Brasil sai novamente do Mapa da Fome, indica relatório da ONU
País está abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente
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O Brasil está novamente fora do Mapa da Fome das Nações Unidas. É o que aponta o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025), apresentado nesta segunda-feira (28) durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4), realizada na Etiópia.
De acordo com o estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o país está atualmente abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou com acesso insuficiente à alimentação, que é o limite usado como critério global para classificar nações que enfrentam insegurança alimentar crônica.
O Brasil havia saído do Mapa da Fome pela primeira vez em 2014, mas voltou a figurar na lista da ONU entre 2019 e 2021. Agora, com os dados médios do triênio 2022/2024, o país retorna à condição de segurança alimentar, segundo os critérios internacionais.
“O Mapa da Fome é um indicador da FAO que aponta países onde mais de 2,5% da população sofre de subalimentação grave. Estar fora dele significa que a maioria das pessoas tem acesso regular a alimentos em quantidade suficiente para uma vida saudável”, informa o relatório.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) destacou, em nota oficial, que “a conquista foi alcançada em apenas dois anos, tendo em vista que 2022 foi um período considerado crítico para a fome no Brasil”.
Segundo a pasta, esse avanço é resultado de medidas como a redução da pobreza, estímulo à geração de emprego e renda, apoio à agricultura familiar, fortalecimento da alimentação escolar e incentivo ao acesso à alimentação saudável.
Como é calculado o Mapa da Fome
A principal métrica usada pela FAO para compor o Mapa da Fome é a Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês). O cálculo leva em conta:
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a quantidade total de alimentos disponíveis no país (incluindo produção interna e comércio exterior),
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o consumo médio da população com base na capacidade de aquisição (renda),
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e a quantidade de calorias/dia necessárias para um indivíduo médio representativo da população.
Esses dados são reunidos em médias trienais, com o objetivo de capturar tendências mais estáveis e evitar distorções pontuais.
“Não há soberania sem justiça alimentar”, diz ministro
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que a saída do Brasil do Mapa da Fome era um dos principais compromissos do governo.
“Sair do Mapa da Fome era o objetivo primeiro do presidente Lula ao iniciar o seu mandato em janeiro de 2023. A meta era fazer isso até o fim de 2026”, disse.
“Mostramos que, com o Plano Brasil Sem Fome, muito trabalho duro e políticas públicas robustas, foi possível alcançar esse objetivo em apenas dois anos. Não há soberania sem justiça alimentar. E não há justiça social sem democracia.”
Indicadores sociais também melhoram
O desempenho do país na área de segurança alimentar vem acompanhado de outros avanços sociais expressivos. Em 2023, a taxa de pobreza extrema caiu para 4,4%, o menor nível da série histórica, com cerca de 10 milhões de pessoas saindo dessa condição em comparação a 2021.
Em 2024, a taxa de desemprego caiu para 6,6% — a menor desde 2012 —, enquanto o rendimento mensal domiciliar per capita atingiu R$ 2.020, um recorde. O índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, recuou para 0,506, o menor da série histórica.
Segundo os dados, a renda do trabalho dos 10% mais pobres do Brasil cresceu 10,7% em 2024, ritmo 50% superior ao registrado entre os 10% mais ricos. No geral, a renda do trabalho aumentou 7,1% no ano.
Outro dado relevante: das 1,7 milhão de vagas formais criadas em 2024, segundo o Caged, 98,8% foram ocupadas por pessoas registradas no Cadastro Único do Governo Federal. Entre elas, 1,27 milhão (75,5%) eram beneficiárias do Bolsa Família.
Com a melhora na renda e a conquista de emprego estável ou condição financeira mais sólida como empreendedores, cerca de 1 milhão de famílias deixaram de receber o benefício em julho de 2025 por terem superado a linha da pobreza.
O ministro Wellington Dias reforçou que os resultados são fruto de uma articulação ampla de políticas públicas.
“Essa vitória é fruto de políticas públicas eficazes, como o Plano Brasil Sem Fome que engloba o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Cozinha Solidária, a valorização do salário mínimo, crédito para a produção de alimentos pela agricultura familiar (Pronaf), incentivo à qualificação profissional, ao emprego e ao empreendedorismo, além do incremento da alimentação escolar. Todas as políticas sociais trabalhando juntas para ter um Brasil sem fome e soberano.”