O que o agronegócio brasileiro pode esperar do corte de juros nos EUA e da Selic em 15%?
Real valorizado alivia custos de insumos importados, mas Selic alta mantém crédito caro e pressiona investimentos no campo
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O corte de juros nos Estados Unidos e a manutenção da Selic em 15% no Brasil redesenham o cenário para o agronegócio.
O movimento valoriza o real e reduz custos de insumos importados, mas mantém o crédito caro, exigindo planejamento e prudência dos produtores.
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, reduziu nesta semana sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4,00% a 4,25% ao ano, no primeiro corte em nove meses.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a Selic em 15% ao ano, reforçando postura conservadora diante de uma inflação ainda acima da meta.
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Segundo Isabella Pliego, analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, os impactos para os produtores serão mistos.
“A Selic elevada ajuda a manter o real valorizado e reduz o custo de insumos importados, mas ao mesmo tempo encarece o crédito rural, limitando investimentos, expansão e modernização da produção”, afirma.

Ela destaca que a valorização da moeda brasileira diminui a atratividade das exportações, já que cada dólar convertido resulta em menos receita em reais, comprimindo margens e afetando a competitividade do setor no mercado internacional.
Ainda assim, pode haver oportunidade.
“Se o real se mantiver valorizado frente ao dólar, teremos folga para negociar melhores condições na compra de insumos importados, reduzir despesas logísticas e repensar prazos de financiamento interno. Mas é essencial acompanhar a rentabilidade das exportações; não basta produzir bem, é preciso garantir que o câmbio não absorva os ganhos de produtividade.”
No mercado doméstico, os efeitos tendem a ser neutros ou levemente positivos, já que os custos podem cair sem grandes alterações nos preços de venda.
“Quem conseguir equilibrar custos, se proteger do câmbio e planejar a longo prazo sairá em vantagem”, finaliza Isabella..