O que o agronegócio brasileiro pode esperar do corte de juros nos EUA e da Selic em 15%?

    Real valorizado alivia custos de insumos importados, mas Selic alta mantém crédito caro e pressiona investimentos no campo

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    O que o agronegócio brasileiro pode esperar do corte de juros nos EUA e da Selic em 15%?
    19deSetembrode2025ás10:41

    O corte de juros nos Estados Unidos e a manutenção da Selic em 15% no Brasil redesenham o cenário para o agronegócio.

    O movimento valoriza o real e reduz custos de insumos importados, mas mantém o crédito caro, exigindo planejamento e prudência dos produtores.

    O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, reduziu nesta semana sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4,00% a 4,25% ao ano, no primeiro corte em nove meses.

    No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a Selic em 15% ao ano, reforçando postura conservadora diante de uma inflação ainda acima da meta.

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    Segundo Isabella Pliego, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, os impactos para os produtores serão mistos.

    “A Selic elevada ajuda a manter o real valorizado e reduz o custo de insumos importados, mas ao mesmo tempo encarece o crédito rural, limitando investimentos, expansão e modernização da produção”, afirma. 

    IsabellaPliego

    Ela destaca que a valorização da moeda brasileira diminui a atratividade das exportações, já que cada dólar convertido resulta em menos receita em reais, comprimindo margens e afetando a competitividade do setor no mercado internacional.

    Ainda assim, pode haver oportunidade. 

    “Se o real se mantiver valorizado frente ao dólar, teremos folga para negociar melhores condições na compra de insumos importados, reduzir despesas logísticas e repensar prazos de financiamento interno. Mas é essencial acompanhar a rentabilidade das exportações; não basta produzir bem, é preciso garantir que o câmbio não absorva os ganhos de produtividade.”

    No mercado doméstico, os efeitos tendem a ser neutros ou levemente positivos, já que os custos podem cair sem grandes alterações nos preços de venda.

    “Quem conseguir equilibrar custos, se proteger do câmbio e planejar a longo prazo sairá em vantagem”, finaliza Isabella..

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