5 bilhões em 2023.
Em termos de faturamento, a queda foi bem menor, mas ainda expressiva 9% menor, com US$ 85,5 bilhões.
O presidente do conselho e CEO da ADM, Juan Luciano, revelou algumas consequências e estratégias para 2025.
“Com condições de mercado mais brandas e incerteza política em todo o mundo em 2025, estamos focados em melhorar nosso desempenho operacional, acelerar a economia de custos e simplificar nosso portfólio”, escreveu em nota do balanço financeiro.
Isso significa cortes de custos entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões e de até 700 funcionários globalmente nos próximos três anos.
Resultados da Bunge
Já a Bunge Global também reportou redução pela metade no lucro líquido em 2024 para US$ 1,137 bilhão. Por ora, a diferença é não haver informação sobre cortes como a concorrente.
A companhia afirmou na divulgação do balanço financeiro que os preços da soja, milho e trigo atingiram as mínimas de quatro anos em 2024 e reduziram a margem das operações.
O desempenho foi impactado principalmente pela redução na lucratividade do processamento de grãos, especialmente na América do Norte e na América do Sul.
