BNDES promete crédito emergencial para empresas afetadas por tarifas dos EUA
Banco deve adotar como modelo operação emergencial realizada no RS, após as enchentes de 2024
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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira (21) que o banco está pronto para liberar crédito rápido e eficiente às empresas brasileiras atingidas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Estamos concluindo o programa de crédito emergencial para socorro às empresas que foram impactadas”, disse Mercadante. “Em breve nós vamos entrar muito forte no apoio às empresas”.
A iniciativa integra o Plano Brasil Soberano, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 13 de agosto, que prevê um conjunto de medidas para amparar companhias prejudicadas pelas tarifas de até 50% aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O pacote prevê R$ 30 bilhões em crédito garantido pelo Fundo de Garantia à Exportação. Os recursos serão ofertados pelo BNDES e por instituições financeiras credenciadas.
Segundo Mercadante, o governo está finalizando os ajustes para anunciar oficialmente as linhas de crédito. “Acho que nós estamos já com o processo bem maduro para ser anunciado. Faltam pequenos detalhes”, afirmou.

Ele destacou que a prioridade é preservar empregos e ajudar as empresas a superarem as perdas. O banco deve adotar como modelo a operação emergencial realizada no Rio Grande do Sul, após as enchentes históricas de 2024.
“Assim que o presidente Lula bater o martelo de como será, o BNDES está pronto para acelerar e fazer da forma mais rápida, mais eficiente, a exemplo do que já fizemos no Rio Grande do Sul. Eu quero lembrar que no Rio Grande do Sul, no crédito direto do BNDES, nós aumentamos seis vezes a velocidade de aprovação”, ressaltou.
A tarifa de 50% entrou em vigor no último dia 6 e atinge 35,9% das mercadorias enviadas aos Estados Unidos, o equivalente a 4% das exportações brasileiras.
BNDES registra lucro de R$ 13,3 bilhões no semestre
No mesmo dia em que detalhou o plano emergencial, o BNDES divulgou seu balanço do primeiro semestre de 2025. O lucro líquido foi de R$ 13,3 bilhões, resultado semelhante ao do mesmo período de 2024.
A injeção de crédito na economia cresceu 56% frente ao ano passado, alcançando R$ 129,6 bilhões. O banco também registrou aumento de 30% nos ativos totais desde o início de 2023, que passaram de R$ 683,8 bilhões para R$ 888 bilhões.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu baixa, em 0,03% no segundo trimestre, número muito inferior ao do Sistema Financeiro Nacional (3,55%) e à taxa para grandes empresas (0,43%). Apesar disso, o índice ficou levemente acima do registrado no primeiro trimestre (0,001%).
Setores mais beneficiados
As maiores aprovações de crédito foram para a indústria, que somou R$ 18,1 bilhões — alta de 24% frente a 2024 e de 220% sobre 2022 —, e para a agropecuária, que recebeu R$ 17 bilhões, avanço de 20% e 262% nos mesmos períodos de comparação.
O comércio e serviços tiveram R$ 13,5 bilhões aprovados, alta de 18% sobre 2024 e 124% sobre 2022. Já a infraestrutura registrou R$ 24,2 bilhões em crédito, queda de 8% em relação ao ano passado, mas crescimento de 53% em comparação com 2022.
O balanço mostrou ainda avanço no apoio a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). As garantias oferecidas por fundos garantidores somaram R$ 56,8 bilhões, enquanto as aprovações de crédito chegaram a R$ 32 bilhões, totalizando R$ 88,8 bilhões em operações — aumento de 92% em relação ao primeiro semestre de 2024.
Segundo Mercadante, o desempenho reforça o papel do banco em um cenário nacional adverso ao crédito.
“Evidente que a política monetária é uma política contracionista, para desacelerar a oferta de crédito. O nosso papel como banco público é procurar apresentar melhores resultados”, disse. “Estamos mostrando um crescimento muito expressivo no volume de crédito. Muito expressivo, em uma conjuntura diversa.”
O patrimônio líquido do BNDES encerrou o semestre em R$ 165,3 bilhões, alta de R$ 6,9 bilhões frente a dezembro de 2024.