CropLife critica exclusão do setor na construção do Programa de Redução de Agrotóxicos e cobra diálogo técnico

    Entidade criticou a ausência de convite à indústria e aos produtores rurais para participar da elaboração do Pronara

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    CropLife critica exclusão do setor na construção do Programa de Redução de Agrotóxicos e cobra diálogo técnico
    03deJulhode2025ás09:32

    A CropLife Brasil, entidade que representa os setores de defensivos químicos, bioinsumos, sementes melhoradas e biotecnologia, manifestou surpresa com a forma como foi instituído o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), anunciado pelo governo federal na segunda-feira (30), durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026.

    Segundo o programa, a meta é promover a “redução gradual e contínua do uso de agrotóxicos” no país.

    Para a CropLife, a proposta foi elaborada sem qualquer diálogo com os principais agentes do setor. A entidade criticou a exclusão da indústria e dos produtores rurais — usuários finais das tecnologias agrícolas — do processo de construção do Pronara.

    “Esses atores têm conhecimento técnico e experiência para contribuir com políticas públicas mais equilibradas, alinhadas às práticas de manejo responsável já adotadas no país”, afirmou a entidade, em nota.

     De acordo com a CropLife, o setor já demonstra compromisso com boas práticas agrícolas há anos, seguindo padrões internacionais de segurança alimentar e ambiental.

    Essas práticas, segundo a nota, não apenas visam reduzir riscos, mas também buscam otimizar o uso de insumos e preservar recursos naturais.

    Um dos exemplos citados é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que combina defensivos químicos, agentes biológicos e sementes melhoradas como forma de obter sinergia entre métodos, respeitando a realidade de cada propriedade.

    “Ao combinar defensivos químicos, agentes biológicos e variedades melhoradas, busca-se sinergia entre métodos, potencializando resultados e reforçando o papel do agricultor como principal tomador de decisão. É a partir da experiência e escolha que se define a melhor estratégia para cada realidade produtiva”, reforça a nota.

    Inovação, regulação e segurança

    A CropLife também destacou que as novas moléculas aprovadas nos últimos anos apresentam maior seletividade, perfis toxicológicos mais seguros e demandam menores doses.

    Para a entidade, uma maior agilidade no processo regulatório poderia acelerar a disponibilidade dessas soluções, aumentando a competitividade da agricultura brasileira por meio de tecnologias seguras e eficientes.

    A nota lembra ainda que o Brasil já adota uma das legislações mais rigorosas do mundo no que diz respeito aos defensivos agrícolas. A aprovação de produtos exige avaliação de risco por órgãos como a Anvisa e o Ibama, garantindo a segurança e eficácia das soluções.

    Riscos à produtividade e à segurança alimentar

    Na avaliação da entidade, políticas públicas que limitem o acesso a tecnologias essenciais, sem rigor técnico e científico, podem gerar efeitos colaterais graves. Entre os principais riscos apontados estão a queda na produtividade, o desestímulo a investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a redução da oferta de alimentos em qualidade e quantidade adequadas à população. 

    “É fundamental que qualquer política voltada ao uso de defensivos agrícolas seja baseada em critérios científicos, tecnológicos e regulatórios robustos, assegurando o equilíbrio entre produtividade, inovação e sustentabilidade”, reforçou a entidade.

    CropLife se coloca à disposição para diálogo

    A CropLife Brasil finalizou o posicionamento reafirmando o compromisso com a inovação e com o uso seguro e regulado de agroquímicos. Segundo a nota, o setor está aberto ao diálogo com o governo para construir soluções que unam segurança, eficiência e sustentabilidade no campo.

    “Os esforços do governo e do setor devem convergir no combate a irregularidades e, principalmente, na educação, incentivo e promoção ao uso correto, seguro e regulado dos agroquímicos”, diz o texto.

    A entidade e suas associadas reforçaram ainda que seguem investindo em pesquisa e desenvolvimento para tornar a produção agropecuária brasileira mais produtiva, sustentável e reconhecida internacionalmente.

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