Olho por olho: China anuncia tarifas de 34% contra produtos americanos

    Queda acentuada nos preços da soja e do algodão expõe impactos imediatos da guerra comercial

    Por |
    Olho por olho: China anuncia tarifas de 34% contra produtos americanos
    04deAbrilde2025ás09:55

    A China anunciou, nesta sexta-feira (4), tarifas adicionais de 34% sobre todos os produtos dos Estados Unidos, em resposta direta ao pacote tarifário global implementado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

    A medida entra em vigor no próximo dia 10 e amplia as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

    A reação de Pequim veio após o Ministério do Comércio chinês exigir formalmente a suspensão imediata das tarifas americanas.

    Em nota oficial, o governo chinês declarou que as medidas têm como objetivo “salvaguardar a segurança e os interesses nacionais”, destacando ainda o cumprimento de obrigações internacionais.

    Além das tarifas, a China determinou restrições à exportação de terras raras médias e pesadas para os EUA — incluindo elementos como samário, gadolínio, térbio, disprósio e escândio, estratégicos para a indústria de alta tecnologia.

    Também foram suspensas as importações de frango de duas empresas norte-americanas, após a detecção de substâncias proibidas, segundo a Administração Geral das Alfândegas da China.

    Pequim adicionou ainda 11 empresas norte-americanas à sua lista de entidades "não confiáveis", que agora estão proibidas de atuar com importações, exportações e investimentos no território chinês.

    Com as novas tarifas, os produtos chineses exportados aos EUA podem ultrapassar 60% de tributação, considerando os 34% anunciados por Trump somados às tarifas anteriores já em vigor.

    Soja despenca

    A resposta da China ao tarifaço de Donald Trump provocou uma queda acentuada nos mercados de commodities agrícolas nesta sexta-feira (4).

    Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam em forte baixa e, pela primeira vez em semanas, romperam o piso dos US$ 10,00 por bushel.

    soja111

    Por volta das 8h30 (horário de Brasília), os principais contratos registravam perdas entre 26 e 27,75 pontos, com o vencimento de maio cotado a US$ 9,84, o de agosto a US$ 9,98 e o de setembro também a US$ 9,84 por bushel.

    A movimentação do mercado foi imediata após o anúncio de Pequim de que imporá tarifas de 34% sobre produtos norte-americanos a partir de 10 de abril. A medida, interpretada como uma retaliação direta ao pacote de tarifas implementado pelos EUA, acentuou a pressão sobre os preços da oleaginosa.

    Além da soja, os derivados também sentiram o impacto. O óleo de soja recuava mais de 3%, enquanto o milho e o trigo também operavam no vermelho. Em Nova York, o reflexo atingiu as soft commodities, com destaque para o algodão, que caía quase 5% no início da manhã.

    O mercado monitora com atenção os próximos desdobramentos da escalada comercial entre as duas potências e seus possíveis efeitos sobre o fluxo global de grãos e alimentos. Analistas já projetam uma reconfiguração nas origens das compras globais de soja, com a América do Sul ganhando espaço diante da perda de competitividade dos Estados Unidos.

    Algodão

    Os preços do algodão aprofundaram as perdas na manhã desta sexta-feira (4) na Bolsa de Nova York, pressionados pela escalada da guerra comercial entre China e Estados Unidos. O movimento amplia as baixas já registradas na sessão anterior, em meio à deterioração do ambiente global de comércio. 

    Por volta das 9h (horário de Brasília), o contrato maio era negociado a 61,54 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o vencimento outubro marcava 65,54 centavos/lb, ambos com quedas superiores a 4%.

    Com os investidores em alerta, o algodão segue a trajetória negativa observada também em outras commodities agrícolas e softs, incluindo soja, milho, trigo e óleo de soja, que também registram perdas expressivas nesta manhã.

    Tarifaço pode impulsionar acordo entre Mercosul e União Europeia, diz ApexBrasil

    O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, avaliou que o tarifaço dos EUA pode acelerar a validação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

    exportacaoBrasil

    Em coletiva nesta quinta-feira (3), ele destacou que o cenário de tensão global pode abrir caminhos para a diversificação dos parceiros comerciais brasileiros.

    “Já vimos manifestações de líderes europeus indicando que vão acelerar a validação do acordo Mercosul-União Europeia”, afirmou.

    Segundo Viana, apesar da tarifa de 10% imposta aos produtos brasileiros ser menor do que as aplicadas à Europa (20%) e à Ásia (30%), o impacto ainda assim será negativo.

    “Não vejo vantagem nenhuma num cenário em que o mundo piora suas relações comerciais. Um mundo em conflito é ruim para todos, inclusive o Brasil”, alertou.

    O presidente da agência ressaltou que o momento é de incerteza e que o Brasil pode até atrair mais investimentos, mas o ambiente global tende a se tornar mais instável e desfavorável ao comércio.

    Temas nesta notícia