“Brasil é o mercado externo mais importante para nós atualmente”, diz porta-voz da DJI
Empresa já opera cerca de 200 mil drones no país com crescimento de 3000% desde 2019

Com um crescimento acumulado de 3.000% em apenas cinco anos no Brasil, a DJI Agriculture vê o país como seu principal mercado fora da China.
A empresa, que lidera globalmente a fabricação de drones agrícolas, aposta na expansão da tecnologia aérea como ferramenta essencial para a automação total das lavouras.
A meta, segundo a companhia, é livrar o produtor da dependência da mão de obra intensiva, por meio de operações cada vez mais inteligentes e automatizadas.
Em entrevista exclusiva ao Agrofy News, o supervisor de comunicação sênior da DJI, Bi Shi (que prefere ser chamado Leon), afirmou que o Brasil já superou mercados como México, Argentina e Japão em relevância para a companhia.
Até mesmo os Estados Unidos, antes o maior mercado externo, perdeu em relevância devido a regulamentações restritivas e a guerra tarifária.
A projeção é de que a demanda continue a crescer à medida que novos modelos, mais potentes e com maior autonomia, sejam lançados.
O T100, o maior drone da marca até o momento, já opera na China e deve chegar ao Brasil em breve.

Apesar dos avanços, Leon reconhece os desafios técnicos citados pelos produtores, como o tempo limitado de voo e a necessidade de recargas frequentes.
Segundo ele, essas limitações estão sendo superadas com o desenvolvimento de equipamentos mais robustos, como o T50, e com o avanço das baterias e sistemas de carregamento.
A DJI também está em diálogo com o governo brasileiro para ajustar as regulamentações locais.
Um dos próximos marcos será a viabilização legal do uso de “enxames de drones” — operações coordenadas por um único operador controlando várias aeronaves ao mesmo tempo.
Essa prática já está em uso na China, mas ainda depende de normativas específicas para ser mais difundidas no Brasil.
Com cerca de 200 mil drones agrícolas já em operação no país e um crescente número de pilotos treinados, a DJI acredita que o produtor rural brasileiro está cada vez mais receptivo à adoção da tecnologia.
Para os mais céticos, a empresa sugere agendar uma demonstração prática com revendedores locais.
A seguir, a entrevista completa com Leon na Agrishow 2025:
Agrofy News – Leon, me diga qual é a importância do mercado brasileiro para os planos da DJI Agriculture.
Leon – Na verdade, o mercado brasileiro é o mais importante mercado externo para a DJI Agriculture neste momento.
Desde o primeiro ano em que começamos a importar nossos produtos para cá — acredito que foi em 2019 — até o final do ano passado, o crescimento foi de 3.000%.
Agrofy News – Três mil por cento?
Leon – Sim, 3.000% em cinco ou seis anos.
Agrofy News – Uau. Então mais que dobrou a cada ano?
Leon – Isso mesmo. Dobrou quase todo ano.
Agrofy News – E o foco principal de vocês aqui é o agronegócio brasileiro ou há outras áreas também?
Leon – Atualmente, os produtos da DJI Agriculture já estão presentes em mais de 100 países e regiões no mundo todo.
E agora, Brasil, México e Argentina, na América Latina, são mercados muito importantes, assim como Japão, Coreia, Tailândia e Vietnã.
Esses são os mercados mais relevantes para nós no momento, mas o Brasil é o número um.
Agrofy News – Quando falamos de tecnologia de drones, é claro que ela é muito útil para a agricultura de precisão e para mapeamento. Mas muitos produtores dizem que há limitações importantes, como tempo de voo e dificuldade para recarregar baterias. O que você tem a dizer sobre essas fragilidades dos drones?
Leon – Entendo. A tecnologia está em constante desenvolvimento. Se olharmos para o primeiro drone que chegou ao Brasil — talvez o MG1 ou até o T10 — a capacidade era bem pequena.
Mas agora temos o T50 e, em breve, lançaremos um drone ainda maior.
Ou seja, os produtos estão evoluindo, e acreditamos que atenderão cada vez mais às demandas dos agricultores brasileiros.
Agrofy News – Atualmente, qual é o maior drone da DJI?
Leon – Hoje, globalmente, o maior drone é o T100. Ele foi lançado apenas na China por enquanto.
Agrofy News – E quando esse drone chega ao Brasil?
Leon – Ainda não posso afirmar com certeza, pois ele ainda está em processo de planejamento, mas acredito que será em breve. Em pouco tempo.
Agrofy News – E o que você acha sobre o conceito de “enxame de drones” — vários drones conectados realizando o mesmo trabalho ao mesmo tempo?
Leon – Ah, sim, isso já está acontecendo na China. Mas no Brasil, por causa das regulações e leis, ainda estamos trabalhando nisso.

Agrofy News – E vocês estão em conversas com o governo brasileiro e entidades para desenvolver novas regras?
Leon – Sim.
Agrofy News – E qual é o principal pedido de vocês ao governo brasileiro em termos de regulamentação?
Leon – Na verdade, acabamos de lançar um relatório interno da indústria ontem. Nele mostramos como a regulamentação está evoluindo em diferentes países.
No Brasil, estamos realmente empenhados em apoiar a tecnologia e o desenvolvimento.
Sobre os detalhes do que pedimos ao governo, eu não tenho informações específicas — isso envolve regulamentações complexas. Mas a legislação brasileira está avançando.
Eu vejo duas tendências: a primeira é que o governo está apoiando a tecnologia.
E a segunda é que quer que esse mercado seja mais padronizado — com mais regras, mais regulamentação técnica, tanto para os pilotos quanto para os produtos.
Ou seja, a indústria está evoluindo de forma saudável.
Agrofy News – Outro tema: a DJI tem planos de fabricar drones no Brasil?
Leon – No momento, não tenho esse tipo de informação. Não posso responder.
Agrofy News – Sem problemas. Então, o que você diria para um produtor que ainda tem dúvidas sobre usar drones?
Leon – Bom, hoje temos cerca de 200 mil drones voando no Brasil. Estamos treinando mais pilotos a cada ano.
E os drones já estão sendo usados em culturas como soja, arroz, cana-de-açúcar, pastagens e café. Todas as culturas importantes já foram atendidas por drones da DJI no Brasil.
Se o produtor quiser tirar dúvidas sobre os resultados, ele pode entrar em contato com nossos distribuidores locais.
Eles terão prazer em fazer uma demonstração em campo e mostrar os resultados com base nos estudos de caso já realizados no país.
Agrofy News – Última pergunta: qual você acha que será o próximo passo para a tecnologia de drones daqui a 10 ou 20 anos?
Leon – Na verdade, não se trata só de drones, mas de tecnologia aérea como um todo.
A ideia é liberar o produtor da dependência de mão de obra pesada.
Talvez um drone faça uma varredura e detecte problemas no campo.
E então, outro drone — já totalmente automatizado — entre em ação e resolva tudo sozinho.
Esse é o futuro ideal: autonomia total para o manejo agrícola.
