AgroGalaxy tira marca das fachadas para driblar dois problemas
Em recuperação judicial, companhia volta a usar bandeiras regionais para recuperar confiança e vendas no campo

A AgroGalaxy decidiu sumir das fachadas. Em recuperação judicial e pressionada por prejuízos bilionários, a empresa anunciou nesta semana que suas operações de varejo voltarão a usar marcas regionais.
São algumas das mesmas - Agro100, AgroCat e Rural Brasil — que o grupo havia comprado para formar o poderoso conglomerado revendas.
Com nomes tradicionais em nove estados onde a companhia atua, o movimento é uma tentativa de enfrentar dois problemas de uma vez: a quebra de confiança de produtores rurais e a queda nas vendas após meses de incerteza.
Com a mudança, a marca “AgroGalaxy” será mantida apenas no nível institucional e para fins legais, inclusive nas negociações com credores. Já os pontos de venda passarão a operar como subsidiárias com identidade própria.
Assim, a empresa espera retomar a imagem construída ao longo de décadas nas regiões de atuação — entre elas, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Pará, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
“A AgroGalaxy passa a ter um papel corporativo como gestora destas marcas”, afirmou a companhia em comunicado. A exceção fica por conta da linha própria de produtos, Sementes Campeã, que continua com o selo do grupo.
O uso de marcas regionais, aliás, já foi uma estratégia comum antes da consolidação sob o nome AgroGalaxy. A companhia, que cresceu por meio de aquisições desde 2016, unificou as bandeiras a partir de 2021, com o objetivo de criar uma marca nacional forte. Agora, dá um passo atrás — na tentativa de dar dois adiante.
Mais um capítulo
A decisão ocorre em meio ao processo de recuperação judicial iniciado em setembro de 2024 e homologado em maio deste ano pela 19ª Vara Cível e Ambiental de Goiânia.
Desde então, a companhia vem tentando reorganizar dívidas e reconquistar espaço em um mercado que exige confiança — especialmente no agronegócio, onde o relacionamento com o produtor é determinante.
No primeiro trimestre de 2025, os sinais ainda são de forte turbulência. A empresa registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 153 milhões, o que ainda assim representa uma melhora de 38,8% frente aos R$ 250 milhões negativos do mesmo período do ano anterior.
Apesar do avanço, o desempenho operacional segue no vermelho: o Ebitda ajustado foi de R$ 58,8 milhões negativos, embora tenha melhorado R$ 11,2 milhões na comparação anual.
Mas o dado que mais chocante é a receita líquida: um tombo de 78,6% em um ano, de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre de 2024 para apenas R$ 341,2 milhões em 2025 — o menor patamar desde a abertura de capital, em 2021.
O número evidencia a perda de fôlego nas vendas, em parte provocada pelo enfraquecimento da marca AgroGalaxy junto ao cliente final.
