FPA critica Ibama e cobra ação imediata no controle de javalis
Segundo a bancada, combate ao animal deve ser tratado como prioridade de saúde, segurança e produtividade no campo
Por |
A presença descontrolada de javalis nas áreas rurais voltou ao centro do debate da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Em reunião na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), parlamentares e especialistas cobraram medidas urgentes do Ibama e denunciaram os prejuízos causados pela espécie invasora ao agro brasileiro.
O coordenador institucional da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), afirmou que a situação já compromete a credibilidade internacional do país.
“Não podemos admitir que um país como o nosso, que produz, alimenta e conquista a credibilidade de diversos mercados pelo mundo, esteja vulnerável a essa praga. E pior, por crendices ideológicas do Ibama e de quem não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento nacional. O nosso compromisso é com o controle sanitário e do jeito que o controle está sendo feito não pode mais ficar”, disse.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), destacou que o combate ao javali deve ser tratado como prioridade de saúde, segurança e produtividade no campo.
“A gente não está tratando de extinguir uma espécie da fauna brasileira que precisa ser preservada. O javali não é daqui, foi trazido. Estamos falando de uma praga que destrói lavouras, infecta o gado e traz grave risco à população do interior do Brasil.”
Lupion lembrou que a bancada tem recebido pedidos de parlamentares de diferentes estados e cobrou avanço em projetos que tratam do controle populacional. “Infelizmente, algumas pessoas têm tratado como se fosse uma liberação geral para a caça, o que não é o caso.”
O deputado Zé Vitor (PL-MG), coordenador de Política da FPA na Câmara, alertou para os impactos em Minas Gerais.
“Em Minas Gerais, principalmente na região do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste, a atividade produtiva tem sido bastante afetada. Além do prejuízo econômico, a ação dos animais degrada o meio ambiente, interfere na qualidade do solo, nas nascentes, compromete ninhos de espécies nativas. Precisamos agir de maneira efetiva para reverter esse quadro.”

Alerta do setor
O presidente da Associação Brasileira de Caçadores Aqui Tem Javali, Rafael Salerno, classificou a situação como uma “bomba-relógio sanitária” contra o agro.
Segundo ele, os javalis já deixaram de ser apenas uma ameaça e se consolidaram como uma realidade destrutiva. Ele também criticou a postura do Ibama e defendeu que não se pode confundir o controle da espécie com caça ilegal de animais da fauna nativa, como onças e capivaras.
Impactos devastadores
Considerados uma das pragas mais agressivas no Brasil, os javalis destroem lavouras de milho, soja e cana-de-açúcar, reduzem a produtividade e elevam os custos de produção. Além de se alimentarem das culturas, revolvem o solo, dificultando o replantio e comprometendo a fertilidade.
Na pecuária, o risco é ainda maior: os animais podem transmitir doenças como a peste suína clássica, o que gera preocupação em estados com forte produção, como São Paulo.
Além dos prejuízos econômicos, a proliferação da espécie representa ameaça à segurança rural, com registros de acidentes em estradas e conflitos em comunidades do interior.
Pesquisas de órgãos ambientais apontam que os javalis já ocupam quase todo o território nacional, com maior concentração no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O ritmo acelerado de reprodução e o comportamento em bandos explicam a expansão.
Propostas em debate
No Congresso, o Projeto de Lei 3384/2021, relatado pelo deputado Nelson Barbudo, autoriza o controle populacional de espécies exóticas invasoras nocivas e cria regras para consumo, distribuição e comercialização de produtos resultantes do abate. A proposta é considerada pela FPA um passo essencial para enfrentar o problema.