Recuperação judicial no agro atinge recorde em 2025 com alta de 31,7%
Setor registrou 565 solicitações no período, recorde da série; produtores PJ superaram PF pela primeira vez
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O agronegócio brasileiro registrou 565 pedidos de recuperação judicial (RJ) no segundo trimestre de 2025, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 429 solicitações.
Os dados são da Serasa Experian, divulgados nesta segunda-feira (29).
O volume é o maior desde 2021, quando a empresa iniciou o levantamento específico para o setor. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a alta foi de 45,2%.
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Pela primeira vez, os produtores rurais que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) superaram os produtores Pessoa Física (PF) em número de pedidos: foram 243 solicitações de PJ, contra 220 de PF.
Entre os PJ, o destaque foi a soja, com 192 pedidos, seguida da criação de bovinos, com 26. Já entre os PF, os pedidos se dividiram entre grandes propriedades (55), médias (43), pequenas (39) e arrendatários ou grupos familiares sem propriedade (83).
“A surpresa foi o fato de produtores que atuam como PJ terem uma quantidade superior de RJs do que produtores que atuam como PF”, afirmou o chefe de agronegócio da Serasa, Marcelo Pimenta. Ele explicou que a empresa ainda avalia se houve represamento de solicitações ou mudança no perfil dos produtores.
Empresas ligadas ao agro também em alta
As empresas do agronegócio registraram 102 pedidos de RJ no trimestre, acima dos 94 do mesmo período de 2024 — também o maior volume da série.
Os segmentos mais afetados foram:
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Processamento de agroderivados (óleo e farelo de soja, açúcar, etanol, laticínios) → 32 pedidos
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Agroindústria de transformação primária (madeira serrada, couro curtido, beneficiamento de grãos) → 22
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Comércio atacadista de produtos agropecuários primários → 18
Goiás lidera solicitações
Na análise regional, Goiás foi o estado com maior número de pedidos, somando 94, seguido por Mato Grosso (73), Rio Grande do Sul (66), Minas Gerais (63) e Paraná (63).
Contexto de endividamento
Embora a Serasa não tenha apontado causas específicas para a alta em 2025, analistas lembram que o setor já vinha sob pressão desde 2024, quando perdas nas lavouras de soja e milho, somadas à elevação dos juros, ampliaram o endividamento e a inadimplência.
O Banco do Brasil, principal credor do agro, chegou a alertar para práticas de “advocacia predatória”, em que produtores recorrem à recuperação judicial antes de esgotar negociações com os bancos.
A Serasa destacou ainda que ferramentas como o Agro Score podem auxiliar credores a identificar antecipadamente produtores com maior risco de inadimplência, permitindo decisões de crédito mais seguras.