CNH prepara “Fiagro das Máquinas” na faixa de centenas de milhões, diz Miotto
Empresa quer ampliar alternativas de financiamento e facilitar o acesso do produtor às tecnologias mais avançadas

A CNH Industrial, controladora das marcas Case IH e New Holland, está estruturando, junto a parceiros de peso do mercado financeiro, um Fiagro das Máquinas na casa das centenas de milhões de reais.
A revelação foi feita por Rafael Miotto, presidente da CNH Industrial na América do Sul, em entrevista exclusiva ao Agrofy News Brasil durante o World Agri-Tech Innovation Summit, realizado nesta semana em São Paulo.
A proposta, segundo o executivo, deve ganhar as primeiras operações até meados de 2026 e está inspirada em lançamentos recentes como o fundo de investimento do agronegócio (Fiagro) estruturado pelo estado do Paraná.
“Não posso cravar um número e nem os nomes dos parceiros ainda. Estados com o Paraná estão fazendo e falam em R$ 500 milhões. A nossa ambição não está longe disso. Estamos desenvolvendo com os melhores e posso garantir que vamos ter soluções alternativas operando nos próximos 12 meses”, afirmou.
Segundo Miotto, o objetivo é ampliar ainda mais as possibilidades de financiamento além do tradicional crédito público.
“Consórcios cresceram muito. Financiamento em dólar e euro também. Mas os Fiagros ganham tração porque permitem captação estruturada, com lastro e flexibilidade, inclusive para máquinas”, disse.
A ideia é que o Fiagro possa atender tanto grandes grupos quanto produtores familiares, facilitando a renovação de frotas e a adoção de tecnologias de ponta.
“Hoje, os avanços tecnológicos que temos em equipamentos já são capazes de compensar até mesmo o impacto de juros mais altos, porque a produtividade sobe demais”, argumenta Miotto.
Salto tecnológico
Ele cita como exemplo o maior pacote de lançamentos da história recente das duas marcas CNH IH e New Holland apresentado há poucas semanas.
“Fizemos uma renovação completa nas colheitadeiras, todas agora com automação, inclusive em segmentos que não tinham esse tipo de solução antes”, contou.
Outro destaque foi o ecossistema de pulverização inteligente, único no mercado, segundo o executivo.
“Integramos pulverizadores de nova geração, drones para aerolevantamento e checagem, planejamento via software. Foi um sucesso na Agrishow. O produtor viu valor real nisso”, comentou.
O executivo afirma que, embora o cenário de juros ainda seja desafiador, o retorno que as novas tecnologias entregam está mais rápido e maior.
“Colheitadeiras com automação rendem até 15% a mais. Plantadeiras economizam insumos. Um trator com cabine e ar-condicionado pode aumentar a produtividade em 20% no caso da agricultura familiar”, garantiu.
Para Miotto, lançar um pacote robusto de inovações em ano de crédito mais apertado não foi um erro de timing, mas uma decisão estratégica.
“Desenvolver uma máquina leva de dois a cinco anos. Você não pode parar porque o ciclo virou. E lançar na baixa tem um lado positivo: dá tempo de treinar, ajustar, garantir ainda mais suporte.”
A aposta tem se mostrado acertada, segundo ele. “Mesmo com o mercado retraído, estamos ganhando participação porque oferecemos diferenciais concretos. E isso prepara melhor nosso ecossistema — concessionárias, estoque, suporte — para quando o mercado acelerar.”
Tensão pré-Plano Safra
A expectativa pelo anúncio do Plano Safra 2025/2026 existe na CNH, mas sem o receio de alguns players do agro como uma Tensão Pré-Plano Safra (TPPS). A companhia acompanha com atenção e tranquilidade o assunto.
“A expectativa existe, mas é mais contida. O setor está um pouco conformado com a limitação fiscal. Estamos esperando algo parecido com o ano passado”, disse Miotto.
Ele lembra, no entanto, que para os pequenos produtores, ferramentas subsidiadas como o Pronaf continuam sendo relevantes, segundo ele.
“Temos um mix. As soluções precisam ser adaptáveis ao perfil de cada cliente. Por isso é tão importante ter instrumentos como consórcio, crédito em moeda forte e, agora, os Fiagros.”
No encerramento da entrevista, o executivo reforça que tecnologia no campo só faz sentido se for acessível.
“O agricultor quer inovação, sim — mas precisa ser simples, intuitiva e colaborativa. Ninguém vai resolver isso sozinho. O futuro será construído a várias mãos”, finalizou.
