COP30: CNA apresenta 10 propostas e pede reconhecimento da produção sustentável na Amazônia
Documento destaca financiamento, adaptação, mitigação, mercado de carbono e o papel da agricultura tropical na agenda climática
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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou o documento que reúne as propostas e contribuições do setor para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
O posicionamento da CNA servirá como subsídio às autoridades brasileiras que participarão das negociações e debates da conferência, marcada para ocorrer entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA).
No texto, a CNA destacou dez pontos centrais que colocam os produtores rurais no centro da agenda climática.
A confederação defende que a COP30 reconheça “o direito à produção agropecuária sustentável na Amazônia”, afirmando que a produção rural no bioma é “parte inseparável da agenda climática”.
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O documento “Agropecuária Brasileira na COP30” foi divulgado na quarta-feira (24) e entregue pelo presidente da CNA, João Martins, ao enviado especial da Agricultura para a COP30, Roberto Rodrigues, à presidente da Embrapa, Sílvia Massruhá, e ao senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).
O posicionamento reflete os anseios do setor agropecuário e foi amplamente discutido em encontros da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA com produtores rurais, Federações estaduais, entidades do agro e pesquisadores.
As propostas vão servir como subsídio aos negociadores brasileiros, às autoridades envolvidas nas negociações e aos próprios produtores rurais.

Reconhecimento e protagonismo
No documento, a CNA afirma que os produtores rurais devem ser reconhecidos como agentes fundamentais no fornecimento e na implementação de soluções climáticas, essenciais para o alcance das metas brasileiras e globais.
Ressalta também que as particularidades da agricultura tropical precisam ser consideradas como solução imediata frente aos desafios do clima e que os meios de implementação de mitigação e adaptação sejam suficientes para explorar todo o potencial do setor.
A CNA reforça ainda o protagonismo da agropecuária, que além de oferecer soluções climáticas, é estratégica para a segurança alimentar e energética.
Dez prioridades apresentadas pela CNA:
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Financiamento
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Agricultura
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Monitoramento
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Adaptação
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Mitigação
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Mercado de carbono
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Transição justa
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Legado da Amazônia
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Reconhecimento da agricultura tropical
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Segurança alimentar e energética
Financiamento
O financiamento é apontado como o principal gargalo da ação climática global. O documento lembra que foi estabelecida, em 2023, a “Nova Meta Coletiva Quantificada de Financiamento Climático (NCQG)”: US$ 300 bilhões anuais até 2035, com países desenvolvidos como principais contribuintes, e US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 envolvendo todos os países e atores.
A CNA considera fundamental que esses recursos cheguem diretamente ao produtor rural, com mecanismos financeiros adequados, condições diferenciadas de crédito, seguro climático e redução dos custos de endividamento.
Agricultura
A CNA destaca o trabalho do grupo de Sharm el-Sheikh para Agricultura e Segurança Alimentar (SSJWA), que mantém um portal online como vitrine de ações climáticas do setor.
A entidade defende que os produtores rurais sejam colocados no centro das decisões, reconhecidos como agentes provedores de soluções ambientais, e que o uso do portal seja estimulado para reduzir custos e ampliar a ambição climática.
Monitoramento
O Global Stocktake (GST), ferramenta que avalia a cada cinco anos o progresso do Acordo de Paris, mostrou que as medidas atuais são insuficientes para limitar o aquecimento a 1,5 ºC.
A CNA defende aprimorar a plataforma do GST, tornando-a visual, acessível e interativa, além de garantir meios de implementação, especialmente financiamento, para acelerar a ação climática.

Adaptação
A COP30 deverá discutir cem indicadores globais de adaptação. A CNA considera essencial que a lista final seja manejável, adequada às realidades nacionais e que reconheça ferramentas usadas na agricultura tropical.
O reporte desses indicadores é visto como fundamental para que as soluções implementadas pelos produtores rurais sejam reconhecidas a nível global.
Mitigação
A CNA pede ações mais objetivas e efetividade no financiamento de mitigação. Embora avalie que haverá poucos avanços neste tema, ressalta que a agricultura tropical tem papel estratégico, já que 141 países incluíram medidas do setor em suas metas nacionais.
Para a entidade, mitigar deve estar no centro das negociações, especialmente no que se refere a financiamento e créditos de carbono.
Mercado de carbono
As negociações formais sobre o mercado global (Artigo 6.4) e sobre a transferência de resultados de mitigação (Artigo 6.2) estão suspensas até 2028, mas continuarão sendo discutidas em diálogos e capacitações.
A CNA defende que a agropecuária seja reconhecida como setor capaz de gerar créditos de carbono, garantindo remuneração aos produtores que adotam práticas sustentáveis e de conservação.
Transição justa
O tema busca garantir que o cumprimento do Acordo de Paris seja feito de forma justa e equitativa. A CNA entende que as transições justas devem respeitar as circunstâncias nacionais e as particularidades de cada sistema produtivo.
O setor defende que sejam garantidos meios de implementação como financiamento, capacitação e transferência de tecnologia, além do reconhecimento dos cobenefícios sociais da agropecuária. A entidade também rejeita medidas comerciais unilaterais justificadas por razões climáticas.
Legado da Amazônia
A CNA afirma que a COP30, realizada no coração da floresta, precisa ir além da pauta de conservação e reconhecer o valor da presença humana na região, onde vivem 30 milhões de brasileiros. O documento ressalta que agricultura e segurança alimentar são pilares inseparáveis da agenda climática e apresenta nove recomendações:
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Reconhecer o direito à produção agropecuária sustentável;
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Acelerar a regularização fundiária e ambiental;
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Reforçar a segurança alimentar regional;
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Combater o desmatamento ilegal com incentivos econômicos;
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Criar linhas de crédito e financiamento específicos para produtores amazônicos;
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Transformar a bioeconomia alimentar em vetor de renda e inovação;
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Afirmar a soberania nacional e combater o crime organizado;
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Investir em logística e energia limpa;
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Valorizar a contribuição do agricultor amazônico na transição climática global.
Agricultura tropical
O documento reforça que as particularidades da agricultura tropical devem ser levadas em conta nas negociações climáticas, de forma a ganhar escala como solução imediata aos desafios do clima.
Segurança alimentar e energética
A CNA destaca ainda o papel da agropecuária, além das soluções climáticas, como setor essencial para garantir segurança alimentar e energética, tanto no Brasil quanto no contexto global.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux