Produtores ficam surpreendidos com supersafra de milho
Presidente da Abrasem atribui resultado ao uso de sementes certificadas e recuperação de áreas degradadas

Presidente executivo da Abrasem, Ronaldo Troncha, também comentou a expectativa do setor com o novo Plano Safra. (Foto - Fabio Manzini/Agrofy News)
O setor de grãos foi surpreendido por uma super safra em 2025, mesmo diante de desafios climáticos e estruturais.
A avaliação é do presidente executivo da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Ronaldo Troncha, que atribui o desempenho à crescente adoção de sementes certificadas, avanço tecnológico e recuperação de áreas degradadas.
“Essa grande expansão se deve à recuperação de pastagens degradadas, sem necessidade de aumento do desmatamento. O produtor entendeu que investir em sementes certificadas e tecnologia de ponta dá retorno direto em produtividade”, afirmou Troncha ao Agrofy News durante o 3º Congresso da Abramilho, realizado em Brasília.
.“O Brasil ainda tem uma grande possibilidade de crescer em cima dessas áreas degradadas. Com isso, podemos aumentar muito a nossa produção sem abrir novas fronteiras agrícolas.”
Mesmo com o avanço da produção, Troncha destaca que o agricultor segue cumprindo seu papel na preservação ambiental.
“A sociedade cobra sustentabilidade, mas não enxerga que o produtor preserva no mínimo 20% de sua propriedade. Ele faz isso sem receber nada em troca. Pelo contrário, ele paga por isso. Isso é uma entrega à sociedade que precisa ser reconhecida.”
Segundo ele, a maior produtividade no campo tem vindo do uso eficiente das áreas já abertas.
“Estamos entregando uma produtividade cada vez maior sem necessidade de desmatamento. Quando ocorre, é dentro da legalidade. E há uma aposta clara na recuperação de áreas degradadas.”
Tecnologia e semente certificada viram regra no campo
O presidente executivo da Abrasem ressaltou que o agricultor brasileiro tem apostado cada vez mais em tecnologia embarcada e no uso de cultivares desenvolvidos por empresas de pesquisa.
“Hoje, o produtor entende que a semente certificada garante produtividade muito superior à semente salva. E investir em tecnologia virou o melhor negócio no campo.”
Segundo ele, essa adoção tecnológica é ainda mais crucial diante das oscilações climáticas.
“Com essas questões climáticas cada vez mais frequentes, precisamos de sementes resistentes, principalmente a períodos secos em algumas regiões e a infestações de pragas como lagartas.”
Resiliência climática e produção recorde
A expectativa da Abrasem é que o Brasil feche o ano com mais de 330 milhões de toneladas produzidas, somando cereais, leguminosas e oleaginosas. Parte desse avanço está ligado à resiliência genética das sementes.
“As sementes brasileiras têm demonstrado resiliência. As pesquisas têm evoluído e os cultivares estão cada vez mais resistentes. Essas mudanças climáticas não são novas, são cíclicas. Quem é da roça, como eu, de quinta geração, já viu grandes secas e grandes chuvas. O que precisamos é de estrutura para enfrentar isso.”
Plano Safra e seguro rural: expectativa com cautela
Troncha também comentou a expectativa do setor com o novo Plano Safra, que deve ser anunciado até junho.
“Temos grande expectativa, mas também preocupação com o que vem sendo divulgado. Ainda não quero adiantar nada nem fazer críticas, mas esperamos o melhor resultado possível para o produtor.”
Ele defendeu mais recursos para custeio, seguro rural e juros mais acessíveis. “Precisamos de mais incentivo à produção, aumento de recursos para custeio, uma legislação mais clara e custo menor no seguro rural. Isso é o que garante a segurança do homem do campo.”
O dirigente reforçou ainda a necessidade de um fundo de catástrofe climática.
“O governo precisa injetar recursos nesse fundo. O que vimos no Rio Grande do Sul não pode se repetir. Já enfrentamos situações parecidas em outras regiões. O setor precisa estar preparado para amparar o produtor na hora em que ele mais precisa.”
Piratas no campo: prejuízo bilionário e ação conjunta
O combate à pirataria de sementes é outro tema que preocupa a Abrasem. Segundo Troncha, o setor vem atuando em parceria com Braskem, Croplife, Ministério da Justiça e Ministério da Agricultura para combater as sementes ilegais.
“Estamos trabalhando intensamente na modernização da Lei de Proteção de Cultivares para garantir mais segurança ao produtor. Lançamos, junto com a Braskem e a Croplife, uma campanha de combate à pirataria de sementes ilegais, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, das polícias civis dos estados e das agências estaduais de defesa agropecuária.”
Uma reunião está prevista para 10 de junho, em Belém (PA), com a participação de órgãos reguladores e de fiscalização.
“A pirataria de sementes traz um prejuízo enorme ao setor e precisamos estar unidos — setor público e privado — para barrar essa ilegalidade”, concluiu.
