Minerva recorre ao Cade contra fusão de BRF e Marfrig e aponta risco de concentração no setor

    Empresa critica aprovação sumária da operação e alerta para risco de alinhamento estratégico entre concorrentes

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    Minerva recorre ao Cade contra fusão de BRF e Marfrig e aponta risco de concentração no setor
    27deJunhode2025ás10:50

    A fusão entre Marfrig e BRF ganhou um novo capítulo. A Minerva Foods recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pedindo a reavaliação do negócio aprovado em rito sumário e reforçando sua oposição à operação.

    A manifestação foi apresentada na noite desta quinta-feira (26) e reforça a oposição da companhia à operação que visa a criação da MBRF Global Foods, grupo com receita estimada em mais de R$ 150 bilhões por ano. 

    A Minerva argumenta, em parecer técnico encaminhado à autoridade antitruste,  que a incorporação ignora efeitos significativos sobre a concorrência, especialmente no mercado de alimentos processados, como hambúrgueres, almôndegas e quibes.

    A empresa aponta para uma possível concentração excessiva, que pode impactar também o canal foodservice — segmento de fornecimento para redes de restaurantes e fast food — por meio de contratos de exclusividade e restrição ao acesso de concorrentes a canais estratégicos. 

    Riscos da atuação cruzada

    Mais do que a concentração de mercado, a Minerva mira um ponto sensível: a atuação cruzada da Salic (Saudi Agricultural and Livestock Investment Company), fundo soberano da Arábia Saudita.

    A Salic detém 24,5% da própria Minerva e passará a ter participação também na Marfrig após a fusão. 

    Segundo a empresa, esse cenário representa risco de “coordenação branda”, termo usado no direito concorrencial para descrever uma possível convergência de estratégias entre empresas que deveriam competir entre si.

    O argumento alerta para a redução de incentivos à rivalidade e o compartilhamento indevido de informações estratégicas por conselheiros comuns. 

    A tese da Minerva se apoia em discussões internacionais sobre o fenômeno do common ownership (propriedade cruzada), quando investidores relevantes têm participação em empresas concorrentes.

    De acordo com o InvestNews, o parecer técnico entregue ao Cade reforça que a estrutura societária proposta compromete a competição efetiva no setor de carnes. 

    Críticas ao rito sumário

    A Minerva também contesta o fato de a Superintendência-Geral do Cade ter aprovado a operação por rito sumário — procedimento reservado a transações de baixo impacto concorrencial.

    A empresa afirma que, dada a complexidade do caso e os riscos apontados, a operação deveria passar por análise aprofundada.

    Outro ponto destacado no recurso é a alegação da Marfrig de que já detinha o controle unitário da BRF antes da operação. A Minerva rebate, afirmando que, até então, a Marfrig não tinha poderes para exercer controle isolado, o que muda substancialmente com a incorporação total. 

    A companhia também relembra que o próprio Cade impôs restrições à Minerva em 2014, quando a empresa adquiriu ativos da BRF. “O mesmo Cade que impôs remédios estruturais à Minerva em 2014, hoje ignora os riscos quando BRF e Marfrig se fundem”, aponta um trecho do recurso. 

    Próximos passos

    No último dia 12, a Minerva foi aceita como terceira interessada no processo. Com o recurso apresentado, a tendência é que o desfecho da fusão entre Marfrig e BRF se arraste ao longo de 2025. A própria Marfrig, controladora da BRF, já havia condicionado a conclusão da operação ao aval definitivo do Cade. 

    A assembleia de acionistas, que deveria ocorrer em 18 de junho, foi adiada após questionamentos da gestora Latache e está agora marcada para 14 de julho.

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