Entenda por que o preço do café vai continuar subindo

    Aumento no valor é observado desde novembro do ano passado

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    Com a produtividade afetada, os custos de produção aumentaram significativamente (Foto: Wenderson Araújo/Trilux)

    Com a produtividade afetada, os custos de produção aumentaram significativamente (Foto: Wenderson Araújo/Trilux)

    06deFevereirode2025ás10:50

    Os amantes de café devem se preparar para preços mais altos nas próximas semanas.

    De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o valor do grão deve continuar subindo até o início da colheita da safra deste ano, prevista para abril ou maio.

    O principal fator por trás da escalada dos preços são os eventos climáticos extremos, que afetam diretamente a produção do grão.

    Além disso, o aumento do consumo global e a entrada da China como novo mercado consumidor contribuem para a pressão sobre os preços.

    Segundo a Abic, a alta deve persistir por mais dois a três meses. Após esse período, espera-se uma estabilização nos preços, mas uma queda significativa só deverá ocorrer a partir da safra do próximo ano.

    Oscilações na produção

    O Brasil, responsável por cerca de 40% da produção mundial de café, tem enfrentado desafios climáticos consecutivos. Em 2020, o país registrou uma safra recorde, mas desde então, a produção sofreu com geadas severas em 2021, que afetaram quase 20% da safra de arábica, e com a dificuldade de recuperação em 2022.

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    Em 2023, o fenômeno El Niño provocou longos períodos de estiagem e altas temperaturas, enquanto o La Niña, no ano passado, trouxe chuvas excessivas, prejudicando ainda mais as lavouras. 

    “Isso é muito ruim para a lavoura. Esse acúmulo de quatro anos de problemas climáticos, somado ao crescimento da demanda global, explica a escalada dos preços do café”, afirmou o presidente da Abic, Pavel Cardoso. Ele destacou que a safra de 2024 deverá ser ligeiramente menor que a do ano anterior.

    Impacto nos custos e repasse ao consumidor

    Com a produtividade afetada, os custos de produção aumentaram significativamente. A Abic informou que a indústria registrou um aumento de mais de 200% nos custos, repassando cerca de 38% desse valor ao consumidor final.

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    Essa combinação de fatores também influenciou o preço da commodity nas bolsas internacionais. Na Bolsa de Nova York, os contratos de café arábica atingiram patamares históricos, chegando a US$ 3,97 por libra-peso.

    “O recorde atual, próximo de US$ 4 por libra-peso, reflete a escassez de oferta e a entrada de fundos de investimento, o que potencializa ainda mais os preços. É uma entrada forte de fundos que gera um número histórico, mas que é potencialmente importante para a reflexão de todo o setor. Esse momento é ganho para todos? É uma situação que cabe a todos nós refletir”, destacou Cardoso.

    “Essa escalada vai parar em algum momento, mas ainda não sabemos quando”, completou.

    Projeções para o futuro

    A expectativa do setor é que a safra deste ano ajude a estabilizar os preços. Para 2026, há uma previsão otimista de que a produção possa superar o recorde de 2020, o que ampliaria a oferta e poderia reduzir os preços.

    “Esperamos alguma estabilidade após a colheita deste ano. Para 2026, a expectativa é de uma grande safra, possivelmente superior à de 2020, quando tivemos safra recorde”, afirmou Cardoso.

    Enquanto isso, o consumidor deve continuar sentindo o impacto no bolso, já que a indústria ainda precisa repassar parte dos custos acumulados.

    “Com relação ao consumidor, teremos algum aumento adicional, afinal, tivemos aumentos superiores a 180% para a indústria, que absorveu esse aumento e repassou parte disso para os mercados, chegando a 37% para os consumidores. Então, parte desse aumento será transferido para os varejistas e, consequentemente, aos consumidores”, explicou.

    Dados do setor

    O consumo de café no Brasil cresceu 1,11% entre novembro de 2023 e outubro de 2024, em comparação com o ano anterior.

    O país, além de ser o maior produtor e exportador mundial, é o segundo maior consumidor, com 21,916 milhões de sacas consumidas em 2024.

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    O faturamento da indústria de café torrado no mercado interno foi de R$ 36,82 bilhões no ano passado, um aumento de 60,85% em relação a 2023, impulsionado pelo aumento dos preços nas prateleiras. No mercado externo, o faturamento foi de R$ 134 milhões.

    Os cafés especiais tiveram um aumento de 9,80% em 2024, enquanto os cafés gourmet subiram 16,17%.

    Os cafés superiores e tradicionais registraram altas de 34,38% e 39,36%, respectivamente. O café em cápsulas também teve aumento de 2,07%.

    Nos últimos quatro anos, o custo da matéria-prima subiu 224%, enquanto o preço do café no varejo aumentou 110%. Em 2024, a variação do preço do café torrado e moído foi de 37,4%, superando a média de aumento da cesta básica, que foi de 2,7%.

     

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