Empresário que desviou R$ 63 milhões em café pega quase 9 anos de prisão
Pelo menos 55 produtores de São Paulo e Minas Gerais teriam sido prejudicados
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A Justiça de São Paulo condenou o empresário Guilherme Osório de Oliveira a 8 anos e 10 meses de reclusão por apropriação indébita de uma carga milionária com cerca de 20 mil sacas de café.
O caso envolve o sumiço de mais de 20 mil sacas do grão, avaliadas em cerca de R$ 63 milhões, que estavam armazenadas em galpões sob responsabilidade de sua empresa em Altinópolis, no interior paulista.
A decisão judicial, proferida em primeira instância, encerra um dos maiores escândalos de desvio de café já registrados no Brasil.
A esposa de Guilherme, Marina Célia Lopes da Cruz Oliveira, que também era investigada por participação no esquema, foi absolvida por falta de provas.
Segundo os autos, os galpões da empresa de armazenagem mantida pelo casal serviam como depósito temporário para a produção de dezenas de cafeicultores da região.
No entanto, o produto simplesmente desapareceu — deixando um rastro de prejuízos e desconfiança entre os produtores.
A estimativa é de que ao menos 55 agricultores tenham sido diretamente prejudicados.

Entenda o caso
O caso veio à tona em janeiro deste ano, quando diversos produtores notaram a ausência das sacas e não conseguiram mais contato com o casal.
Em 16 de janeiro, registraram queixa na polícia. No dia seguinte, a Justiça decretou a prisão preventiva de ambos, que passaram a ser considerados foragidos.
Guilherme e Marina foram localizados em Caraguatatuba, no litoral paulista, em 28 de janeiro. Após alguns meses presos, tiveram a prisão revogada em abril e passaram a responder em liberdade até o desfecho do julgamento.
Durante a investigação, a Polícia Civil inspecionou os armazéns e não encontrou vestígios do café. As estruturas estavam completamente vazias. A suspeita era de que o produto tenha sido desviado e vendido sem o conhecimento dos proprietários das cargas.
Vítimas
Segundo o G1, uma das vítimas, o produtor Osmar Cardoso da Silva, afirmou que perdeu 675 sacas de café, equivalentes a R$ 1,6 milhão.
“Há dez anos a gente fazia negócio com eles. Nunca tivemos problema. Mas, dessa vez, fomos surpreendidos. É uma sensação de impotência”, disse.
Já a produtora Patrícia Crivelenti, que atua nas regiões de Altinópolis (SP) e Itamogi (MG), calcula prejuízos de até R$ 18 milhões.
Ela conta que visitou o casal um dia antes de sua fuga, após rumores de que havia irregularidades nos estoques.
“Fomos pessoalmente, sem avisar. A conversa foi estranha, percebemos que não havia o café que diziam ter. No dia seguinte, desapareceram”, relatou.
O relacionamento comercial com Guilherme e Marina era antigo. Muitos produtores confiavam no serviço de armazenagem oferecido pela empresa.
Patrícia relata que era cliente desde 2020 e jamais havia enfrentado problemas. “Eles sempre prometeram acerto, mas a verdade é que estavam ganhando tempo”, lamentou.
Com a condenação, os produtores agora se mobilizam para tentar recuperar os valores perdidos. Ainda não se sabe se o patrimônio do empresário será suficiente para ressarcir os danos causados.
Outro lado
Em nota enviada à imprensa, os advogados de Guilherme afirmaram que o processo tramita sob sigilo e que a defesa seguirá sendo feita “de forma técnica e serena”, buscando preservar a segurança das partes envolvidas.
Enquanto a defesa avalia se recorrerá da decisão, o processo caminha para a fase de execução da pena. O empresário foi condenado em regime inicialmente fechado, mas poderá apresentar novos recursos.