Operação apreende “café fake”, investiga fraudes e alerta para riscos à saúde
Fiscalização do Mapa mira estabelecimentos suspeitos em São Paulo, Paraná e Santa Catarina
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A alta no preço do café tem impulsionado a venda de produtos que imitam a bebida, mas contêm impurezas disfarçadas por torras escuras.
Esse tipo de produto, conhecido como “café fake”, já foi encontrado em prateleiras de São Paulo e da região Sul do Brasil, sendo comercializado sem o devido registro e com ingredientes de origem duvidosa.
Na última semana, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) denunciou a prática ao Ministério da Agricultura e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cobrando fiscalização rigorosa.
Em resposta, o ministério nesta semana intensificou as ações e inspecionou estabelecimentos suspeitos nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
As análises preliminares identificaram a presença de cascas, grãos defeituosos e aromatizantes em amostras coletadas, o que compromete a qualidade e pode representar riscos à saúde.
Como medida preventiva, os lotes suspeitos foram apreendidos para análises laboratoriais mais detalhadas.

Fraude ou alternativa legal?
Além da apreensão dos produtos, o Ministério da Agricultura também investiga se todos os itens rotulados como “pó sabor café” se enquadram como fraude ou se podem ser classificados legalmente como “preparados sólidos” ou “misturas para preparo de alimentos”.
De acordo com Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), os produtos apreendidos ainda estão em análise, e apenas após os resultados laboratoriais será possível determinar se se trata de uma fraude.
As empresas envolvidas alegam que informam na embalagem que se trata de um "pó sabor café" e que possuem autorização da vigilância sanitária para comercialização.
Preocupação com o aumento do ‘café fake’
A Abic demonstrou preocupação com a proliferação desses produtos, impulsionada pela alta no preço do café no mercado internacional.
A entidade alerta que consumidores, em busca de alternativas mais baratas, acabam adquirindo itens adulterados ou de baixa qualidade.
Para combater essa prática, a Abic criou um canal online para denúncias de produtos suspeitos e reforçou o programa “Gôndola Certificada”, que visa garantir que os cafés comercializados atendam aos padrões de pureza e qualidade.
A iniciativa conta com apoio da vigilância sanitária, Procon e Polícia Civil e busca ampliar sua atuação para outros estados.
O Ministério da Agricultura alerta que o preço pode ser um indicativo de fraude: produtos muito abaixo do valor de mercado podem conter adulterações.
A recomendação é que os consumidores verifiquem rótulos, busquem selos de qualidade e desconfiem de preços excessivamente baixos.
Danos à indústria e risco ao consumidor
Além de enganar o consumidor, o “café fake” prejudica a indústria cafeeira nacional, que sofre com concorrência desleal e danos à reputação do café brasileiro.
O governo e entidades do setor seguem monitorando o mercado e incentivam a população a denunciar irregularidades.
Empresas clandestinas tentam burlar a legislação ao registrar esses produtos sob categorias genéricas, como “pó para preparo de bebida tipo café”. No entanto, esses itens não são reconhecidos como café e sua comercialização pode ser ilegal.
Como evitar a fraude?
Para garantir a compra de um café puro e seguro, a Abic orienta os consumidores a verificarem a procedência do produto e darem preferência a itens com selo de pureza e qualidade. Além disso, algumas dicas podem ajudar na escolha:
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Preço: Pacotes de 500g de café puro costumam custar cerca de R$ 30. Se o valor for muito abaixo disso, desconfie.
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Prefira café em grãos: Moer na hora preserva o sabor e evita impurezas.
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Evite torras muito escuras: Isso pode mascarar impurezas e comprometer o sabor.
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Verifique a embalagem: Selos de qualidade, QR Code para rastreamento e informações claras sobre a origem do produto são indícios de confiabilidade.