Financiamento via CPRs dispara 53,9% e supera Plano Safra pela primeira vez na história
Dados preliminares do Mapa mostram retração de 14,5% no crédito oficial, com queda de R$ 56,6 bilhões em 11 meses

Pela primeira vez desde que foi criado, o Plano Safra está sendo superado pelo crédito privado via CPRs em volume de recursos contratados, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A emissão das Cédulas de Produto Rural (CPR) atingiu R$ 331,4 bilhões entre julho de 2024 e abril de 2025 (10 meses), superando os R$ 330,93 bilhões liberados via linhas oficiais de crédito do Plano Safra até maio (11 meses) — um mês antes do encerramento oficial do ciclo 2024/2025.
O desempenho marca uma inversão do protagonismo na origem dos recursos que irrigam o agronegócio nacional, mesmo com um mês a menos na contagem.
Enquanto o volume via CPRs cresceu 53,9% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, o total contratado via Plano Safra apresenta queda de R$ 56,6 bilhões, ou cerca de 14,5%, frente ao mesmo recorte da safra 2023/2024.
A diferença, segundo o Ministério da Agricultura, está concentrada principalmente nos grandes produtores, que reduziram sua participação nas linhas oficiais.
Na prática, a retração reflete um cenário de juros elevados e maior burocracia nas linhas públicas, especialmente para grandes produtores e cooperativas, que estão migrando cada vez mais para alternativas privadas, como CPRs vinculadas ao mercado de capitais ou operações com bancos privados.
Financiamento privado
A ascensão das CPRs evidencia essa migração para o financiamento privado.
Do total emitido no ciclo atual, R$ 150,5 bilhões foram direcionados a instituições financeiras e R$ 180,9 bilhões ao mercado de capitais.
Tais instrumentos oferecem maior agilidade, flexibilidade contratual e, muitas vezes, custo financeiro mais competitivo, especialmente para operações em dólar ou atreladas a indicadores de mercado.
Entre as fontes de recursos do Plano Safra que se destacaram, estão a Poupança Rural Controlada (alta de 24%), os recursos equalizados do BNDES (13%) e os Recursos Livres Equalizáveis, que saltaram impressionantes 181%. Já entre as linhas com taxas livres, a Poupança Rural Livre teve aumento de 113%.
Apesar dos avanços em algumas modalidades, ainda há saldo disponível em linhas com equalização de juros: 29% nos programas de investimento agropecuário e 14% nos recursos para custeio e comercialização.
Ou seja, parte do orçamento oficial ainda não foi comprometido, o que reforça a percepção de desaceleração no uso desses instrumentos.
Médios
A mudança de perfil, no entanto, não é homogênea. O Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), por exemplo, segue crescendo em número de contratos e volume desembolsado. Em maio, foram R$ 53,48 bilhões liberados por meio de 202.137 contratos.
Nas operações de custeio e investimento, os valores chegaram a R$ 47 bilhões e R$ 6,48 bilhões, respectivamente.
No total, considerando médios e demais produtores, o volume contratado até maio somou R$ 273,84 bilhões, um aumento de R$ 27 bilhões em relação ao mês anterior.
Essa performance compreende R$ 155,07 bilhões em custeio, R$ 56,97 bilhões em investimento e R$ 70,90 bilhões em comercialização e industrialização.
Esse montante representa 68% da programação total da safra atual e 82% do desembolsado na safra passada, quando foram contratados R$ 332,50 bilhões.
