CNA faz alerta: crédito rural pode ficar mais caro na próxima safra

    Entidades do agro cobram medidas urgentes para ampliar o crédito, garantir previsibilidade e fortalecer a gestão de riscos

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    CNA faz alerta: crédito rural pode ficar mais caro na próxima safra
    29deMaiode2025ás16:56

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que o crédito rural poderá se tornar mais caro na próxima safra, pressionado pelo atual cenário econômico, com alta da inflação, aumento das incertezas fiscais e crescimento do endividamento público. 

    O alerta foi feito pelo assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, em audiência pública no Senado Federal , ao destacar a preocupação dos produtores com as taxas de juros para financiar a produção no ciclo 2025/2026.

    “Com a alta da inflação e o aumento das incertezas fiscais e do endividamento público, chegamos, agora em maio, a uma taxa Selic de 14,75% ao ano. E isso tem trazido grande preocupações aos produtores, no acesso ao crédito privado e principalmente no crédito subvencionado”, afirmou.

    Segundo Rios, o orçamento das Operações Oficiais de Crédito (OOC) para custeio e investimento em 2025 é de R$ 14 bilhões. Apesar de superior ao volume do ano anterior, ele ainda é considerado insuficiente para atender à demanda total do setor.

    “Com base nos dados do projeto Campo Futuro, estimamos que o agronegócio brasileiro necessite anualmente de cerca de R$ 1,2 trilhão em recursos”, disse.

    Atualmente, a composição do financiamento agropecuário é formada por fontes privadas (42%), recursos próprios dos produtores (25%) e o Plano Safra (33%).

    CNA_Plano Safra

    Durante a audiência, o assessor da CNA apresentou também um panorama do último Plano Agrícola e Pecuário. Dos R$ 475 bilhões anunciados para a safra 2024/2025, apenas R$ 304 bilhões foram efetivamente contratados — o que representa 64% do total.

    Entre os fatores que dificultaram a contratação estão excesso de burocracia, rigor bancário, falta de ferramentas de seguro rural e subvenção insuficiente.

    “Mesmo com as dificuldades, os produtores buscaram crédito. O aumento nos custos de produção, impulsionado pela valorização do dólar, elevou a necessidade de financiamento para o custeio”, explicou.

    Seguro rural e Proagro em xeque

    Guilherme Rios também criticou o enfraquecimento dos mecanismos de gestão de risco no campo. Segundo ele, o Proagro custou 4,5 vezes mais do que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2024, mas cobriu apenas 56% da área prevista.

     “É preciso modernizar o Proagro e otimizar o orçamento público, garantindo maior eficiência”, defendeu.

    A CNA apresentou dez propostas prioritárias para o Plano Agrícola e Pecuário 2025/2026, construídas com apoio de produtores, federações e sindicatos rurais.

    O documento foi entregue ao Ministério da Agricultura no fim de abril e solicita R$ 594 bilhões em recursos financiáveis, além de R$ 4 bilhões para o PSR. O valor representa um aumento de quase 25% em relação à atual safra.

    Entraves ambientais preocupam o setor

    O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja), Maurício Buffon, criticou as barreiras ambientais que dificultam o acesso ao crédito.

     “O governo cria linhas de financiamento, mas impõe restrições que inviabilizam sua aplicação. Não adianta dar com uma mão e tirar com a outra”, afirmou.

    Buffon também cobrou mais recursos com juros equalizados e alertou para a baixa capacidade de armazenagem nas propriedades.

     “Hoje, apenas 40% do necessário está instalado. A maior parte dos armazéns está nas mãos de cooperativas ou grandes empresas, o que dificulta o escoamento da produção”, disse.

    Cooperativas defendem previsibilidade e segurança

    João José Prieto Flávio, coordenador do Ramo Agropecuário da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), destacou a necessidade de políticas agrícolas mais consistentes.

    Para ele, o foco deve estar em três eixos estruturantes: fontes de recursos; limites e taxas aplicadas nas linhas de crédito; e qualidade na formulação das políticas públicas.

    “É preciso garantir taxas de juros minimamente adequadas, fortalecer o Proagro e criar uma política de seguro rural eficiente, que ofereça previsibilidade aos cooperados”, pontuou.

     

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