Embrapa cria tecnologia com satélites para monitorar pastagens com alta precisão

    Ferramenta estima a massa de capim no campo com até 86% de acerto

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    Embrapa cria tecnologia com satélites para monitorar pastagens com alta precisão
    08deJulhode2025ás14:32

    Uma nova metodologia desenvolvida pela Embrapa Pecuária Sudeste (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) visa transformar o monitoramento das pastagens no Brasil.

    A inovação alia modelagem agrometeorológica e sensoriamento remoto, por meio de dados climáticos e imagens de satélite, para estimar com precisão a massa de forragem disponível nos campos, apoiando o manejo e a intensificação sustentável da produção de carne e leite no país

    A técnica permite diferenciar a matéria verde — de maior valor nutricional e consumida pelos animais — da matéria seca, com menor qualidade. Isso dá ao produtor uma visão mais clara sobre a quantidade e a qualidade do capim disponível no campo.

    O sistema combina dados climáticos — como radiação solar, temperatura, umidade e vento — com imagens do produto HLS, que integra os satélites Landsat-8 (Nasa) e Sentinel-2 (Agência Espacial Europeia). Essa base alimenta o modelo SAFER (Simple Algorithm for Evapotranspiration Retrieving), tradicionalmente usado para medir evapotranspiração, mas pouco aplicado até então no contexto de pastagens. 

    “Os resultados obtidos nos três tipos de sistemas de produção pecuária são promissores e demonstram a eficácia da metodologia em diferentes contextos”, afirma o analista Gustavo Bayma, da Embrapa Meio Ambiente.

    A metodologia foi testada ao longo de dois anos em três sistemas: extensivo, intensivo rotacionado e integração lavoura-pecuária (ILP), todos na Fazenda Canchim da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP).

    O modelo conseguiu explicar mais de 67% da variação na massa de forragem, com destaque para o sistema extensivo, onde a acurácia chegou a 86%.

    “Enquanto a matéria seca total inclui material senescente e de baixa qualidade nutricional, a matéria verde está diretamente relacionada à produtividade do pasto e ao volume consumido pelos animais”, explica a pesquisadora Sandra Nogueira, coautora do estudo.

    A diferenciação entre matéria verde (MV) e matéria seca total (MST) foi um dos principais diferenciais da pesquisa e contribuiu para a melhora das estimativas.

     embrapa_satelite

    Resultados variam conforme o tipo de manejo

    Nos sistemas extensivos, onde há menor intervenção humana e maior estabilidade nas condições da pastagem, o desempenho da tecnologia foi superior.

    Já no sistema ILP, a alternância entre cultivo e pastejo, além da adubação e decomposição de resíduos, tornou o ambiente mais complexo, o que impactou a precisão.

    No modelo intensivo rotacionado, a dinâmica acelerada do manejo também influenciou os resultados, mas o desempenho ainda foi considerado satisfatório.

    A pesquisadora Patrícia Santos destaca o avanço que o sensoriamento remoto representa para a gestão das áreas produtivas. “Essas tecnologias tornam possível identificar variações na quantidade de forragem ao longo do tempo, favorecendo decisões mais assertivas no planejamento forrageiro e no manejo sustentável”, afirma.

    Ela ressalta que os dados gerados podem embasar políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à recuperação de áreas produtivas.

    Tecnologia

    Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Marcos Adami, o uso de satélites e tecnologias como drones, sensores hiperespectrais e inteligência artificial tende a ampliar ainda mais as possibilidades de monitoramento.

    “Com essas ferramentas, poderemos prever variações nas pastagens com maior antecipação e acurácia”, afirma.

    Santos lembra ainda que, diante do desafio de aumentar a produtividade sem expandir a área de pastagens — estimadas em 113,2 milhões de hectares, segundo o IBGE (2020) —, soluções como essa podem ser decisivas. Dados da Embrapa mostram que os sistemas integrados de produção já ocupavam 17,4 milhões de hectares em 2020, com expectativa de alcançar 30 milhões até 2030. 

    “É uma contribuição concreta para a intensificação sustentável da pecuária brasileira”, conclui Bayma. 

    Dados do IBGE mostram que, entre 2000 e 2020, as áreas de pastagens com manejo cresceram 27,9% — um acréscimo de 247 mil km², ou 24,7 milhões de hectares.

    Segundo a Embrapa, o Brasil possui hoje 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para conversão em áreas produtivas, o que reforça a importância de ferramentas de monitoramento e gestão como a nova tecnologia.

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