Safra de laranja 2025/26 recua e previsão cai para 294,81 milhões de caixas

    Fundecitrus aponta queda de 3,9% frente à projeção de setembro, com impacto da seca e do avanço do greening no cinturão citrícola

    Por |
    A região de Porto Ferreira foi a única a registrar volume pluviométrico acima da média histórica

    A região de Porto Ferreira foi a única a registrar volume pluviométrico acima da média histórica

    10deDezembrode2025ás16:32

    A produção de laranjas no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais na safra 2025/26 deve alcançar 294,81 milhões de caixas de 40,8 quilos, de acordo com a segunda reestimativa divulgada pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) nesta quarta-feira (10/12).

    O novo volume representa uma redução de 3,9% em relação à primeira reestimativa, divulgada em 10 de setembro, que apontava produção de 306,74 milhões de caixas, e uma queda de 6,3% frente à estimativa inicial, divulgada em 10 de maio, de 314,60 milhões de caixas.

    As duas principais razões para a redução da safra são a diminuição do tamanho dos frutos, em função da escassez de chuva, e a elevação da projeção da taxa de queda, de 22% para 23%, devido ao aumento da severidade do greening, ao ritmo da colheita e às condições climáticas.

    ✅ CLIQUE AQUI PARA SEGUIR O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP

    Clima

    Segundo dados da Climatempo Meteorologia, a precipitação média acumulada no cinturão citrícola entre maio e novembro de 2025 foi de 392 milímetros, volume 20% inferior à média histórica (1991-2020), de 489 milímetros.

     safra-laranja-2025-26-sp-mg-fundecitrus

    A região de Porto Ferreira foi a única a registrar volume pluviométrico acima da média histórica, com alta de 2%. Já no Triângulo Mineiro, o déficit foi de 47%, enquanto em Bebedouro a redução chegou a 40% em relação à média histórica.

    Até a divulgação da primeira reestimativa, em setembro, o ritmo de colheita indicava que uma parcela significativa da safra da variedade Pera seria colhida após a chegada das chuvas mais intensas da primavera.

    No entanto, a precipitação média de setembro no cinturão citrícola foi de apenas 20 milímetros, volume 70% abaixo da média histórica.

    As chuvas de outubro só se intensificaram a partir da segunda quinzena, prolongando o período de estiagem e afetando negativamente o desenvolvimento dos frutos colhidos nesse intervalo.

    Com isso, considerando a média de todas as variedades, os frutos devem ser colhidos com 4 gramas a menos do que o peso projetado em setembro.

    O número médio de laranjas necessárias para completar uma caixa de 40,8 kg sobe de 258 frutos (158 g por fruto) para 265 frutos (154 g por fruto).

    Para as variedades Hamlin, Westin e Rubi, além do grupo das outras precoces, o número de frutos por caixa se mantém estável, em 305 frutos por caixa (134 g por fruto) e 272 frutos por caixa (150 g por fruto), respectivamente.

    A variedade Pera, que estava projetada em 261 frutos por caixa (156 g por fruto), passa a 267 frutos por caixa (153 g por fruto).

    A quantidade de laranjas por caixa das variedades Valência e Folha Murcha aumenta de 235 frutos (174 g por fruto) para 248 frutos (165 g por fruto).

    A variedade Natal foi revisada de 242 frutos por caixa (169 g por fruto) para 248 frutos por caixa (165 g por fruto).

    Queda de frutos

    A severidade média do greening no cinturão citrícola, que avançou de 19% em 2024 para 22,7% em 2025, reduzindo em cerca de 35% o potencial produtivo do parque, é a principal explicação para a elevação da projeção da taxa de queda, de 22% para 23%. 

    Também contribuem para esse aumento o ritmo da colheita e o clima. Para que atingissem a maturidade ideal, os frutos permaneceram mais tempo nas árvores.

    Além disso, ventos fortes atípicos em setembro, com rajadas entre 50 e 90 km/h, somados ao déficit hídrico, elevaram ainda mais a queda de frutos. 

    O diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, afirma que a combinação entre clima desfavorável e avanço da severidade do greening impacta diretamente a produtividade.

    “A taxa de crescimento da doença vem caindo, mas a severidade média está aumentando. Hoje, 26,5% das laranjeiras com greening apresentam sintomas em mais de 75% da copa. Quando esse alastramento do greening pelas copas das árvores se junta ao déficit hídrico, a taxa de queda de frutos tende a aumentar”, analisa Ayres.

    Temas nesta notícia