Setor de alimentos puxa queda nos preços ao produtor em maio, aponta IBGE

    Commodities como soja e cana em safra, somadas à queda do dólar, ajudam a explicar a retração

    Por |
    Setor de alimentos puxa queda nos preços ao produtor em maio, aponta IBGE
    04deJulhode2025ás14:10

    O Índice de Preços ao Produtor (IPP) da indústria nacional registrou queda de 1,29% em maio de 2025 frente a abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Essa foi a quarta variação negativa consecutiva após uma sequência de 12 altas seguidas entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025.

    De acordo com o IBGE, trata-se da maior retração mensal do IPP em 2025 até o momento, além de ser a mais intensa desde junho de 2023, quando o índice recuou 2,72%. No acumulado de 2025, o IPP apresenta queda de 1,97%, a segunda maior retração para os cinco primeiros meses do ano em toda a série histórica da pesquisa — atrás apenas de maio de 2023 (-3,84%).

    Em 12 meses, o índice ainda acumula alta de 5,78%.

    O recuo generalizado nos preços atingiu 17 das 24 atividades industriais analisadas. Entre elas, o setor de alimentos foi o principal responsável pelo resultado de maio, exercendo a maior influência negativa no índice.

    No segmento de alimentos, a variação negativa foi de -1,33%, revertendo o único avanço do ano, registrado em abril (1,52%). Com isso, o acumulado no ano chegou a -2,81%.

    Apesar da queda em maio, os preços do setor ainda estão 10,99% acima dos registrados em maio de 2024, o que representa a menor alta anual desde outubro do mesmo ano (10,81%), segundo o IBGE. 

    Safra e câmbio pressionam alimentos

    O gerente do IPP, Murilo Alvim, explica que o desempenho do setor de alimentos foi impactado principalmente pela safra de cana-de-açúcar e soja, que ampliou a oferta desses produtos e pressionou os preços. Além disso, houve influência da valorização do real frente ao dólar, que caiu 2% em maio.

    “Com redução dos custos pelo menor valor da cana, os preços dos açúcares caíram, em especial o açúcar VHP, que é um produto exportável e foi impactado pela queda do dólar, fazendo com que o grupo de fabricação e refino de açúcar tivesse uma queda de 4,68% no mês”, detalha Alvim.

    cana

    Outros grupos que puxaram a queda nos alimentos

    Os derivados da soja também apresentaram retração expressiva. O grupo de fabricação de óleos e gorduras vegetais registrou variação de -3,05%, refletindo a queda nos preços desses produtos.

    Também contribuíram para o recuo os grupos de laticínios (-1,50%) e de fabricação e refino de açúcar (-4,68%), todos com desempenho abaixo da média do setor de alimentos.

    Entre os quatro produtos que mais influenciaram o resultado do setor no mês, apenas um — os sucos concentrados de laranja — teve aumento de preços, impulsionado pela alta da demanda externa, conforme o IBGE.

    Os demais (açúcar VHP e dois derivados da soja) acompanharam o movimento de queda, alinhados ao período de safra e ao câmbio mais favorável.

    Alimentos lideram influência no IPP

    O setor de alimentos foi o de maior peso no IPP de maio em todas as frentes de análise:

    • Contribuiu com -0,34 ponto percentual na variação mensal de -1,29%

    • Com -0,72 p.p. no acumulado do ano (-1,97%)

    • E com 2,67 p.p. no acumulado em 12 meses (5,78%)

    Outros setores industriais: petróleo e químicos também recuam

    O setor de refino de petróleo e biocombustíveis teve a segunda maior influência negativa no IPP de maio, com variação de -2,77% e impacto de -0,28 p.p. no índice geral. Essa foi a terceira queda mensal consecutiva do setor. Já o acumulado em 12 meses (0,68%) foi o menor desde dezembro de 2024.

    Já o grupo de outros produtos químicos recuou -3,11%, intensificando a perda de ritmo verificada em abril (-0,61%) e contribuindo com -0,26 p.p. na taxa de -1,29%. Apesar disso, tanto no acumulado do ano (0,34%) quanto em 12 meses (9,36%), as variações seguem positivas.

    Segundo Murilo Alvim, a retração nesses setores acompanha a queda nas cotações do petróleo no mercado internacional. “A retração de refino de petróleo e biocombustíveis foi puxada pelos menores preços de alguns derivados do petróleo, com destaque para o óleo diesel, os óleos combustíveis e a nafta. Já no setor químico, a influência veio de derivados como o propeno não saturado e o polipropileno”, explicou.

    Variação por grandes categorias econômicas

    A variação de preços entre abril e maio de 2025 também foi influenciada pelas grandes categorias econômicas:

    • Bens de capital (BK): -0,02%

    • Bens intermediários (BI): -2,37%

    • Bens de consumo (BC): 0,00%

    • Bens de consumo duráveis (BCD): +0,35%

    • Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND): -0,07%

    Os bens intermediários foram os que mais influenciaram o IPP no mês, com impacto de -1,29 p.p. Conforme Alvim, essa categoria é a mais sensível à variação cambial: “Muitos preços de commodities, a maioria bens intermediários, são cotados em dólar nas bolsas internacionais e têm sido impactados pela queda recente do câmbio.”

    Temas nesta notícia