Trump recua e retira tarifa de 10% sobre celulose brasileira
Medida isenta três códigos tarifários que representam mais de 90% das exportações do Brasil aos EUA
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Um decreto assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, removeu a tarifa adicional de 10% sobre três classificações de celulose importada (códigos 4703.11.00, 4703.21.00 e 4703.29.00).
Essas descrições representam mais de 90% das exportações brasileiras do setor para o mercado norte-americano, que em 2024 somaram 2,8 milhões de toneladas, equivalentes a cerca de 15% das vendas externas totais. A medida, publicada em 5 de setembro, entrou em vigor na segunda-feira (8).
A decisão ocorre em um momento de retração. Entre janeiro e maio de 2025, as exportações brasileiras de celulose para os EUA caíram 15,2% em valor e 8,5% em volume, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
O segmento vinha sofrendo com a tarifa adicional, imposta como parte da política de “tarifas recíprocas” adotada pelo governo Trump.
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Embora a celulose tenha voltado à alíquota zero, papéis em geral e painéis de madeira — MDF e MDP — permanecem com tarifas elevadas, de 50% e 40%, respectivamente.
Para a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), a revisão é resultado da pressão de clientes e parceiros locais nos EUA.
“A medida beneficia mais de 90% da celulose exportada pelo Brasil aos Estados Unidos. Trata-se de uma decisão muito positiva, que partiu do governo americano, acreditamos que muito graças aos esforços de clientes que levam ao governo peculiaridades de produtos e matérias-primas essenciais ao país. Isso reforça a importância do caminho da diplomacia e do diálogo”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Hartung para a Folha de São Paulo.
Além da articulação diplomática, exportadores brasileiros como Suzano e Eldorado Brasil contrataram escritórios de advocacia e lobistas em Washington para reforçar os argumentos de revisão.
A pressão também partiu de compradores norte-americanos, que dependem da celulose brasileira para a produção de papel higiênico, fraldas e lenços umedecidos.
Com o recuo, o setor espera recuperar parte do espaço perdido no primeiro semestre. A retirada da tarifa é vista como um fôlego às exportações em meio à continuidade da guerra comercial e da manutenção de barreiras a outros produtos florestais.