"Temos condicionantes muito fortes para o Plano Safra", diz Guilherme Campos
Secretário de Política Agrícola aguarda números aprovados pelo Tesouro Nacional na próxima semana

O Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa) deve receber do Tesouro Nacional os números finais sobre o montante total do Plano Safra 2025/2026, os recursos destinados à equalização de juros e taxas na próxima semana.
“Teremos os números na semana que vem e tudo começa”, adianta o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos, em entrevista ao Agrofy News na manhã de hoje (dia 18).
A partir desses dados, o ministério começará a estruturar o programa que irá nortear o financiamento agrícola na safra 2025/2026.
Contudo, as expectativas podem ser medidas pelas palavras do secretário: “temos condicionantes muito fortes, apesar de a demanda das entidades do setor não ser absurda”.
As principais entidades do setor — especialmente CNA e FPA — apresentaram uma proposta robusta, beirando os R$ 600 bilhões, com R$ 25 bilhões para equalização de juros e R$ 5,99 bilhões de seguro rural via Proagro.
Campos, no entanto, pondera que há limitações relevantes, como a taxa Selic elevada, o orçamento apertado e os impactos do programa de renegociação de dívidas rurais no Rio Grande do Sul.
Plano Safra recorde?
Por outro lado, ele diz que o Mapa trabalha para garantir um Plano Safra recorde.
“O Plano Safra anterior é o nosso piso. Nosso objetivo é, no mínimo, garantir aquele patamar. E, dentro dos limites fiscais, buscar crescer. Fora disso, é especulação”, comenta.
Apesar do cenário desafiador, Campos reforça que há alinhamento dentro do governo. Segundo ele, o próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, compreende a relevância do agro para a economia.
“Independentemente de guerra no Oriente Médio, conflito comercial ou choques nas commodities, o Plano Safra vai sair forte. O agronegócio é uma vocação do nosso país e precisa ser bem cuidado”, diz.
A taxa básica de juros, a Selic, é o principal entrave. “No ano passado, operávamos com juros de 10,5% ao ano. Hoje, estamos falando de 14,75%. Isso pesa no financiamento.”
Outro fator que pressiona o orçamento vem do Rio Grande do Sul. O programa de renegociação de dívidas dos produtores gaúchos tem impacto direto sobre os recursos do Plano Safra, uma vez que compromete parte das garantias e das folhas de pagamento exigidas pelo Tesouro.
Instrumentos de financiamento mais recentes, como FIDC, LCAs, CPRs e Fiagro, não entraram na mesa até agora. “Nossa prioridade é assegurar primeiro a consolidação do crédito tradicional antes de abrir discussões sobre novos mecanismos”, pontua.
Seguro rural
O seguro rural, segundo Campos, ficou para um segundo momento nas discussões preliminares. O pedido inicial do setor visa R$ 5,99 bilhões, cerca de 1% do total demandado para o Plano Safra 2025/2026.
Ainda assim, tanto o secretário como o ministro Carlos Fávaro defendem que ter seguro seja uma condição obrigatória para acessar linhas de crédito, como forma de proteger a política agrícola contra riscos climáticos e de mercado.
