‘O consórcio virou uma grande ferramenta de planejamento para o produtor', diz gerente da Agritech

    Gerente de vendas e marketing, Cesar de Oliveira explica como o consórcio agrícola virou alternativa ao crédito caro e impulsiona a mecanização no campo

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    ‘O consórcio virou uma grande ferramenta de planejamento para o produtor', diz gerente da Agritech
    22deOutubrode2025ás13:46

    O Brasil é um dos países com o crédito mais caro do mundo, graças a uma taxa Selic elevada, atualmente em 15% ao ano, o que torna o empréstimo restrito e, por consequência, os investimentos minguados. 

    O cenário seria ainda mais contraído não fosse uma nova opção que vem ganhando força e adesão no mercado rural: o consórcio de máquinas agrícolas, que em 2025 deixou até mesmo o tradicional consórcio de caminhões no retrovisor.

    A Agritech é referência quando o assunto é tecnologia e inovação para o campo brasileiro, sobretudo no mercado de tratores de pequeno e médio porte e implementos agrícolas.

    Agora, a marca também se consolida como uma das pioneiras no consórcio voltado ao produtor rural, sobretudo à agricultura familiar.

    “O consórcio virou uma grande ferramenta de planejamento para o produtor rural”, afirma o gerente de vendas e marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, que falou com exclusividade ao Agrofy News.

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    Na ocasião, ele explicou o crescimento e a variedade de produtos comercializados em consórcio, o perfil do cliente, a mecanização no campo e o sucesso do xodó da Agritech: o trator modelo 1155 Plus, com nada mais nada menos que 59 versões desenhadas especialmente para culturas ou demandas diferentes.

    Você acompanha essa conversa, na íntegra, no vídeo abaixo. Logo depois, seguem os principais trechos desse papo.

    Agrofy News – César, para começar, como você define o perfil e o foco de atuação da Agritech?

    César Oliveira - A Agritech é uma empresa voltada ao pequeno e médio produtor. Trabalhamos com tratores de 14 a 82 cavalos de potência, atendendo principalmente a agricultura familiar. Nosso foco é oferecer máquinas adequadas à realidade desse público, com custo-benefício equilibrado e tecnologia de ponta.

    Nos últimos meses, o consórcio agrícola tem se destacado no mercado. A que você atribui esse crescimento?

    O consórcio vem crescendo ano após ano no agro, mas em 2025 ganhou ainda mais força, principalmente pela escassez de crédito e pelo alto custo dos financiamentos.

    O produtor percebeu que o consórcio é uma forma segura e planejada de adquirir bens, inclusive tratores e implementos. Além disso, ele permite trocar a frota de maneira programada, sem comprometer o caixa.

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    Esse avanço tem contribuído também para a modernização do campo?

    Sem dúvida. O consórcio é mais uma ferramenta que ajuda o produtor a acessar novas tecnologias de forma parcelada e organizada.

    Antes, muitos produtores tinham receio da modalidade, mas hoje ela é totalmente regulada pelo Banco Central, o que traz muita segurança. Com isso, o produtor tem usado o consórcio para mecanizar e aumentar a produtividade.

    Quais regiões do país mais têm aderido ao consórcio?

    Temos observado um crescimento forte em São Paulo, Rio Grande do Sul e em todo o Sudeste e Sul do país. Mas o Centro-Oeste também está avançando rápido nessa modalidade, mostrando que o consórcio agrícola se consolidou como alternativa em todo o território nacional.

    A Agritech também oferece consórcio para implementos e microtratores?

    Sim. Nós somos fabricantes tanto de tratores quanto de implementos. Hoje é possível adquirir desde o microtrator (o cultivador motorizado) até os modelos maiores por meio de consórcio. O cliente escolhe a carta de crédito adequada e pode usar para o produto que desejar.

    Com a Selic em torno de 15% e o crédito rural mais restrito, o consórcio se torna ainda mais vantajoso?

    Com certeza. Quando o financiamento tradicional não é viável, o consórcio se destaca como a melhor opção. A taxa de administração é bem mais baixa, e o produtor pode planejar o pagamento conforme o ciclo da sua cultura, seja mensal, semestral ou anual.

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    Falando em perfil de cliente, quem é o principal comprador do Consórcio Nacional Agritech hoje?

    Nosso cliente típico é o produtor com renda mensal constante, como os horticultores. Eles costumam atrelar as parcelas do consórcio ao seu fluxo de caixa diário. Mas também atendemos produtores de culturas sazonais, como o café, que têm opção de pagar uma vez por ano, no período de colheita.

    O trator Agritech 1155 é o carro-chefe da empresa. O que o torna tão popular entre os produtores?

    O 1155 é o nosso modelo mais vendido porque ele é extremamente customizável. Só nesse modelo, temos mais de 59 versões. Produzimos tratores específicos para café, frutas, uva, horticultura, entre outros. Ou seja, o produtor não precisa adaptar a lavoura à máquina — nós adaptamos a máquina à lavoura.

    A Agritech lançou recentemente um novo modelo, o 1185 Fruteiro. O que ele representa para a empresa?

    Esse trator foi lançado na Expointer e nasceu de uma demanda do mercado de frutas, que precisava de uma máquina mais potente, mas com dimensões compactas para operar em pomares. É um equipamento que combina força e agilidade, ideal para culturas como pêssego, caqui e uva.

    Como foi o desempenho da Agritech em 2025, diante de um ano econômico tão instável?

    Apesar das dificuldades, tivemos um bom desempenho. O segmento do café foi decisivo para manter o volume de vendas, já que o mercado internacional se manteve aquecido, com tarifaço e tudo. Tivemos retração em alguns setores, como o de frutas no Nordeste, mas conseguimos equilibrar produção e entregas. Devemos fechar o ano dentro das metas planejadas.

    E o que vem pela frente em 2026?

    Estamos investindo em contratações, ampliação da produção e novos lançamentos. Acreditamos que as taxas de juros devem se estabilizar e o mercado voltará a crescer. Nosso foco é continuar inovando e reduzindo o prazo de entrega dos produtos.

    A Agritech também tem avançado em iniciativas sustentáveis, certo?

    Sim. Já trabalhamos com motores que utilizam B8 e B10, biodiesel de origem orgânica, e nossa engenharia está constantemente buscando soluções que reduzam o impacto ambiental. Dentro do grupo Stédile, temos total apoio para investir em novas tecnologias ligadas à agricultura de baixo carbono.

    Na sua visão, qual é o papel da mecanização na retomada do crescimento do agro?

    A mecanização é essencial. Ela permite produzir mais, com melhor qualidade e em menos tempo. O agro brasileiro é um dos mais modernos do mundo, e até a agricultura familiar tem se mecanizado, buscando conforto, produtividade e qualidade de vida. Um bom exemplo é o microtrator, que faz em uma hora o que antes se fazia em um dia de enxada.

    Para encerrar, que mensagem você deixaria ao produtor rural?

    Que continue acreditando. O agronegócio é feito de resiliência e inovação. A Agritech está ao lado do produtor, oferecendo máquinas acessíveis, modernas e adaptadas a cada necessidade.

    Nosso compromisso é seguir investindo em tecnologia para fortalecer a mecanização no campo.

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