"Nossos maquinários têm mais tecnologia que carros de luxo", diz VP da Massey Ferguson

    Luís Felli defende avanço da automação no campo e destaca protagonismo do agro brasileiro

    "Nossos maquinários têm mais tecnologia que carros de luxo", diz VP da Massey Ferguson
    17deJulhode2025ás15:01

    “Nossas máquinas têm mais tecnologia embarcada que carro de luxo.” A afirmação de Luís Felli, vice-presidente sênior da AGCO e head global da Massey Ferguson, sintetiza o salto tecnológico que vem transformando a mecanização agrícola.

    Em meio à escassez de mão de obra e à busca por mais precisão no campo, a empresa aposta em formação técnica, autonomia e inovação para manter no topo — com soluções desenvolvidas no Brasil e exportadas para diversos continentes.

    Nos últimos dez anos, segundo Felli, a transformação foi profunda — tanto nas máquinas quanto na exigência de qualificação da mão de obra.

    “As  máquinas mudaram de patamar. Hoje, elas exigem um profissional que não só entenda de mecânica, engrenagem, ferro, óleo, aço, mas que entenda de toda a tecnologia digital embarcada e tudo que precisa para que isso seja bem feito, bem efetivo, tirando o melhor resultado do investimento que ele fez.”

    Com a sofisticação das máquinas, os mecânicos deixaram de ser apenas especialistas em manutenção para se tornarem técnicos capazes de atuar com agilidade no campo, lidando com diagnósticos e soluções cada vez mais complexas.

    “Em muitos casos, essa solução se dá muito rapidamente. E o que é necessário na maneira como a gente conduz a safra no Brasil — o plantio de duas culturas — é que necessita velocidade e precisão. De qualquer maneira, se for uma intervenção maior, não dá para o mecânico vir até a fazenda, identificar o problema, voltar para o funcionário. Não. Tem que resolver lá. Chegou lá, tem que resolver. E mais rápido. Então, formação, preparo, isso é fundamental.”

     “O mecânico também sofreu uma transformação, se sofisticou, e os mecânicos hoje são muito mais preparados do que eram 10 anos atrás.”

    Máquinas autônomas e a escassez de operadores

    A falta de mão de obra qualificada, segundo o executivo, é um desafio global — inclusive para operadores.

    “No Brasil hoje — não vou nem falar mecânico, que é uma mão de obra super sofisticada — você tem dificuldades e desafios de ter gente preparada no país inteiro, e não é diferente do resto do mundo. Isso se estende também a operadores de máquinas, porque as máquinas se sofisticam, e nem todo mundo quer ser operador de uma máquina sofisticada.”

    A saída, afirma, está na automação.

    “Uma tendência muito forte são as máquinas autônomas. Nós estamos trazendo soluções em máquinas autônomas para o mercado, dentro da nossa plataforma de tecnologia liderada pela PTX, que atende todas as nossas marcas. Essas soluções estão sendo ano a ano trazidas ao mercado — com máquinas, por exemplo, que a gente chama de reboques de grãos autônomos acompanhando a colhedora, por exemplo, a parte de fenação já com sistema automático.”

    E complementa. “Hoje a gente tem máquinas que fazem fenação automaticamente, sem ter operador. No trator não tem operador, e está lá fazendo o feno. Então são tecnologias que estão sendo... já não está nem... está em final de desenvolvimento, quase indo para o mercado, que vai atender essa necessidade. Então, com o tempo, nós vamos ver menos gente no campo operando máquina e as máquinas sendo operadas mais à distância ou várias máquinas sendo operadas por um único operador."

    ceoMassey

    Primeiro semestre positivo e otimismo cauteloso

    A avaliação da Massey Ferguson sobre o mercado em 2025 é moderadamente positiva. Com base nos dados da Abimaq, que apontam crescimento de 6% no setor de máquinas no primeiro semestre, Felli considera o desempenho consistente.

    “Tradicionalmente, o segundo semestre é mais forte. Com uma safra recorde a caminho, a tendência é ver uma reação mais clara nos próximos meses. Estamos otimistas, mas com cautela.”

    Promessa de marca: descomplicada, confiável e acessível

    Ao falar da estratégia da Massey Ferguson, Felli enfatiza a proposta de valor da marca:

    “A gente tem uma promessa de marca que é straightforward, dependable, accessible. Ou seja, a gente é uma máquina descomplicada, uma máquina confiável, e uma máquina acessível do ponto de vista de preço.”

    Ele explica que a tecnologia embarcada é calibrada conforme o que o produtor realmente precisa:

    “A gente embarca o nível de tecnologia que o agricultor identifica como sendo adequada para ele. Se você embarcar mais tecnologia do que você usa numa máquina, você está embarcando custo. E é isso que o agricultor tem que avaliar. Então, a gente busca uma proposta de valor dentro da nossa promessa de marca, que o agricultor tenha essas três coisas.”

    O Brasil é o agro mais competitivo do mundo

    Felli também destaca o protagonismo global do agro brasileiro.

    “Primeiro, nós somos o agro mais competitivo do mundo. O Brasil hoje já é o maior exportador de carne bovina do mundo. Nós somos o segundo produtor mundial. Em dois anos, nós vamos ser o maior produtor e o maior exportador de carne bovina do mundo. Vamos ultrapassar os Estados Unidos.”

    E acrescenta. “A gente já ultrapassou os Estados Unidos na soja, como maior produtor, maior exportador. A gente tem suco de laranja, café... tem uma lista de coisas que a gente é primeiro, primeiro ou primeiro e segundo. É uma enormidade de coisa boa.”

    Mas o destaque vai além do volume, segundo ele.

    “Do ponto de vista de tecnologia, tem muita coisa desenvolvida no Brasil que a gente leva para o mundo. Desenvolvemos pulverizadores aqui, que são vendidos em vários continentes. A plantadeira da Momento foi desenvolvida aqui no Brasil e hoje é vendida em vários continentes também. Fabricada aqui e em outros lugares, mas toda a engenharia foi feita aqui. Tem muita coisa boa que a gente gera aqui e leva para o mundo.”

    Para Felli, o alinhamento global também é um trunfo.

    “Hoje, quando a gente faz um lançamento de uma máquina, ela sai nos Estados Unidos, sai na Europa, sai aqui no mesmo ano. Porque as necessidades do agricultor no mundo estão ficando muito parecidas.”

    “Mesmo os prestadores de serviço trazem similaridades. As necessidades são muito parecidas.”

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